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quinta-feira, 21 de junho de 2012

The Gay, the Bad and the Ugly: desvios de sexualidade e de comportamento no cinema dos anos 50

A censura ainda existia e a ameça comunista virava histeria. Neste contexto se desenvolveu o cinema dos anos 1950, em que por várias vezes os homossexuais foram retratados como vilões ou ao menos personagens perturbados. Qualquer desvio do comportamento considerado adequado era sinal de que havia algo mais de errado com aquela pessoa.
Lembremo-nos, por exemplo, de um célebre vilão, daquele que é meu filme favorito de Hitchcock: “Pacto Sinistro / Strangers on a Train” (1951): Bruno Anthony (Robert Walker), que propõe a troca de assassinatos com Guy Haines (Farley Granger). 

Em 1954, o peculiar faroeste “Johnny Guitar” contou com Mercedes McCambridge, usando roupas escuras e um pouco masculinizadas, como antagonista de Joan Crawford. Mercedes é amargurada porque, segundo algumas teorias, teria sentimentos mal-resolvidos por Vienna. Nem preciso dizer que Mercedes é a vilã da história. Outro exemplo de mulher-macho no western é Jane Calamidade, vivida por Doris Day no musical de mesmo nome de 1953.
 Se James Dean atrai todos os olhares durante a projeção de “Juventude Transviada / Rebel without a cause” (1955), é Plato (Sal Mineo) o personagem mais interessante. Sem amigos e vendo Dean ao mesmo temo como uma figura paterna e heroica, fica quase claro que se trata de um homossexual. A grande crítica que faço é o fato de o personagem não ter família, aumentando a crença na ideia absurda de que a homossexualidade pode ter causas como a desestruturação familiar. Como a maioria das personagens de “comportamento reprovável”, o inocente Plato serve de bode expiatório. Mais uma demonstração de inadequação à sociedade por causa da opção sexual pode ser vista no filme “Chá e Simpatia” (1956).  

Outro filme com subtexto gay é “Gata em teto de zinco quente / Cat in a hot tin roof” (1957), haja vista o desespero e desilusão de Brick (Paul Newman) após a morte de um amigo, fato que o leva a exagerar na bebida e tentar pular obstáculos como no passado. O resultado é uma perna quebrada logo na primeira cena do filme. Ele também é um pouco frígido em relação à esposa, Maggie (Elizabeth Taylor), e o fato de eles não terem ainda herdeiros incomoda o pai dele (Burl Ives).
 O ano de 1959 trouxe dois bons exemplos de intolerância: em “De repente, no último verão / Suddenly, Last Summer”, o personagem Sebastian, que nunca aparece, tem uma relação estranha com a sufocadora mãe, Violet (Katharine Hepburn) e acaba muito mal ao expor a sensual prima Catherine (Liz Taylor) em uma praia. Em “Ben-Hur”, há uma sutil história de amor entre o vilão Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston), algo que apenas Boyd sabia, o que influenciou bastante sua atuação. Por causa dessa temática, inclusive, Rock Hudson rejeitou o papel, aconselhado por seu agente. 

A década de 1950 não foi feita só de dramas: os musicais e as comédias também estiveram presentes. Novamente alguns personagens secundários carregavam o estereótipo do “sissy”, interpretado com maestria na década de 1930 por Edward Everett Horton. Eram retratados como cômicos solteirões, amigos do protagonista., como o personagem de Jack Buchanan em “A Roda da Fortuna / The Band Wagon” (1953).

Chegando em 1960, há ainda um resquício da subjetividade ao tratar do tema, perceptível numa das cenas mais discutidas de todos os tempos: o banho de Crassus (Laurence Olivier) por Antoninus (Tony Curtis) e o famoso discurso sobre “gostar de comer ostras e caracóis”. Só este breve momento já mostrava que o assunto continuaria presente nas décadas seguintes...

This is an entry for the Queer Film Blogathon, in its second edition, at Garbo laughs and Pussy Goes Grrr. Stay tuned in the event!
 

25 comentários:

Devaneios disse...

Desses que vocês citou já vi quase todos e os outros quero ver. É triste a intolerância da época, mas podemos dizer que os recursos utilizados pelos realizadores para esconder essas 'críticas' eram bem criativas, como "canibalismo" em De repente, no último verão.

RedApple Pin-ups disse...

Era muito complicado essa intolerância. Muitas coisas eram assim, o que é triste para uma época tão bonita!

Bjos
Amanda Fernandes
www.redapplepinups.com

Hugo disse...

Esta escolha de Hollywood em colocar personagens "fora do padrão de comportamento comum" como vilões era quase uma mensagem subliminar para o público.

Infelizmente tentar rotular e isolar pessoas que não se encaixam em determinado padrão ainda é comum em alguns segmentos.

Até mais

silentbeauties disse...

Adorei o post. Ele mostra bem que os enredos dos filmes de Hollywood nunca foram escolhidos por mero acaso e os pontos em comum de vários deles acabavam servindo para passar alguma mensagem indireta para o público.

Daniele Rodrigues de Moura disse...

Muito bom, Letícia! Adorei o seu texto, cada vez mais bem escrito!!
Um abraço
Dani

garbolaughs disse...

A very good summary of how homosexuality was used in the 1950s to signify deviance, and vice versa! Thank you very much for writing this!

Gilberto Carlos disse...

É, Lê, realmente tudo era tratado muito sutilmente no cinema clássico devido à ferrenha censura e até os atores homossexuais (como Rock Hudson) eram obrigados a recursar papéis de gays. Mas quando eu assisti Jane Calamity tive certeza que a personagem de Doris Day era lésbica e tinha um caso com a secretária da cantora que ia morar com ela em seu rancho, mas depois de um tempo o roteiro muda de rumo...

Rafa Amaral disse...

Infelizmente, hoje os textos de Tennesse Williams tornaram-se pouco usuais. Faz falta esse olhar corrosivo da sociedade. Ótimo post. Abraços. cinemavelho.com

M. disse...

Letícia! Excelente post, em uma época onde hays code imperava, infelizmente era essa a ideia que passava.

Iza disse...

Nossa que época né? Gosto muito da década de 50, mas essa intolerância e preconceito contra homossexuais, meu deus é tão...Eu adorei seu post, flor. Beijos <3

J. BRUNO disse...

Excelente post Lê, o Antonio do Falcão Maltês escreveu um parecido, porém com outra abordagem, nesta semana... Esta foi realmente uma época complicada, pois ainda estava vigente o Código Hays, que determinava o que era ou não moral no cinema, com isso muitos profissionais tiveram sua arte castrada ou foram reprimidos por serem homossexuais. O curioso é que ainda hoje o quadro permanece sem grandes alterações...

Mary disse...

aiii amiga, tema interessante.. a intolerância ainda segue hj em dia, de forma mais velada, mas ainda está aí, imagina nos tempos passado, este era um tema complicado de se tratar em um filme, daí nada melhor do que associá-lo à negatividade.. gostei do post.. beijos mil e ótimo domingo..

Peter Nellhaus disse...

If you ever have the chance to see it, I recommend The Big Combo (Joseph H. Lewis - 1955). At least one scene strongly suggests that the two hitmen, played by Lee Van Cleef and Earl Holliman, are also a gay couple.

Júlio Pereira disse...

Devo ser mesmo muito ingênuo. Alguns aí nem percebi subtrama homossexual, pra falar a verdade. Por exemplo: Ben-Hur e Gata em Teto de Zinco Quente. haha

Tsu disse...

Oi Lê!
Naquela época as pessoas tinham uma concepção bem errônea da situação..ou faziam isso á fim de crerem que assim poderiam minimizar que muitos homossexuais se assumissem publicamente.
Mas Jean Marais e Jean Cocteau antes de muitos já tinham se assumido publicamente.
De fato, Chrono Crusade aborda diversas coisas que á princípio parecem não fazer sentido, mas tudo se encaixa bem, o autor embora nos extras se subestime, é muito bom.
bjs

Iza disse...

Aham eu adoro a Bette Davis. É uma das minhas atrizes prediletas. Beijos <3

Maxwell Soares disse...

Oi, Lê. Excelente texto, esse. Esses detalhes tão bem objetivado por você é, realmente, de grande valia. Parabéns pela qualidade e riqueza de detalhes. Um abraço...

Sam Fragoso disse...

A film blog in Espanol?

Wonderful. Mi espanol es muy mal.

Anyway, welcome to the LAMB!

As Tertulías disse...

Boa postagem!!!!

As Tertulías disse...

Voce deveria também ter citado "Festim diabólico" (Hitchcock), conhece?

Rafaela disse...

Fantástico! Excelente post. Olha quanta coisa que eu deixei passar batido e nem percebia.
Adorei.
Bjus

Rafaelando

Rubi disse...

Lê; é impossível não gostar dos seus textos. Você aborda temas super interessantes (que muitas vezes o pessoal acaba deixando de lado) Ótimas referências!

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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Claudio disse...

Dos anos cinquenta tem também Chá & Simpatia (Tea and Sympathy)de Vincente Minnelli e com Deborah Kerr no elenco como uma esposa descontente com o marido diretor de uma escola preparatória, que percebe seu casamento é uma farsa. Ela percebe isso quando ela simpatiza com um estudante e residente em sua casa, um jovem confuso perseguido pelos colegas que o chamam de sisterboy.

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