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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Orson Welles e sua megalomania

Eu amo Orson Welles. Para mim, um dos melhores diretores de cinema e um artista completo. Só não é mais completo que Chaplin porque não compunha as músicas de seus filmes. No entanto, há uma semana, Soberba, de 1942, me decepcionou. Tudo bem, o filme era dublado e eu estava com sono, por isso me confundi um pouco. Mas o filme foi um fracasso já em seu lançamento, e não foi por causa de Welles.

Logo depois de Cidadão Kane, o diretor fez esta adaptação de um romance. Desta vez, não atuaria, apenas narraria. Há relatos que ele sequer esteve presente no set, dirigiu tudo por telefone. Mas fez um filme muito grande para a pequena e quase falida RKO. O filme, que tinha inicialmente 2 horas e 28 minutos teve 17 minutos cortados. Depois, quando Welles veio para o Brasil fazer um documentário encomendado pelo presidente dos EUA ( olha aí embaixo o diretor e o então presidente Getúlio Vargas), cortaram mais 43 minutos. E deu no que deu.


De fato, Orson era conhecido como uma pessoa difícil e viu sua carreira quase desmoronar após apenas dois filmes. Mas não aprendeu. Quando sua então esposa Rita Hayworth convenceu a Columbia a deixá-lo dirigir A Dama de Xangai, ele atacou novamente: no final, o filme ficou com duas horas e 35 minutos. Mas lá vieram os infelizes executivos e deixaram-no com apenas 87 minutos, 1 a menos que Soberba. E, na minha opinião, A Dama de Xangai é uma obra-prima. Fico imaginando se, a exemplo do que fizeram com Nasce uma Estrela de 1954, poderiam encontrar as partes cortadas e restaurar o filme à sua versão original.

Seria fantástico.

sábado, 17 de julho de 2010

Top Five – Excelentes traduções de títulos

Alô, colegas! De fato, não é fácil traduzir um texto, uma expressão e, em especial, um título de filme. Muitas vezes são dadas expressões cotidianas e gírias norte-americanas, ou nomes simplórios demais às produções. Qual não deve ter sido a dificuldade para traduzir “Duck Soup”, filme dos irmãos Marx?

Vamos à lista:


5. “Um Convidado bem Trapalhão” (“The Party”, 1968): Mais um título que não diz nada, “A Festa”, e foi muito bem consertado, dando a noção, também, de comédia.
4. “Duas semanas de prazer” (Holiday Inn, 1942): Poderiam ter colocado m subtítulo esquisito, como “Holiday Inn – O hotel”, mas o nome que causa estranheza à primeira vista tem um propósito: o hotel aberto por Bing Crosby só funciona nos feriados, que contabilizavam , na época, 14 dias.
3. “Janela Indiscreta” (Rear Window, 1954): A janela através da qual um James Stewart de perna engessada pratica voyeurismo com seus vizinhos não é apenas a “janela traseira”de seu apartamento, mas sim uma janela bem indiscreta.
2. “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” (“Airplane”, 1980): Também muito fraco, “Avião” foi transformado nesta célebre frase, a qual minha mãe adora repetir enquanto dirige, e que já nos dá a noção deque se trata de uma boa comédia.
1. “A Mulher faz o Homem” (“Mr. Smith goes to Washington, 1939): Ao invés de um simples “Sr. Smith vai a Washington”, este título nos revela muito, porque, de fato, o humilde protagonista não seria tão ousado e célebre em sua atuação política se não fosse por sua secretária, admiradora e incentivadora.



Pois é, nem sempre os tradutores fazem lambança na hora de dar títulos aos filmes!
Beijos,
Lê ^_^

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os losers estão de volta!



Eles surgiram há pouco tempo e já viraram mania mundial.Depois de milhões de downloads, visualizações dos vídeos no YouTube, muitos prêmios no Globo de Ouro, Satellite Awards e outros, 19 indicações para o Emmy de 2010, o seriado Glee volta para a segunda parte da sua primeira temporada na Fox nesta quarta-feira (14).


A história é simples e diferente: em uma escola, alguns dos alunos mais marginalizados e mal-vistos do Ensino Médio (entre eles, um homossexual, um cadeirante, asiáticos, líderes de torcida burrinhas e uma garota que não admite que alguém seja melhor que ela) entram para o desacreditado clube do coral. Então, descobrem o que têm de melhor (e de pior), passam a se aceitar e encontram forças na amizade, além de fazerem sucesso nos palcos.


Finalmente, desde os primeiros seriados teen da década de 90, são quebradas as odiosas panelinhas e é dado destaque para os excluídos, os diferentes, os “esquisitos”. A moda idiotamente copiada por adolescentes brasileiros do ataque e preconceito contra esses losers parece agora ter de enfrentar o sucesso de um grupo deles. É louvável que os seriados comecem essa reação cultural contra o preconceito, como acontece em “The Big Bang Theory”, em que os nerds são mostrados como pessoas interessantes, apesar de parecerem excêntricas, indo muito além de qualquer clichê ou estereótipo. Aliás, na década de 90, era comum ver, em traduções de filmes e séries, as palavras “nerd” ou “geek” virem como “idiota” ou “otário”.


Particularmente, me agrada muito a escolha das músicas, que vi desde os sucessos atuais aos mais antigos. Adoro o Kurt (e quem não gosta?) e amaria se ele tivesse mais solos, o que provavelmente não ocorrerá (quem assistiu ao episódio “Wheels” sabe o porquê). Gostaria muito que Chris Colfer ganhasse o Emmy de Ator Coadjuvante em Comédia. Mas ainda torço por Jim Parsons para Ator Principal em Comédia, pois o sem-sal professor Will não me agrada nem um pouco.


Como sempre, minha birra é pela mania da Fox de dublar suas séries, o que as descaracteriza um pouco, além de ser esquisito na hora em que o áudio original começa durante as músicas.


Enfim, ficamos prontos para o início deste novo ciclo e, espero, de uma nova mentalidade da juventude.
Beijos mil,
Lê ^_^

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Meu Top 10 – Drama / Aventura

Olá!! Com certeza vcs já devem ter visto listas, até as oficiais do AFI (American Film Institution) com o ranking dos melhores filmes. Como uma boa aficionada, resolvi discordar um pouco dessas listas e bolar meus próprios “top 10”, começando pelas produções que nos levam às lágrimas: os dramas!

10- “Madame Curie” (idem, 1943): A descoberta do rádio e do polônio pela cientista (Greer Garson), com seu marido Pierre Curie, é relatada de maneira fascinante. Baseado nos relatos de uma filha do casal, mostra como foi difícil o caminho que levou Marie a ser a primeira e única pessoa a ganhar prêmios Nobel em categorias distintas.

9- “A Mulher faz o Homem” (Mr. Smith Goes to Washington, 1939): No Ano do Cinema, um simplório chefe de escoteiros (James Stewart) é indicado ao Senado para poder ser manipulado por um inescrupuloso bando. Sua única vontade é impedir a construção de uma barragem que passa por áreas preservadas importantes. Para isso conta com a ajuda e o incentivo de sua secretária (Jean Arthur).

8- “Nasce uma Estrela” (A Star is Born, 1937 / 1954): Hollywood é uma fábrica de sonhos, mas alcançar prestígio nestas terras não é fácil. Que o diga Esther Blodget, transformada por essa fábrica em Vicki Lester, superestrela. Seu apogeu coincide com a queda de seu marido, Norman Maine, astro alcoólatra que a encantou e incentivou. Eu só assisti à primeira versão, com Janet Gaynor e Fredrich March. Dizem que a segunda, com Judy Garland e James Mason, é melhor, até pela aproximação com a vida conturbada de Judy.

7- “Depois do Vendaval” (The Quiet Man, 1952): Ex-lutador (John Wayne, fora de um faroeste) volta para sua Irlanda natal após ter matado um adversário. Apaixona-se por uma moça difícil (Maureen O’Hara) e, contra a sua vontade, terá de lutar para casar-se com ela. Conta-se que o nome da moça, Mary Kate Danaher, veio da junção dos nomes das duas mulheres da vida do diretor John Ford: sua esposa Mary e Katharine Hepburn. Injustiça ter perdido o Oscar de Melhor filme para “O Maior Espetáculo da Terra”.


6- “A um Passo da Eternidade” (From Here to Eternity, 1953): A história se passa no Havaí em 1941, em um quartel militar onde um alto funcionário (Burt Lancaster) mantém uma escandalosa relação com a esposa do chefe (Deborah Kerr) e dois jovens soldados arrumam confusões: Montgomery Clift e Frank Sinatra, provando com um Oscar que não era apenas uma grande voz.

5- “A volta ao mundo em 80 dias” (Around the world in 80 days, 1956): Vc realmente viaja em três horas de aventuras e perigos que Phileas Fogg (David Niven) e seu “assistente” Passepartout (Cantinflas) vivem para ganhar uma aposta. Pura magia em todos os lugares pelos quais eles passam. Outro dia, inclusive, achei o livro de Júlio Verne em uma biblioteca. Nessa versão, o nome da personagem de Cantinflas é traduzido como “Chavemestra”. Loucura total.

4- “Julgamento em Nuremberg” (Judgement in Nuremberg, 1961): Alguns nazistas são julgados por um tribunal americano em Nuremberg, apenas 3 anos depois da guerra. Mas eles não são carrascos de campos de concentração, smas sim juízes e ministros que condenaram e promulgaram leis racistas. A atuação de Maximillian Schell, como advogado de defesa, até nos leva a crer na inocência dos acusados, e a bela Marlene Dietrich, que combateu os nazistas, está aqui defendendo-os para o juiz Spencer Tracy. Destaque também para os emocionados Montgomery Clift, Burt Lancaster e Judy Garland.


3- “A Dama de Xangai” (The Lady from Shanghai,1947): Orson Welles é meu favorito. Polivalente, roteirista, diretor e ator, deixou aqui mais um conjunto de pensamentos inesquecíveis (o que é ter vantagem? Quão importante é a essência de cada um? E a história dos tubarões em Fortaleza, então?) e uma sequência de tirar o fôlego na sala dos espelhos. Dirigiu Rita Hayworth com maestria mesmo em franca crise conjugal com a ex-ruiva. Uma curiosidade é que nosso poetinha Vinicius de Moraes estava nos EUA como embaixador e acompanhou as filmagens desta película.

2- “Casablanca” (idem, 1941): Aquele tipo de filme que todos sabem o que vai acontecer no final, mas mesmo assim atrai multidões. Não há outro que deixou tantas frases no imaginário e no vocabulário das pessoas, ou uma música tão memorável tocando tantos corações (aliás, meu sonho é aprender a tocar As Time Goes By no piano). Que importa o aparente coração frio de Rick (Humphrey Bogart) e o final pouco usual? Entrou para a história.

1- “E o vento levou” (Gone with the Wind, 1939): É tudo!!! As 3h42min mais bem gastas, com um filme surpreendente, atuações primorosas, imagens incríveis e a mais humana das personagens: Scarlett O’Hara (Vivien Leigh). Não dá para ser o mesmo depois de assisti-lo. Vc fica pensando, digerindo a trama por horas após o fim. E não é possível chegar à conclusão de que a voluntariosa mocinha mereceu ou não sua sina.

Infelizmente, eu ainda não tive a oportunidade de ver Cidadão Kane, aclamado por duas vezes como o melhor filme de todos os tempos.

Beijos!!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Drummond e o cinema clássico

Olá, amigos!! Sou uma grande apreciadora de literatura: leio muito, de quase tudo, adoro estudar as vidas e as obras dos mais diferentes autores. Um dos meus favoritos é o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Como pessoa sensível e observadora no seu tempo, “o breve século XX”, ele escreveu muito sobre os marcantes acontecimentos da época. Mas não foi só sobre isso que o poeta versou: sendo também um consumidor de arte nos anos 1900, Drummond também falou sobre as estrelas e os filmes clássicos. Como os poemas são vários e um pouco extensos (por favor, não fique desestimulado a ler porque eles são grandes, vale à pena) para colocar em um post, aqui vão alguns links:

Canto ao homem do povo Charles Chaplin:
http://www.lumiarte.com/luardeoutono/drummond1.html



Joan Crawford: In Memorian
(o poema está na página 16 – desculpe por estar num formato tão esquisito, foi muito difícil achá-lo) http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/banco_objetos_crv/4_A_LITERATURA_EM_DIALOGO_COM_OUTRAS_ARTES.pdf



Os 27 filmes de Greta Garbo: http://pracadapoesia.blogspot.com/2011/02/os-27-filmes-de-greta-garbo.html


A Carlito: http://mila-chaplin.blogspot.com/2007/10/carlito-carlos-drummond-de-andrade.html


Outros dois poemas, chamados “O Grande Filme”, sobre Intolerância, de 1916,e “Retrorelâmpago de amor visual”, que cita várias atrizes clássicas que Carlos considera como suas namoradas, são muito pouco conhecidos e, portanto, não consegui encontrá-los. Se tiver um tempo, digito-os para vcs.
Beijos cinematográficos,
Lê ^_^
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