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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Book review: My Wonderful World of Slapstick, by Buster Keaton

Em 1957, um filme chamado “O Palhaço que não Ri” chegou aos cinemas. Era um filminho estranho. Donald O’Connor fazia o papel de Keaton e a produção usa muita licença poética – ou seria cinematográfica? – para contar a trajetória do grande comediante – embora o próprio Buster tenha sido consultor técnico do filme. A melhor parte desta quase obra ficcional é sem dúvida uma sequência silenciosa em que Donald mostra suas habilidades acrobáticas.

In 1957, a film called “The Buster Keaton Story” hit theaters. It was a weird movie. It starred Donald O'Connor as Buster and took a lot of liberties while telling the life and times of the great comedian – even though Buster himself was a technical consultant in the film. The best part of this almost fictional work was without a doubt a silent sequence in which Donald could show his acrobatic abilities.
E talvez tenha sido por causa disso que Buster decidiu contar tudo sobre sua vida pessoal e profissional, tanto no vaudeville quanto no cinema e na televisão, no material mais confiável para histórias: papel impresso. Em 1960 sua autobiografia, “My Wonderful World of Slapstick”, foi publicada. Ela foi na verdade escrita por Buster com a ajuda de um ghost-writer, Charles Samuels, e o resultado não poderia ter sido melhor. É um livro divertido, charmoso e completo sobre o teatro, Hollywood, a vida de Buster e contém alguns detalhes interessantes, como a história de como o cachorro de Buster acompanhava Greta Garbo todos os dias em uma voltinha pelos estúdios da MGM.

And maybe that's why Buster decided to spill the beans about his personal life and career both in vaudeville, in movies and television, in the most reliable place for stories: printed paper. In 1960 his autobiography, “My Wonderful World of Slapstick”, was published. It was actually written by Buster with the help of a ghost writer, Charles Samuels, and the result couldn't have been better. It's a fun, charming, comprehensive book about theater, Hollywood, Buster's life and cool tidbits, like the story of how Buster's dog used to accompany Greta Garbo on a walk around the MGM lot after lunch every day.
Primeiro, Buster usa quase 100 páginas para contar suas peripécias nos tempos do vaudeville. Pode parecer demasiado para quem quer logo ler sobre sua carreira no cinema mudo, mas também é um ótimo apanhado de “causos” sobre aqueles anos dourados do teatro, quando Buster era chamado de “o esfregão humano” e grupos zelosos se preocuparam tanto, mas tanto com sua saúde que quiseram levá-lo para longe dos pais – e dos palcos – porque acreditavam que Buster estava sendo maltratado.

First, Buster spends almost 100 pages on his vaudeville days. It may look like a lot for those who want to read about his silent film days, but it's also a nice overview of those golden days of theater, when Buster was advertised as “the human mop” and zealous groups cared sooooo much about his health they wanted to take him away from his parents – and the stage – because they thought Buster was being mistreated. 
Buster tinha uma excelente memória e podia contar episódios de sua infância com riqueza de detalhes. Por isso, é impressionante o fato de que ele nunca teve uma educação formal – na verdade, ele passou apenas um dia na escola e foi expulso porque contava piadas demais na sala.

Buster had a wonderful memory and could tell episodes of his childhood with rich and colorful details. It's always awe-inducing the fact that he never had a formal education – in fact, he spent only one day at school before being expelled because of the jokes he told in class.
No livro, Buster dá sua opinião para alguns assuntos polêmicos. Ele defende seu grande amigo e mentor Roscoe ‘Fatty’ Arbuckle no escândalo que destruiu a vida e a carreira do rotundo comediante. Ele também menciona os problemas de Chaplin com os caça-comunistas e diz que o maior erro de Chaplin foi acreditar quando os críticos disseram que ele era um gênio, isso em 1923 – dali em diante, Chaplin tentou sempre se comportar como um gênio.

In the blunt book, Buster tells his opinions on some polemic topics. He defends his good pal and mentor Roscoe ‘Fatty’ Arbuckle in the scandal that destroyed his life and career. He also mentions Chaplin’s troubles with the HUAC and says that Chaplin’s biggest mistake was to believe when the critics said he was a genius, back in 1923 – from then on, Chaplin tried to always behave as a genius.
Mas Buster não esconde suas próprias falhas. Ele confessa que assinar contrato com a MGM e se submeter ao controle do estúdio foi o pior erro de sua vida. E ele é sincero em relação aos piores anos de sua vida, de 1933 a 1935, quando ele ficou sem emprego, se separou da primeira esposa e começou a exagerar na bebida.

But Buster doesn’t hide his own failures. He confesses that signing with MGM and submitting to the studio’s control was the worst mistake of his life. And he is candid when it comes to the worst years of his life, from 1933 to 1935, when he was left jobless, divorced his first wife and started drinking heavily.
É interessante que Buster cite o nome apenas de sua terceira esposa. As outras duas são tratadas como “minha primeira esposa” e “minha segunda esposa” – esta recebe apenas um parágrafo no livro. Ele menciona que sua primeira esposa era de família rica, mas não conta que ela era irmã das estrelas Norma e Constance Talmadge. Os leitores de então não teriam como descobrir o nome destas esposas, mas com a internet isso é possível, e a discrição de Buster se mostra inútil.

It’s interesting that Buster only cites his third wife’s name. The other two go as only “my first wife” and “my second wife” – this one gets only one paragraph in the whole book. He mentions that his first wife was from a rich family, but doesn’t tell that she was the sister of silent stars Norma and Constance Talmadge. Readers by then wouldn’t have sources to find out who the wives were, but with the internet nowadays we can name them, and Buster’s discretion falls flat.
Alguns momentos menos lembrados de sua vida também são contados no livro. Por exemplo, Buster ficou sete meses na Europa lutando na Primeira Guerra Mundial e quase ficou surdo não por causa de um ferimento de batalha, mas pela simples e constante exposição ao barulho de bombas.

Some less remembered parts of his life are also chronicled in the book. For instance, Buster spent seven months in Europe during World War I, and nearly became death not due to a battlefield injury, but by simply being exposed to floor drafts.
De sua carreira no cinema, ele conta algumas histórias dos bastidores de “Vaqueiro Avacalhado” (1925), “Marinheiro de Encomenda” e “O homem das Novidades” (ambos de 1928), mas mantém segredo sobre as técnicas utilizadas em sua obra-prima e filme favorito, “A General” (1926). Ele também dá detalhes sobre produções nunca feitas, mas que tinham muito potencial, em minha opinião. Entre elas estavam uma comédia com Buster e Marie Dressler e uma paródia de “Grande Hotel" (1932).

In his film career, he tells some backstage stories about “Go West” (1925), “Steamboat Bill Jr” and “The Cameraman” (both from 1928), but keeps secret about the techniques used in his masterpiece and personal favorite film, “The General” (1926). He also spills details about never-made productions that had a lot of potential, in my opinion. Among them there were an idea of a comedy pairing Buster and Marie Dressler and a spoof of “Grand Hotel” (1932).
Para tornar a experiência complete, através da escrita de Buster temos uma ideia de como Hollywood funcionava antes ainda da era de ouro. Arbuckle pensava que “a mentalidade média do nosso público é de doze anos”. Sid Grauman (proprietário do Grauman Chinese Theatre) adorava as pegadinhas inventadas por Arbuckle, Keaton e Al St. John na vida real. Irving Thalberg era brilhante e muito próximo de Keaton. E Louis B. Mayer era um grande homem de negócios, muito preocupado com todas as estrelas da MGM – afinal, ele achava que elas eram propriedade dele.

To make the experience complete, through Buster’s writing we catch a glimpse of how Hollywood worked even before the studio era. Arbuckle thought that “the average mentality of our movie audience is twelve years”. Sid Grauman (owner of the Grauman Chinese Theatre) really enjoyed the practical jokes put together by Arbuckle, Keaton and Al St. John in real life. Irving Thalberg was brilliant and very close to Keaton. And Louis B. Mayer was a great businessman who was also very worried about all MGM stars – after all, he thought they were HIS property.
Apesar das dificuldades que Buster teve na vida, ele se considera sortudo. Ele diz que os anos de azar foram tão poucos se comparados aos anos de alegria. E ele também ficava incrivelmente feliz quando era reconhecido por seus fãs ao redor do mundo. Eu fico imaginando o que ele diria sobre sua crescente e forte fandom online.

Despite the difficulties Buster met in his life, he considers himself lucky. He says that the years of misfortune were so few compared to the ones of joy. And he was also incredibly happy whenever he was recognized by his fans around the world. I wonder what he’d say about the strong, ever-growing Buster Keaton fandom online.
“My Wonderful World of Slapstick” é uma autobiografia deliciosa, escrita com humor e sentimento. É um livro que todo verdadeiro fã de Buster Keaton deveria ler, não apenas por causa de suas ótimas histórias, mas também por sua percepção de uma era passada e muito importante na história do entretenimento.

“My Wonderful World of Slapstick” is a delightful autobiography, written with humor and deep feelings. It’s a book every true Keaton fan should read, not only because his amazing stories, but also because of his painting of a bygone and very important era in entertainment.

“My Wonderful World of Slapstick” is on public domain and can be downloaded at the Internet Archive.

This is my contribution to the Third Annual Buster Keaton blogathon, hosted by Lea at Silent-ology.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Ódio é Cego / No Way Out (1950)

Existe algo pior que ser um ladrão? Claro: ser um ladrão RACISTA! Quando havia menos tensão, Martin Luther King era praticamente desconhecido e a marcha pelos direitos iguais era apenas um sonho, Hollywood lidou com o racismo e nos apresentou um ator que se tornaria uma lenda: Sidney Poitier.

Is there anything worse than being a thief? Of course: being a RACIST thief! When there was less racial tension, Martin Luther King was virtually unknown and the march for racial equality was nothing but a dream, Hollywood tackled racism and introduced an actor who would become a legend: Sidney Poitier.
O jovem e brilhante Luther Brooks (Poitier) acabou de passar seu último exame e começou a trabalhar como médico. Infelizmente, os primeiros pacientes que ele trata são dois ladrões que foram feridos enquanto roubavam um posto de gasolina. Eles são os irmãos Ray (Richard Widmark) e Johnny (Dick Paxton).

The young and bright Luther Brooks (Poitier) has just passed his final college exams and started working as a physician. Unfortunately, the first patients he treats are two thieves who were wounded while robbing a gas station. They are the brothers Ray (Richard Widmark) and Johnny (Dick Paxton).
Ray é nervoso, grosso e reclama demais, tudo porque ele não confia em um médico negro – quando ele vê Luther pela primeira vez, ele cospe no chão e manda o médico pegar seu esfregão e limpar o cuspe. Luther trata os irmãos com justiça na área prisional do hospital, mas Johnny morre. Ray acredita que Luther matou seu irmão de propósito, e começa a planejar a vingança.

Ray is angry, rude and complains a lot, in special because he can’t trust a black doctor – when he first sees Luther he spits on the floor and tells him to get his mop and clean. Luther treats the brothers fairly in the prison ward of the hospital, but Johnny dies. Ray believes Luther killed his brother on purpose, and starts plotting revenge.
Toda primeira perda hospitalar de um jovem médico é um acontecimento importante, às vezes um choque. Mas a primeira perda de Luther é mais perigosa. Ray está cego pela dor e, acima de tudo, pelo preconceito. Ele não aceita que seu irmão já era um homem doente antes de levar o tiro. Luther se preocupa com o fato de Ray acreditar que ele matou Johnny. Luther percebe que corre perigo e decide provar que Johnny não morreu em decorrência do tiro ou do tratamento que recebeu no hospital.

Every young doctor’s first hospital loss is a milestone, sometimes a shock. But Luther’s first loss is more dangerous. Ray is blinded by pain and, above all, prejudice. He can’t accept that his brother was already a sick man before getting shot. Luther and is worried about Ray thinking he murdered Johnny. Luther can sense the danger coming, and wants to prove that Johnny didn’t die because of the shot or hospital treatment.
Não é apenas com palavras e ações que Ray ataca Luther. Ele também olha para o médico com imenso nojo. E ele espalha seu racismo.Ele convence sua ex-amante e ex-cunhada, Edie Johnson (Linda Darnell), de que Luther matou Johnny. Mesmo de dentro do hospital ele incita um ataque de brancos contra o bairro negro onde Luther mora.

It’s not only with words and actions that Ray attacks Luther. He also looks at the doctor with utter disgust. And he spreads his racism. He convinces his former lover and former sister-in-law, Edie Johnson (Linda Darnell), that Luther killed Johnny. Even inside the hospital prison warden, he starts an attack of white people against the black neighborhood Luther comes from.
Este filme mostra como o racismo – e o preconceito em geral – é fruto da ignorância, ou melhor, da falta de reflexão. Ray manipula os sentimentos de Edie usando “fatos alternativos” e a coloca contra o doutor Luther. Mais tarde, ela entra em contato com os negros que ajudou a maltratar e, quando é bem tratada por eles, ela percebe que cometeu um erro ao ser racista e buscar vingança.

This film shows how racism – and prejudice in general – is the child of ignorance, or better, lack of proper reflection. Ray manipulates Edie’s feelings by using “alternative facts” and puts her against Doctor Luther. Later, she gets in touch with the black people she might have helped hurt and, upon being treated well by them, realizes the mistake she has made in being racist and looking for vengeance.
Este foi o primeiro filme de Sidney Poitier e, embora ele seja o quarto nos créditos, ele é a grande estrela. Desde este primeiro filme ele construiu sua persona, a de um homem negro inteligente, educado e muito correto, como se a plateia só fosse capaz de aceitar uma estrela negra se ele fosse um santo. Mesmo assim, “O Ódio é Cego”, um grande sucesso de bilheteria, foi banido em algumas cidades e considerado anti-americano pela HUAC (Casa das Atividades Anti-Americanas).

This was Sidney Poitier’s first feature film and, even though he is the fourth billed, he is the star. Since this first film he built his persona of an extremely smart, polite and correct black man, as if movie-going audiences could only accept a black star if he was a saint. Nevertheless, “No Way Out”, a big box-office success, was banned in some cities and considered un-American by HUAC (House of Un-American Activities).
Mesmo sendo Poitier a força motriz da película, Linda Darnell e Richard Widmark também merecem elogios. Widmark e Poitier se tornaram amigos, e Widmark se desculpava com Poitier após cada take em que seu personagem ofendia o doutor Luther.  

Despite Poitier being the main force, Linda Darnell and Richard Widmark also deserve praise. Widmark and Poitier quickly became good friends, with Widmark apologizing Sidney after each take in which his character treated doctor Luther badly.
Good friends
Foi o começo de uma carreira luminosa para Poitier. Foi também um grande acontecimento para seus pais nas Bahamas, porque “O Ódio é Cego” foi o primeiro filme que eles viram no cinema. Foi uma fonte de orgulho colossal para o senhor e a senhora Poitier, e ainda é um filme necessário, emocionante e cheio de suspense, que deveria ser visto por todas as pessoas da Terra.

It was the beginning of a luminous career for Poitier. It was also a milestone for his parents in the Bahamas, because “No Way Out” was the first film they ever saw in a movie theater. It was a source of colossal pride for Mr and Mrs Poitier, and it still is a necessary, chilling and poignant movie every person on Earth should watch.

This is my contribution to the 90 Years of Sidney Poitier blogathon, hosted by pal Virginie at The wonderful World of Cinema.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Música, Maestro: o Oscar de Melhor Canção Original / Oscar for Best Original Song

Para mim, o estranho e deplorável ano de 2016 começou a mostrar suas cruéis intenções em relação às pessoas de bom senso durante o Oscar. Claro, Leo DiCaprio ganhou a desejada estatueta depois de cinco indicações, porém, mais uma vez, as surpresas geraram mais debates que os ganhadores mais previsíveis. Eu fiquei chocada quando o prêmio de Melhor Canção Original foi para “Writing’s on the Wall”, a música mias sem graça do filme mais sem graça de James Bond. Eu havia apostado em “Til it Happens to You”, uma poderosa canção sobre violência sexual composta e gravada por Lady Gaga. Foi a primeira vez em 2016 que algo machista derrubou a causa feminista.

For me, the odd, disgusting year 2016 started to show its cruel intentions to people of common sense at the Oscars. Sure, Leo DiCaprio won this coveted award after years of trying, but once more the surprises caused more buzz than the predictable winners. I was shocked when the Best Original Song award went to “Writing’s on the Wall”, the most boring Bond music from the most boring Bond film ever. I had bet in “Til It Happens to You”, a powerful song about sexual violence by Lady Gaga. It was the first time in 2016 that a macho thing knocked over a feminist.
A categoria de Melhor Canção Original foi criada em 1934, e daí em diante deu destaque a musicais, comédias e outras produções que têm historicamente poucas chances de ganhar o Oscar de Melhor Filme. Alguns ganhadores ficam para sempre na cultura mundial (“Over the Rainbow”), enquanto outros se tornam muito mais famosos do que os filmes que os originaram – porque você provavelmente já ouviu “You’’l Never Know”, mas só os maiores fãs de filmes clássicos já viram o filme “Aquilo sim era vida”, de 1943.

The Best Original Song category was created in 1934, and from then on gave a place in the sun to musicals, comedies and other films that had few chances of collecting a Best Picture Oscar. Some winners became forever enthralled in pop culture (“Over the Rainbow”) and others became much more famous than the films that introduced them – because you’ve probably heard “You’ll Never Know”, but only die-hard Old Hollywood fans have watched “Hello, Frisco, Hello” (1943).

Em sua primeira década, a Academia estava fazendo experiências, adicionando, retirando e modificando as categorias do Oscar. Na sétima cerimônia, o ganhador da recém-criada categoria de Melhor Canção Original foi The Continenal, do filme “A Alegre Divorciada” (1934). A sequência de The Continental dura 17 minutos, e é a mais longa a figurar em um filme de Fred e Ginger.

In its first decade, the Academy was making experiences, adding, taking away and modifying the Oscar categories. In its 7th ceremony, the Best Original Song category was created, and the first winner was The Continental, from “The Gay Divorcée” (1934). The whole Continental sequence lasts 17 minutes, and was the longest in any Astaire-Rogers film.
Ao longo das décadas, as regras continuaram mudando, devido a problemas, polêmicas e a incrível necessidade de aumentar a audiência. Por exemplo: Jerome Kern, compositor de “The Last Time I Saw Paris”, que ganhou o prêmio em 1941, sugeriu que apenas músicas compostas especificamente para um filme feito no ano anterior deveria participar da seleção. Outra situação: quando “Dreamgirls” e “Encantada” tiveram cada um três músicas indicadas na categoria, ficou decidido que nenhum filme poderia ter mais de duas músicas competindo na grande noite.

Throughout the decades, the rules were still changing, due to troubles, anomalies and the incredible need of higher ratings. For instance: Jerome Kern, the composer of The Last time I Saw Paris, song that won in 1941, suggested that only songs composed specifically for a motion picture released the previous year should be eligible. Also, when “Dreamgirls” and “Enchanted” has each three songs nominated at the category, the Academy decided that no film should have more than two competing for the award.
Jerome Kern
Esta nova regra sugerida por Jerome Kern é o que justifica o fato de tantas músicas inesquecíveis terem ficado sem Oscar: elas foram apresentadas primeiro nos palcos ou em outros filmes. Se considerarmos outra lista de grandes canções, a AFI 110 Years 100 Songs, veremos que apenas 28 músicas da lista ganharam também o Oscar. No TOP 3 temos “Over the Rainbow”, o inesquecível ganhador do Oscar, e mais duas canções familiares: “As Time Goes By” foi originada em uma peça de teatro fracassada de 1931, enquanto a memorável “Singin’ in the Rain” foi apresentada pela primeira vez no cinema em um filme de 1929, bem antes de o maior musical da história ser filmado.

This new rule suggested by Jerome Kern is the reason why so many great songs never won an Oscar: they were presented first on stage or another film. If we consider another list of wonderful songs, the AFI 100 Years 100 Songs, we see that only 28 songs in this list also won the Academy Award. In the TOP 3 we have “Over the Rainbow”, the unforgettable Oscar winner, and two more familiar tunes: “As Time Goes By” was originated in a failed 1931 stage play, while the memorable “Singin’ in the Rain” was first sung in a 1929 movie, way before the greatest musical ever was released.
Só três músicas que não eram em inglês ganharam o prêmio: a primeira, “Never on Sunday”, do filme “Nunca aos Domingos”, de 1960, é cantada em grego. A segunda foi “Al Outro Lado Del Rio”, de “Diários de Motocicleta” (2004), cantada em espanhol. E a mais recente foi Jai Ho, de “Quem quer ser um milionário?” (2008), cantada em hindi.

Only three songs not sung in English got the award: the first, “Never on Sunday”, from the film by the same name released in 1960, was sung in Greek. The second one was “Al Otro Lado Del Rio”, from “Motorcycle Diaries” (2004), sung in Spanish. And the most recent case was “Jai Ho”, from “Slumdog Millionaire” (2008), sung in Hindi.
A Renascença dos estúdios Disney foi marcada por vários Oscars de Melhor Canção Original, uma vez que não havia ainda a categoria de Melhor Animação. De 1990 a 2000, seis vencedoras vieram da Disney: estas laureadas canções vieram dos filmes “A Pequena Sereia”, “A Bela e a Fera”, “Aladdin”, “Rei Leão”, “Pocahontas” e “Tarzan”.

Disney's renaissance period was marked by several Best Original Song Oscars, since there was no Best Animated Feature category until 2001. From 1990 to 2000, six winners came from the Disney studios: these celebrated songs came from the movies “The Little Mermaid”, “Beauty and the Beast”, “Aladdin”, “The Lion King”, “Pocahontas” and “Tarzan”.
A maioria dos vencedores do Oscar de Melhor canção Original é bem previsível – exceto quando há um Sam Smith no meio do caminho – mas não se pode dizer o mesmo dos indicados. Surgiram muitos textos e debates sobre os indicados de 2017, e a ausência de alguma música do delicioso musical “Sing Street”.

The majority of Best Original Song winners are quite predictable – except when there is Sam Smith in your way – but you can’t say the same about nominations. Much has been written about the 2017 nominations and the absence of a single tune from the delightful musical “Sing Street”.
Há ainda uma grande caminhada para o amadurecimento desta categoria. Por exemplo, apenas uma mulher ganhou o prêmio sozinha, sem estar colaborando com um compositor ou letrista do sexo masculino, e foi também a única vez que um documentário ganhou na categoria: foi em 2007, quando Melissa Etheridge ganhou por “Uma Verdade Inconveniente”. Em todo caso, a galeria de ganhadores é muito rica, e nos diz muito sobre a evolução da cultura pop nos últimos 80 anos. Afinal, o que Irving Berlin, Barbra Streisand, Bob Dylan, Eminem e Adele poderiam ter em comum além de um Oscar?

There is still a long walk ahead of this category. For instance, there is only one woman who won the prize alone, without collaboration with a male composer and lyricist, and it was also the only time a documentary got the Best Original Song Oscar: it was in 2007, when Melissa Etheridge won for “An Inconvenient Truth”. Anyway, the gallery of winners is a rich one, and tells us a lot about the evolution of pop culture in the last 80+ years. After all, what else could Irving Berlin, Barbra Streisand, Bob Dylan, Eminem and Adele have in common if not the Oscar?

Para testar seus conhecimentos sobre as Melhores Canções Originais, aqui está um ótimo quiz:
To test your general knowledge about the Best Original Songs, take this cool quiz: 



Aqui temos uma lista com todas as vencedoras de 1934 até 2015, em um ranking da pior para a melhor: http://www.spin.com/2015/02/oscars-academy-awards-best-original-song-every-winner-ranked/

Here’s a list of all the winners from 1934 to 2015, with the songs ranked: http://www.spin.com/2015/02/oscars-academy-awards-best-original-song-every-winner-ranked/

E aqui está uma playlist do Spotify que eu fiz para que você possa ouvir todas as músicas, onde quer que esteja:

Here’s a Spotify playlist I made so you can listen to all the songs on the go:


This is my contribution to the 30 Days of Oscar Blogathon 2017, hosted by the trio Aurora, Kellee and Paula at Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

É de família: os Huston / It runs in the family: the Hustons

Algumas famílias têm tradições estranhas. Os Huston, por exemplo, têm três gerações de ganhadores do Oscar (um recorde apenas igualado pela família Coppola). E tudo começou com um imigrante canadense.

Some families have weird traditions. Others have golden traditions. The Hustons, for instance, have three generations of Oscar winners (a record only shred with the Coppolas). And it all started with a Canadian immigrant.
Walter Thomas Huston nasceu em Toronto, Canadá, em 1883. Ele estudou engenharia, mas sua verdadeira paixão era a atuação. Mesmo assim, em 1904, quando ele se casou com a jornalista Rhea Gore, ele decidiu se dedicar apenas à engenharia. Sua carreira como engenheiro durou quase cinco anos, até que um erro de Walter ao consertar um reservatório quase deixou uma cidade debaixo d’água. Em 1909, ele se divorciou de Rhea e passou a apenas atuar.

Walter Thomas Huston was born in Toronto, Canada, in 1883. He studied engineering, but his passion was acting. Yet, in 1904, when he got married to journalist Rhea Gore, he dedicated himself only to engineering. His career as an engineer lasted nearly five years, until a mistake made by Walter in a town’s reservoir nearly caused a flood. In 1909, he divorced Rhea and became a full-time actor.
Ele precisaria de mais de uma década para encontrar sucesso na Broadway. Walter estava também entre os atores de teatro que foram para Hollywood com a popularização do cinema falado. Huston fez seu primeiro filme em 1929.

He would need more than a decade to find success on Broadway. Walter was also among the stage actors who went to Hollywood when talkies came. Huston debuted in movies in 1929.
No ano seguinte ele interpretou o mais amado presidente norte-americano, Abraham Lincoln, no filme homônimo dirigido por D.W. Griffith. Walter mais uma vez interpretaria um ícone estadunidense em 1943, quando ele fez o papel do Tio Sam em “O Ataque a Pearl Harbor”, um filme de propaganda feito durante a Segunda Guerra Mundial.

The following year he played the most beloved American president, Abraham Lincoln, in the homonym film directed by D.W. Griffith. Walter would once again play an American icon in 1943, when he portrayed Uncle Sam in “December 7th: The Movie”, a film to boost the country’s moral during WWII.
Walter fazia sucesso nas telas no começo dos anos 30 quando seu único filho, o futuro diretor John Huston, se envolveu em um acidente automobilístico. John estava dirigindo bêbado e acabou atropelando e matando a atriz e bailarina brasileira de 23 anos Diva Tosca. Diva era casada com o ator brasileiro Raul Roulien (o cara que sugeriu colocar Fred Astaire e Ginger Rogers para dançarem juntos pela primeira vez!), que tinha uma carreira de sucesso no cinema e na música... até que os Huston cruzaram seu caminho. Raul processou o motorista bêbado que fez dele um viúvo, mas o poderoso e superprotetor Walter Huston quis proteger seu filho e usou sua influência para que o júri inocentasse John. Mesmo assim, ele pagou uma indenização ao pobre Raul. Por causa deste pequeno escândalo, Raul Roulien não conseguiu mais trabalho em Hollywood e voltou para o Brasil, onde morreu em 2000.

Walter was enjoying screen success in the early 1930s when his only son, future director John Huston, got involved in a car accident. John was drunk and ended up hitting and killing 23-year-old Brazilian actress and ballerina Diva Tosca. Diva was married to Brazilian actor Raul Roulien (aka the man who put together Fred Astaire and Ginger Rogers), who had been enjoying a career in film and music… until the Hustons got in his way. Raul sued the drunk driver who made him a widow, but powerful and overprotective Walter Huston protected his son and bribed the jury to make John be proclaimed innocent, but paid an amount of money to grieving Roulien. Because of the small scandal, Raul Roulien couldn’t find work in Hollywood anymore and went back to Brazil, where he died in 2000.   
Diva Tosca / Young John Huston
Raul Roulien
Naquela época John tinha vinte e poucos anos, já havia aparecido em minúsculos papéis no cinema e estava então escrevendo diálogos e roteiros. Seu grande salto para a fama viria quando ele adaptou e dirigiu “O Falcão Maltês” em 1941. Ele dirigiu muitos outros filmes inesquecíveis em sua carreira, e viveu uma vida conturbada, se casando cinco vezes e tendo cinco filhos.

By then John Huston was in his 20s, and had already done bit parts and was writing scenarios and dialogues. His big break would come when he adapted and directed “The Maltese Falcon” in 1941. He directed many unforgettable films and lived an erratic life, marrying five times and having five kids.
Walter and John
Anjelica Huston, filha de John, nasceu quando ele estava no Congo Belga filmando “Uma Aventura na África” (1952). Ela fecha a trindade de ganhadores do Oscar na família. Anjelica ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “A Honra do Poderoso Prizzi” (1984), filme dirigido por seu pai. John ganhou dois Oscars por “O tesouro de Sierra Madre” (1948): Melhor Diretor e Roteiro Adaptado. Este mesmo filme deu a Walter Huston seu único Oscar, de Melhor Ator Coadjuvante.

John’s daughter Anjelica Huston was born when he was in the Belgian Congo shooting “The African Queen” (1952). She closes the trinity of Oscar winners in the family. Anjelica won the Oscar as a Supporting Actress for “Prizzi’s Honor” (1984), directed by her father. John won two Oscars for “The Treasure of Sierra Madre” (1948): best Director and Adapted Screenplay. This same movie gave Walter Huston his only actor, for a Supporting Role.
John and Anjelica
O filho mais velho de John, Tony Huston, já escreveu roteiros para o cinema. Tony é pai do ator Jack Huston, que protagonizou o muito criticado remake de Ben-Hur de 2016. Danny, também filho de John, é um ator que já participou de vários filmes, entre eles “Grandes Olhos” (2014).

John’s oldest son, Tony Huston, did some writing for the screen. Tony is the father of actor Jack Huston, who starred in the much criticized 2016 version of Ben-Hur. John’s son Danny is also an actor, and appeared in such films as “Big Eyes” (2014).
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Entre todos os Huston, Walter é meu favorito. Ele é ótimo mesmo em papéis pequenos e emocionalmente exigentes, como em “A Canção da Vitória” (1942). Mas seu melhor trabalho é, em minha opinião, como o protagonista de “Fogo de Outono” (1936). Para os Huston, tudo começou com Walter.

Of all the Hustons, Walter is my favorite. He is great in small but heavily emotional roles, like in “Yankee Doodle Dandy” (1942). But his best work is, in my opinion, as the lead in “Dodsworth” (1936). For the Hustons, everything started with Walter.

This is my contribution to the 2017 O Canada Blogathon, hosted by Ruth and Kristina at Silver Screenings and Speakeasy.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

#TheResistance at the movies: Horas de Tormenta (1943) / Watch on the Rhine (1943)

“Horas de Tormenta” é mais conhecido por ser o filme que fez Paul Lukas ganhar um Oscar de Melhor ator quando Humphrey Bogart também concorria ao prêmio por sua interpretação de Rick Blaine em Casablanca. Mas o filme merece ser conhecido por outros atributos. É verdade que Paul Lukas interpreta o melhor personagem, deixando até Bette Davis em segundo plano, e ele é também o mais inspirador – e deveria ser nossa inspiração nos tempos sombrios que estamos vivendo.

“Watch on the Rhine” is best remembered for being the film that made Paul Lukas win an Oscar over Humphrey Bogart’s portrayal of Rick Blaine in Casablanca. But the movie deserves to be remembered for more than this. It’s true that Paul Lukas is the greatest character onscreen, overshadowing even Bette Davis, and he’s also the most inspirational – and one that should be our inspiration in times as somber as the ones we live in.
Em 1943, o Oscar foi todo sobre #TheResistance. Embora o filme com mais indicações e prêmios tenha sido “A Canção de Bernadette”, podemos ver o tema comum e combater o mal em “Horas de Tormenta”, “Casablanca” e “Por quem os sinos dobram”, um filme que levou apenas a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante. E os três ativistas lutando pelo prêmio de Melhor Ator eram o ativista discreto Rick, de Bogart, o ativista sem medo Kurt, de Lukas, e o ativista que punha a mão na massa Robert Jordan, de Gary Cooper.

In 1943, the Oscars were all about #TheResistance. Although the film with the most nominations and wins was “The Song of Bernadette”, we can sense a common theme of fighting evil in both “Watch on the Rhine”, “Casablanca” and “For whom the bell tolls”, a film that ultimately got the Best Supporting Actress award. As for the three activists battling for the Best Actor statuette, we get the quiet activist on Bogart’s Rick, the outspoken one in Lukas’ Kurt and the go-getter in Gary Cooper’s Robert Jordan.  
Nós não estamos novamente neste momento artisticamente, mas certamente precisamos resistir ao fascismo, assim como o personagem de Paul Lukas, Kurt Muller, faz em “Horas de Tormenta”. Então aí vão 10 lições sobre ativismo por Paul Lukas (as falas retiradas diretamente do filme estão em negrito):

We’re not again at this moment artistically, but we certainly are in need of resisting against fascism, just like Paul Lukas’ character, Kurt Muller, does in “Watch on the Rhine”. So here we have 10 lessons on activism by Paul Lukas (quotes taken directly from the film are in bold):

1- Nós seriamente precisamos de pessoas como ele: o texto no início do filme elogia quem lutou contra o fascismo desde sua gênese, e não apenas quando o mal chegou o poder. Seria você uma destas pessoas?

1- We seriously need people like him: The text at the beginning praises the people who have fought fascism since its genesis, and not only when it rose to power. Are you one of those people?
2- “O mundo mudou, e algumas pessoas nele são perigosas”: Sara (Bette Davis) se refere aos nazistas que chegaram ao poder no começo dos anos 30 e estavam então em guerra contra os aliados, mas eu aposto que você consegue citar ao menos três pessoas perigosas no mundo atualmente.

2- “The world has changed, and some people in it are dangerous”: Sara (Bette Davis) is talking about the Nazis that rose to power in the early 1930s and were then at war against the Allies, but I bet you can cite at least three dangerous people living in the world right now.

3- “Soa tão grande. E é tão pequeno. Eu sou um anti-fascista”: Kurt não tem medo de contar à família de sua esposa qual é sua profissão. Mais do que isso: ele não tem nem vergonha nem orgulho do que faz. Ele odeia ser chamado de “um homem nobre” apenas porque ele luta contra o fascismo. É apenas o trabalho dele.

3- “It sounds so big. And it is so small. I’m an anti-fascist”: Kurt is not afraid to tell his in-laws what he does for a living. More than that: he’s neither ashamed nor proud of what he does. He hates being described as “a noble man” only because he fights fascism. It’s only his job.
4- “Antes da tempestade nazista… Eu descobri que apenas a esperança não é suficiente”: como podemos ter esperança se não lutamos? Você vai depender da luta dos outros? E, desculpem-me as pessoas religiosas, mas ações dizem mais e fazem mais que simples orações.

4- “Before the Nazi storm… I find out that hope by itself is not enough”: how can you have hope if you don’t fight? Will you rely on the fight of others? And, I apologize to religious people, actions speak louder and do more than simple prayers.
5- “Os homens que sabem por que eles lutam vão lutar com mais afinco”: autoexplicativo. Informação é poderosa. Informação gera raiva e medo, os combustíveis da mudança.

5- “Given men who know what they fight for, and will fight hard”: self-explanatory. Information is powerful. Information generates anger and fear, the fuels for change.

6- “A vontade de lutar não pode ser inserida em um homem, mas quando ela já está lá...”: ela só é extinta com a morte.

6- “The willingness to fight cannot be put in a man, but when it is there…”: it’s only extinguished with death.
7- “Você não sabe o que é estar com medo. Infelizmente, acho que você vai ter de aprender”: uma mensagem para nossos tempos, quando o fascismo está ganhando espaço novamente. É também uma mensagem para as famílias dos ativistas mais apaixonados, que terão medo por seus entes queridos, mas terão de aceitar o fato de que lutar é a missão deles.

7- “You don’t know what it is to be frightened. Unfortunately, I think you’ll have to learn”: a message for our times, when fascism is rising once again. It’s also a message for the families of the most passionate activists, who will fear for their loved ones, but will have to accept that fighting is their mission.

8- “Bem, é o que em geral acontece com os heróis, infelizmente”: falando de seu amigo e ativista Max Freidank, que havia acabado de ser capturado pelos nazistas e perdeu um braço na luta. Esta frase de Kurt nos mostra uma verdade dura e amedrontadora, mas lembre-se: há muitos ativistas, mas poucos heróis. Você pode lutar por uma causa, mas isso não significa que você terá de se sacrificar por ela se este não for seu destino.

8- “Well, it’s what often happens to heroes, unfortunately”: speaking of his friend and activist Max Freidank, who had just been captured by Nazis after losing an arm. This quote by Kurt tells us a harsh, chilling truth, but remember: there are many activists, but few heroes. You can be a fighter for a cause, but it doesn’t mean you’ll have to sacrifice yourself for it if this is not your destiny.
9- “Os únicos homens que fazem valer seu tempo na Terra são aqueles que lutam por outros homens”: seja um deles. Esteja do lado correto da história.

9- “The only men on Earth worth their time on Earth were the men who would fight for other men”: be one of them. Be in the right side of history.

10- “Eu devo tomar meu lugar. Não posso fazer mais nada. Deus me ajude. Amém”: esta frase de Lutero é citada por Kurt e deve ser seguida por todos os não-conformistas.

10- “I must make my stand. I can do nothing else. God help me. Amen”: this quote by Luther is cited by Kurt and should be followed by all non-conformists.
Além de tudo isso, Kurt e Sara nos lembram que fascistas não são aliens: são pessoas como nós, feitas de carne e osso, não são invencíveis e podem ser destruídas. (SPOILERS) Ironicamente, o escritório do Código Hays queria que Kurt morresse no fim porque ele atirou em um fascista, afinal, o personagem teria de pagar por seu crime! Isso em muito se parece com o recente debate sobre “é certo socar um nazista”. Fico feliz em dizer que Kurt terminou bem, então tudo bem para nós lutarmos contra os nazistas como bem entendermos.

Besides all that, Kurt and Sara reminds us that fascists are not aliens: they are human beings like us, made of flesh and bone, not invincible, and can be destroyed. (SPOILERS) Ironically, the Hays Office wanted Kurt to die in the end because he shot a fascist, after all, he had to pay for his crime! This is very much like the recent “is it OK to punch a Nazi” debate. I’m happy to inform that, for Kurt it ended up OK, so it’s OK for us to fight Nazis any way we want. 
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