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Mais de mim mesma

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sylvia Scarlett e Yentl: meio século de mulheres travestidas

Um grande estratagema cômico, em qualquer época, é a troca de papéis e de figurino entre homens e mulheres. Desde o cinema mudo, temos exemplos de pequenas comédias com personagens, normalmente masculinas, travestidas. De fato o homem se vestir de mulher causa muitas risadas. Prova disso são os divertidos “Quanto mais quente melhor / Some like it hot” (1959) e “Tootsie” (1982).
Mas uma inversão na história causa imenso desconforto. A mulher desempenhando papel masculino incomodava a sociedade que viveu a época de ouro do cinema. Quem não se lembra de Marlene Dietrich, escandalosamente vestindo um smoking e beijando uma mulher em “Marrocos / Morocco” (1931)? Ao mesmo tempo em que chocava, a mulher travestida gerava uma série de situações interessantes a serem exploradas. O visual naturalmente andrógino de algumas atrizes também ajudava na construção de filmes com esse tipo de trama, dando origem a produções notáveis.
Em 1935, o diretor George Cukor reuniu pela primeira vez a dupla Katharine Hepburn e Cary Grant, no simpático filme “Vivendo em dúvida / Sylvia Scarlett”. Katharine é Sylvia, uma garota que, após a morte da mãe, decide se unir ao pai (Edmund Gwenn) para aplicar pequenos golpes. Para isso, ela corta os longos cabelos e se veste de homem, adotando o nome de Sylvester. Durante uma viagem de navio, eles conhecem a personagem de Grant, que também se junta à dupla.
O filme é fotografado em preto-e-branco, mas fica difícil imaginar se os olhos claros e o cabelo ruivo de Hepburn não denunciariam que ela é uma mulher. Outro aspecto que incomoda é a maneira como todos reagem ao descobrir que Sylvester é Sylvia: com risadas, como se não se importassem em terem sido enganados. Neste filme, a construção de screwball comedy ainda é falha, pois partes cômicas se intercalam com momentos dramáticos. Em todo caso, o filme vale pela primeira parceria de Kate e Cary, que mais tarde fariam outros trabalhos fantásticos, e pelas boas surpresas que encontramos no caminho, afinal, não se trata de um desenrolar previsível.
Passados quase cinquenta anos, surgiu outro filme com uma grande estrela vestida de homem: “Yentl” (1983).  Barbra Streisand é uma moça judia vivendo no século XIX que, após perder o pai, decide frequentar uma universidade. O problema é que isso era um privilégio dos homens. Então, Yentl se veste de homem e se vê em um universo 100% masculino, onde conhece seu melhor amigo e confidente, Avigdor (Mandy Patinkin) e, ainda por cima, fica noiva de Hadass (Amy Irving), uma garota rica!
Além de cantar, Barbra também dirige este filme. A história surgiu em um conto e foi para a Broadway em 1975. Apesar de todo o trio principal ter experiência cantando, apenas Streisand solta a voz em uma série de canções memoráveis, embora bastante semelhantes (os compositores disseram que as músicas refletem o Talmude, livro sagrado dos judeus, em que uma lição recapitula as anteriores). De qualquer forma, Barbra convence como um garoto de cabelos loiros e curtos, sempre de boina e óculos. E neste filme, ao contrário do anterior, a revelação do gênero de Yentl é recebida com surpresa e raiva.   
As conquistas das mulheres em diversos campos durante o último século causaram uma reviravolta na sociedade. Mesmo assim, são muitas as situações criativas em que se podem colocar mulheres travestidas sem perder a classe e sem cair no ridículo. Com um pouco de inteligência e bom gosto, podem ser feitos bons filmes explorando este tema, mesmo que o tempo aja para dar a cada um a marca característica de sua época.

11 comentários:

Rubi disse...

Uma personagem inesquecível de Katharine Hepburn; e um dos meus filmes preferidos dela (depois de Uma Aventura na África com Bogart). Também gosto muito de Some Like It Hot! Ótimo post Lê!

Rafa Amaral disse...

Olá amiga blogueira!

Acabo de estrear um site voltado exclusivamente ao cinema. Contém críticas, análises, fotos de bastidores e coisas raras. E, logo, contará também com entrevistas com especialistas. Espero que venha conhecer e retorne sempre. Já conhecia seu espaço aqui e sempre volto, ora ou outra, para lê-lo. E, por falar de mulheres se travestindo, logo estreará por aqui um filme com a Glenn Close no qual ela se passa por um homem.

O site: www.cinemavelho.com

O twitter do site: twitter.com/cinemavelho

Rafael Amaral

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

A Kate está fabulosa travestida... Que charme... E a Dietrich em MARROCOS?
Beijos

Nadine Granad disse...

Uau... adoro clássicos!!!

Não encontrei resenha sobre "12 homens e uma sentença"... Bom, foi toscamente traduzido, rs... Trata-se do filme: "12 ANGRY MEN"...

Beijos =)

Iza disse...

Adoro ver mulheres transvestidas de homens em filmes, como as que você citou e a atriz Cate Blanchett atuando como Bob Dylan em Não Estou Lá. Mas as pessoas ainda tem um pouco de preconceito quando esses papéis aparecem em forma de filmes dramáticos e não filmes de comédia.
Em geral, amei o post, adorei as fotos da Katherine Hepburn.

http://vintageiz.blogspot.com

beijos!

Andrezza Vieira disse...

Vivendo em dúvida parece ser realmente bem divertido. O que me fez pensar isto foi qnd vc fala de a filha cortar os seus cabelos e tal para ajudar seu pai a dar golpes. Vou anotar - prometo - na minha lista de próximos filmes a assistir rs
Comento tb que a sua forma de escrever é bem leve, clara.. isso é muito bom! Gostei da leitura, vou seguir e voltar mais vvezes.
Um abraço, bom final de semana!

O Contador de Odisseias
www.ocontadordeodisseias.blogspot.com

Neve disse...

Nossa, vc escreve como uma pessoa adulta! Confesso que demorou para eu acreditar que vc tem só 18 anos, mas vou lhe conceder o benefício da dúvida, ok? Tenho um amiguinho também de 18 anos, o Gabriel, filho de uma amiga muito querida e linda, ele tb tem blog sobre cinema e é muito culto, surpreendente para a idade.O blog dele é esse:
http://criticamecanica.blogspot.com/

Vcs deviam fazer amizade! rs rs
Beijão

mEu munDinHo LoUcO disse...

Nossa! Meus parabéns pela sua escrita.

Seguindo seu bloguinho.

Beijos, Elaine

Isabela disse...

Acabei de achar esse blog e já estou amando! Sabe, acho que sou parecida com você. Tenho 12 e amo filmes antigos!

Em Sylvia Scarlett (que gostaria de ver), tem uma princesa russa atuando, acho que ela era... Tia das princesas que morreram, ou prima, sei lá. É a Natalie Paley.

Dá uma olhada no blog aí: www.agarotacahill.blogspot.com

Falo mais de livros, apesar de gostar muito de filmes clássicos!

Caroline disse...

Wonderful post, Lê! It was a very good comparison of these two movies with similar themes that are decades apart. Thank you for contributing it to my blogathon!

Margaret Perry disse...

My review of SYLVIA SCARLETT is at:
http://thegreatkh.blogspot.com/2012/06/queer-film-blogathon-2012-sylvia.html

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