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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cupido não tem Bandeira / One, Two, Three (1961)

Uma divertida análise do capitalismo e crítica ao comunismo em plena Guerra Fria.

James Cagney estrela nesse filme como o chefe da filial da Coca-Cola em Berlim, que tenta levar o refrigerante-símbolo do imperialismo norte-americano para o lado vermelho da cortina de ferro. De olho na promoção para chefe das operações européias, ele aceita hospedar a espevitada filha do chefe. Mas as coisas se complicam quando ela se apaixona por um jovem da Berlim Oriental. Divertido para o público, mas não para Cagney: após o filme, ele se aposentou, fazendo apenas mais uma pequena aparição em “Na Época do Ragtime” (1981). Dizem que durante a produção o veterano ficava furioso com Horst Buchholz, que tentava roubar a atenção para si nas cenas que faziam juntos. Se eu estivesse em uma produção com James Cagney, meu ator favorito, jamais tentaria roubar a atenção. Talvez eu me levantasse toda vez que ele passasse, como fazem aqui seus funcionários!

Muito interessante nesse filme é a referência a outros filmes, algo raro até então.  Cagney solta uma frase proferida por Edward G. Robinson. A esposa dele diz: “O que aconteceu com Scarlett? E o Vento Levou...”.  Schlemmer se veste de mulher para confundir os comunistas, assim como Jack Lemmon em “Quanto mais quente melhor” (1959), dirigido também por Billy Wilder. Atravessando a fronteira, um policial faz uma imitação de ... James Cagney! E Cagney quase usa um “grapefruit” como arma novamente!  (Quem pode esquecer a pobre Mae Clarke tendo a fruta espremida no rosto em “Inimigo Público”, de 1931?).

A zombaria com o comunismo é ponto de partida de diversas piadas. O carro usado em Berlim Oriental está obsoleto quase 30 anos. Há paradas com multidões uniformizadas carregando imagens do líder Kruschev, como em “Ninotchcka” (1939), com a diferença que o líder no filme com Garbo (cujo co-roteirista era, por sinal, Wilder) era Stalin. Um dos camaradas, batendo contra a parede, derruba a foto do líder atual, mostrando a do líder anterior, episódio, aliás, verídico. O jovem pretendente da garota americana é preso por carregar um balão dizendo: “caiam fora, comunistas!” e um relógio cuco que toca “Yankee Doodle Dandy”. A sessão de tortura consiste na fita da versão americana de “Biquíni de Bolinha Amarelinha” tocando incessantemente. E, é claro, numa citação de Karl Marx, é citado também Groucho Marx.

Mais do que isso: zomba-se do nazismo. Os trabalhadores da empresa, educados e doutrinados durante o Terceiro Reich, repetem os obséquios mecanicamente e se levantam com disciplina militar toda vez que o personagem de James Cagney atravessa o escritório.

“Cupido não tem Bandeira”, entretanto, não é um filme para ser apreciado por qualquer um. O único nome de peso, além do diretor Billy Wilder, é James Cagney. Além disso, é um filme datado e conteudista.  Na época, com a construção do Muro de Berlim acontecendo e, principalmente, hoje, o filme perdeu o aspecto de farsa presente, por exemplo, em “Quanto Mais Quente Melhor”. Mas, se visto com os olhos de 1960, de Guerra Fria sem Muro, continua a divertir.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pequenas e Notáveis


Tamanho não é documento? Em Hollywood, nunca foi. Desde cedo, as baixinhas como eu fizeram sucesso. Aliás, era comum nos primeiros filmes que as protagonistas fossem pequenas. Mary Pickford (1,54 m), por exemplo, com sua baixa estatura e seus longos cabelos cacheados, fez papeis infantis até perto dos 30 anos. As primeiras protagonistas altas foram Greta Garbo e Katharine Hepburn (ambas com mais de 1,70). Por isso, esqueçamos os apelidinhos delicados e vejamos uma lista de grandes pequenas atrizes:

OBS.: Consideradas as atrizes com até 1,60 metro. Dados de imdb e Wikipedia.

Nas imagens: Mary Pickford (ao lado), Giulietta Masina (com o marido, Federico Fellini) e Carmen Miranda (reparem nas plataformas para parecer mais alta!).

Janet Gaynor (1,52 m)

Edna Purviance (1,57m)

Judy Garland (1,51 m)

Giulietta Masina (1,57 m)

Rosemary DeCamp (1,59m)

Norma Shearer (1,55m)

Ann Sothern (1,56m)

Helen Hayes (1,52 m)

Carmen Miranda (1,52 m)

Jane Wyman (1,59 m)

Leslie Caron (1,56 m)

Jean Harlow (1,55 m)

June Allison (1,55 m)

Betty Bronson (1,53 m)

Merle Oberon (1,57 m)

Julie Christie (1,57 m)

Natalie Wood (1,54 m)

Linda Blair (1,57 m)

Debra Paget (1,57 m)

Simone Simon (1,57 m)

Shirley Booth (1,58 m)

Ann Blyth (1,57 m) 

sábado, 14 de maio de 2011

A idade não diz nada

Em Hollywood, a data de nascimento em sua carteira de identidade não quer dizer muita coisa. O importante é quantos anos você aparenta ter. Exemplos não faltam de duplas e famílias na tela em que os atores tinham diferenças bizarras de idade. Quer ver?
Em “Rosa da Esperança” (Mrs Miniver, 1942) Greer Garson era apenas onze anos mais velha que seu filho nas telas (Richard Ney). Tanto é que, logo depois que o filme acabou de ser rodado, os dois se casaram.
Em “Intriga Internacional” (North by Northwest, 1959), Cary Grant era apenas sete anos mais novo que sua mãe fictícia, Jessie Royce Landis.
Em “Young Philadelphians”, Paul Newman era quatro anos mais velho que sua mãe.
Em “A Canção da Vitória” (Yankee Doodle Dandy, 1942), a situação era mais extrema: James Cagney era onze anos mais velho que Rosemary DeCamp, a atriz que fazia sua mãe!
Em Hamlet (idem, 1948), Laurence Olivier tinha 41 anos. A atriz que interpretava sua mãe, Eileen Herlie, tinha 28. A ideia de escalar uma atriz tão jovem era de criar um complexo de Édipo em Hamlet e despertar a paixão em Claudius.
Em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat on a Hot Tin Roof, 1958), Burl Ives, que interpretava Big Daddy, era um ano mais velho que Jack Carson, que fazia o primogênito, e 16 anos mais velho que Paul Newman, o caçula.
Em “A Rainha”(The Queen, 2006), Helen Mirren é 11 anos mais nova que Sylvia Syms, sua mãe no filme, e 12 anos mais velha que Alex Jennings, seu filho.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A Rainha / The Queen (2006)

Passados alguns dias da febre Real que tomou conta das notícias, vamos a um dos mais famosos filmes recentes sobre a realeza britânica, que rendeu a Helen Mirren o Oscar de Melhor Atriz. Aqui, Elizabeth II é retratada como a maioria de nós a imaginamos: uma mulher sóbria e séria, sempre seguindo o protocolo real.
God save the Queen: Elizabeth Alexandra Mary (1926) é a atual rainha da Inglaterra. Subiu ao trono há 59 anos, em 1952, após o falecimento de seu pai, o rei George VI (o rei gago do filme O Discurso do Rei). Chegou a servir, antes da coroação, no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial. É a monarca inglesa que mais tempo viveu até hoje e a segunda com o mais longo reinado. Foi também a primeira rainha a enviar um e-mail, em 1976 e, dizem, é fã de produtos de alta tecnologia.
Licença Cinematográfica: Tudo o que é mostrado em “A Rainha” veio de informações e conversas com pessoas próximas à família real na época da morte de Diana. No entanto, a emblemática e simbólica sequência da caça ao veado é fictícia. Segundo o diretor brasileiro Fernando Meirelles, ela não tem simbologia definida: cada telespectador tira sua própria conclusão sobre ela.
Muitos erros já esperados aconteceram, por exemplo, o uso de equipamentos e modelos de carro inexistentes na época. No entanto, há algo curioso sobre os telefones: a maioria deles é muito obsoleta pra a época!
É bom saber: Para dar um ar de contraste, as cenas da família real foram gravadas com câmeras 35mm (próprias e comuns do cinema, mais grandiosas) e as da família de Tony Blair com câmeras 16mm (próprias e comuns da televisão, mais próximas do telespectador).   
Helen Mirren se transformava de tal maneira na Rainha que os componentes da equipe técnica costumavam ficar calados e em posição rígida e respeitosa quando ela estava presente no set.
Embora já tenha se encontrado com Helen Mirren duas vezes, a Rainha Elizabeth nunca assistiu ao filme.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood (1938)

Muitos costumam dizer que a versão original é sempre a melhor. Talvez valha para este caso: o primeiro Robin Hood do cinema sonoro é um filme a cores, quando essa tecnologia ainda surgia, e traz o grande par romântico Olivia de Havilland e Errol Flynn, um dos maiores expoentes nos filmes de capa e espada. 
Com vocês, o biografado: Por trás do mito Robin Hood existe Sir Robin de Locksley, um nobre inglês cujos bens foram destruídos. Reza a lenda que, para reaver sua posição, Robin se juntou a um bando na floresta de Sherwood. Era um fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Pouco se sabe sobre a veracidade dos fatos aqui narrados, mas, se realmente existiu, Robin Hood teria vivido no século XII e, desde então, tornado-se inspiração para contos, romances, quadrinhos e, é claro, filmes.    
Variações sobre um mesmo tema: Por seu caráter heroico, Robin Hood despertou cedo o interesse dos cineastas. A primeira versão é de 1908, seguida por outras duas versões mudas, de 1912 e 1922, esta última com o galã Douglas Fairbanks. Depois da versão de 1938 sobre a qual tratamos, vieram duas em 1952 e uma em desenho animado em 1973, na qual Robin, sugestivamente, era personificado por uma raposa. Tivemos duas versões brasileiras com Renato Aragão, em 1974 e 1990; uma em 1976 que mostrava Robin já na meia-idade; três remakes na década de 1990 e, finalmente, um em 2010, estrelando Russel Crowe.
Além disso, a premissa de “roubar dos ricos para dar aos pobres” foi usada em outras produções, como “Robin Hood de Chicago”, de 1964, uma comédia musical com Frank Sinatra, Bing Crosby, Bob Hope e Sammy Davis Jr.
É bom saber: Esta primeira versão para cinema sonoro foi planejada para ser estrelada por James Cagney, mas antes de o projeto se realizar ele saiu da Warner Brothers.
Errol Flynn teve uma boa atuação, mas considerava o papel de Robin Hood chatíssimo.
O filme custou cerca de 2 milhões do dólares (na época). Foi o filme com o maior número de dublês usados até então e, para ser filmado em cores, utilizou todas as câmeras Technicolor existentes em 1938.

domingo, 1 de maio de 2011

Rainha Cristina / Queen Christina (1933)

Depois que o som chegou ao cinema e sua voz forte foi ouvida, Greta Garbo ganhou apenas papéis de mulheres nobres e sofisticadas. Por isso a escolha de Garbo para viver a determinada rainha sueca foi imediata. E muito certa!
Com vocês, a biografada: Cristina I da Suécia (1626-1689) foi rainha durante 10 anos. Logo após assumir, conseguiu firmar tratados de paz com Dinamarca e Noruega. No entanto, tomou decisões que desagradaram outros membros da corte. Jamais se casou e passou a coroa para seu primo. Após o fim de seu reinado, a Suécia excluiu por mais de 300 anos as mulheres na linha de sucessão ao trono. A própria Cristina acreditava que mulheres não deveriam governar países.  
Licença Cinematográfica: Rainha Cristina abdicou do trono para se converter ao catolicismo (era protestante). Mas, convenhamos: é muito mais bonito para o cinema abdicar para viver um grande amor, não?
Ao contrário do que mostra o filme, a rainha não subiu ao trono ainda criança. Era herdeira legal já aos 9 anos, mas foi aos 16 que foi convidada a participar do governo pela primeira vez, o que ela recusou, esperando até os 18 anos para ser coroada.
É bom saber: Pela última vez Greta Garbo e John Gilbert formaram um par romântico. Mas Gilbert foi a segunda opção: por sugestão de Garbo o estúdio trouxe Laurence Olivier para o papel. No entanto, não rolou química entre os dois. O estúdio pagou Olivier e o mandou, tristonho, de volta à Inglaterra.
A cena de sedução entre Garbo e Gilbert foi cronometrada para que o resultado fosse o melhor possível. E foi: nunca a exótica mistura de masculinidade e magnetismo feminino de Greta Garbo foi tão adequada à personagem e produziu um resultado tão fantástico.
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