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quinta-feira, 28 de março de 2013

Modas de 1934 / Fashions of 1934

A relação do cinema com a moda começou na década de 1920, quando pela primeira vez as moças da plateia se inspiraram nas atrizes para criarem sua forma de vestir. Desde então, foi sempre o cinema que inspirou a moda de diversas maneiras. Ou quase sempre. Numa situação inédita, em 1934, um filme retratou o mundo da moda e, apesar de não estar entre os mais memoráveis filmes da época, ainda impressiona pela modernidade do tema.
Sherwood Nash (William Powell) é um empresário falido que decide entrar no mundo da moda associando-se à estilista Lynn Mason (Bette Davis). As técnicas de Nash não são muito honestas, e incluem copiar modelos franceses ou mesmo velhas roupas que já não são mais usadas. Logo ele fica sabendo que essas práticas são comuns no mundo da moda e muitos dos empresários que o haviam acusado de falsificação acabam virando seus clientes.
Assuntos como falsificação, cópia de modelos e lançamento de tendências com materiais diferentes são assuntos fashion até hoje. Se antes as falsificações eram abomináveis, dependendo do lugar, muitas são aceitáveis por tornarem acessíveis produtos com design semelhante aos que são mostrados na passarela. Outras adaptações semelhantes trazem tendências para as mãos do povo, que dificilmente poderia comprar um original de grife. Claro, isso ainda não era pensado ou discutido na década de 1930, mas a personagem de Bette Davis já tem a semente dessa ideia em seu travesso cérebro.
Um pouco de chantagem também faz parte do show, pois Nash reconhece uma velha amiga de infância que se faz passar por duquesa (Verree Teasdale) e está de casamento marcado com um homem rico. Ameaçando contar o passado da amiga, Nash consegue que ela patrocine o desfile deles.
Uma câmera na bengala: brilhante ideia!
Em Paris, onde se passa a maior parte da ação do filme, um criador de avestruzes incentiva Nash a comprar as penas de suas aves para usá-las nas confecções. Ele hesita, mas logo imagina que pode lançar algo completamente diferente. E você imaginava que inspirações da natureza no mundo da moda são coisa recente?
O próprio lançamento da coleção de Nash e Lynn é um espetáculo à parte, o clímax do filme que, como uma boa produção da Warner em meados da década de 1930, contou com um número elaborado pelo sempre criativo Busby Berkeley, conhecido por suas sequências de dança filmadas do alto, criando formas geométricas na tela em preto e branco nos filmes “Rua 42 / 42th Street” (1933), “Cavadoras de Ouro / Gold diggers of 1933” e “Damas” (1934). Ao som da canção “Spin a little web of dreams”, o desfile apresenta as roupas brancas enfeitadas com penas através de um charmoso balé, com a formação de diversas flores e depois de um barco, todos esses efeitos conseguidos com a bela coreografia das modelos. Bem que os desfiles de moda atuais podiam se inspirar neste filme, não?  
Bette Davis, antes ainda do início de sua glória no cinema, tem pouco espaço no filme, que é quase todo do já veterano William Powell, responsável pelos momentos cômicos. Bette, aliás, ainda nem impõe a própria imagem, uma ez que, no primeiro desfile em Paris, ela aparece como um clone de Greta Garbo para Warner Brothers. No documentário biográfico “Bette Davis: um magnânimo vulcão”, de 1983, ela lembra como foi ridículo vestir-se de Garbo. Disposta a ficar feia para um bom papel, Bette só aceitou essa pitada falsa de glamour para convencer os executivos da Warner a deixarem-na fazer um filme na RKO: “Escravos do desejo / Of human bondage”, que foi seu primeiro passo para figurar entre as grandes intérpretes do cinema.

Não um dos melhores filmes de seus intérpretes, mas um espetáculo adorável, que talvez pecasse pelo excesso se tivesse sido filmado em cores. Mais que isso, um pedaço de história do cinema que estava prestes a acabar: um dos últimos filmes a serem lançados antes do Código Hays de conduta, “Modas de 1934” apresenta trocadilhos, frases de duplo sentido e muitas moças com roupas diminutas.  Os figurinos foram feitos por Orry-Kelly, que, com quase 300 filmes no currículo, incluindo "Casablanca" e "Quanto mais quente melhor / Some like it hot", pelo qual ganhou o Oscar, hoje é pouco lembrado, embora seja parte importante do glamour e da magia de Hollywood.
This is my contribution to the second Fashion in Film blogathon, hosted by Angela at The Hollywood Revue.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Orson Welles na cena do crime

Não são todos que gostam de filmes com crimes bárbaros, mas muitos grandes atores e diretores já se aventuraram por esse gênero, inclusive meu diretor predileto, o garoto prodígio Orson Welles. Quando Orson não está exatamente na cena do crime, pode apostar que ele estará em algum momento perto dos criminosos. Não vou citar os filmes em que ele é a vítima fatal do crime, pois não quero estragar obra nenhuma para quem não a tenha visto. O foco está em dois filmes feitos um após o outro e em que Welles está do lado negro da força.

Um de seus mais elogiados filmes, depois de “Cidadão Kane”, é “A marca da maldade / Touch of Evil”, de 1958. Adaptado para as telas, dirigido e estrelado por Welles, o filme parece, no começo, ser sobre o advogado Miguel ‘Mike’ Vargas (Charlton Heston), que já na primeira cena cruza inocentemente a fronteria dos Estados Unidos com o México no momento em que uma bomba explode. Ele passa a investigar o ocorrido, e para isso Mike terá de disputar a jurisprudência do caso com um ardiloso rival, Hank Quinlan (Welles), que possui uma figura por si só aterrorizante e está disposto a tudo para vencer, inclusive sequestrar e torturar a noiva de Mike (Janet Leigh). Veja bem que o caso em si nem é o foco da ação, apenas a disputa dos dois para ver quem se encarregará de ir aos tribunais. Imaginem agora o que Quinlan não seria capaz de fazer para vencer o caso! 

O personagem de Orson Welles, Jonathan Wilk, só aparece quando mais da metade do filme “Estranha Compulsão / Compulsion” (1959) já foi exibido. Até lá já sabemos que os inteligentes universitários Judd Steiner (Dean Stockwell, o nerd fofo e sinistro) e Arthur Strauss (Bradford Dillman, conversando com ursos de pelúcia) desafiaram as autoridades ultimamente, e o passo mais arriscado foi matar um menino da vizinhança, Paulie Kessler. Os jovens pensam ter cometido o crime perfeito, o santo Graal dos criminosos, mas os óculos de Judd são encontrados na cena do crime. Mais uma série de reviravoltas, tentativas de manipulação e até de estupro, e os dois estão no banco dos réus. O rico pai de Judd contrata Wilk, advogado ateu e polêmico, que, ao invés de defender a insanidade de seus clientes, como todos esperavam, resolve declará-los culpados, para que se livrem da pena de morte.    
No primeiro filme, os lugares mais sujos e mal-frequentados da fronteira são os cenários. Em um bar, Quinlan encontra um velho affair (Marlene Dietrich), que conhece muito bem o ardiloso chefe de polícia. Em contrapartida, os cenários principais do segundo filme retratam a classe alta que não está livre de problemas aterradores. As universidades, bibliotecas, parques e mansões podem muito bem ser frequentados por pessoas perturbadas que planejam crimes hediondos, mesmo que (ou de modo que) ninguém jamais possa desconfiar deles. 
Moral da história: não confie em pessoas obcecadas por pássaros
Welles voltaria a interpretar um homem da lei nem um pouco confiável em “O Processo / The Trial” (1962), em que tem de ajudar o pobre Anthony Perkins a se defender de uma acusação que nem ele nem o público sabe qual é. Mas, quinze anos antes de “O Processo”, Welles se viu literalmente na cena do crime, pois na vida real tornou-se suspeito do crime da Dália Negra, um verdadeiro assassinato de cinema. Dália Negra foi o apelido dado pela imprensa a Elizabeth Short, uma aspirante a atriz de 22 anos que foi assassinada em janeiro de 1947. Seu corpo foi encontrado em estado deplorável, cortado e dilacerado. Welles estava em meio ao caos de seu divórcio com Rita Hayworth e das filmagens de “A dama de Xangai” e muitas evidências foram suficientes para que, em 1999, ele fosse apontado como um dos suspeitos por uma vizinha da família de Elizabeth. Orson não estava filmando no dia do crime, viajou para a Europa pouco depois do ocorrido e lá ficou 10 meses, Elizabeth teria na época um encontro com um diretor de cinema e Welles fez para o filme cortes em manequins idênticos aos que o corpo da moça apresentava. As cenas com os manequins foram deletadas do filme por Harry Cohn e o crime nunca foi solucionado. 

Mesmo se os atos de Charles Foster Kane são reprováveis, se Michael O’Hara e sua dama de Xangai se veem envolvidos no meio de um mundo podre, se Falstaff está em meio à difícil disputa do trono inglês em “Badaladas à meia-noite / Chimes at Midnight” (1965) ou se César Bórgia ordena assassinatos a seu bel-prazer em “O favorito dos Bórgia / Prince of the foxes” (1949); Orson Welles continua uma referência em vários gêneros, não apenas no crime, e se ele tirou da vida real inspiração para a parte mais sangrenta do mundo cinematográfico, jamais saberemos.
This is my entry to the Scenes of the Crime blogathon, hosted by Furious CinemaBang!
Só escolhi este banner porque gosto muito de "Os intocáveis" (1987)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Variações sobre um mesmo tema: Sangue de Pantera (1942 e 1982)

Esqueça a simpática e divertida pantera cor-de-rosa; hoje falaremos sobre os membros assustadores dessa charmosa espécie. Felinos sempre estiveram de uma maneira ou de outra associados com misticismo. No Egito Antigo, por exemplo, eles eram considerados animais sagrados. Na Idade Média, começaram a ser associados com bruxaria, causando o sacrifício de muitos gatos e, em consequência, proliferando a população de ratos que causaram uma epidemia de peste negra (bem feito!). Essa imagem negativa dos gatos ainda persiste em alguns lugares e culturas pouco esclarecidas (desculpe-me, gosto muito de gatos para deixar de atacar quem os considera criaturas demoníacas).
As várias lendas sobre felinos não poderiam ficar de fora do imaginário cinematográfico. Embora existam mais filmes com cachorros ou mesmo cavalos como protagonistas, não há motivos para deixar os gatos fora das telas. A imaginação falou mais alto que a realidade e a pantera se tornou o símbolo de um filme de terror fabuloso da década de 1940, que foi refilmado com mudanças substanciais 40 anos depois.
Em 1942, Irena Dubrovna (Simone Simon) era uma artista sérvia vivendo em Nova York que conhece, em uma visita ao zoológico, o arquiteto Ollie Reed (Kent Smith) e os dois logo se apaixonam e se casam. Quem apoia o casal é a colega de trabalho de Ollie, Alice (Jane Randolph), uma mulher moderna que, na verdade, está apaixonada por Ollie. Irena tem medo que uma emoção muito forte, como o desejo ao consumar o casamento ou o ciúme de Alice, transforme-a em pantera, como diz a velha lenda de seu povoado, que associa os felinos ao paganismo combatido por um rei fictício. Para acabar com os problemas da esposa, Ollie pede ajuda a Alice, que lhe indica o psiquiatria Louis Judd (Ton Conway).

Em 1982, Irena Gallier (Nastassja Kinski, um dos nomes mais difíceis do cinema) vai a New Orleans morar com o irmão Paul (Malcolm MacDowell), que não vê há muitos anos. Ela começa a trabalhar no mesmo zoológico que o irmão e se envolve com o diretor do local. Eles não se casam, mas mantêm relações sexuais, o que desperta a pantera dentro dela. A origem da maldição desta vez tem outra explicação: Irena e Paul vêm de uma família que costumava cruzar mulheres com panteras. Como depois de se tornarem panteras, eles devem matar para voltar ao normal, eles só poderiam transar um com o outro.  
O filme mais antigo é filmado com maestria em preto-e-branco pelo famoso diretor Jacques Torneur. Com a limitação de cores, o destaque fica para os jogos de luz e sombra e destaco especialmente a iluminação no rosto de Irena durante sua sessão de hipnose. Quarenta anos depois, tudo era liberado e, além de muitas cenas fortes com Nastassja nua, o diretor também abusou dos tons de vermelho e laranja. A pantera continua sendo vista apenas após a metamorfose, não sendo mostrada a transformação de Irena. Mesmo assim, em 1982 ela faz muito mais vítimas, incluindo um pacato guarda do zoológico que acaba sem braço. E sem vida.
Com um orçamento minúsculo, a versão de 1942 foi filmada em apenas 18 dias, e quem for observador poderá perceber que alguns dos cenários foram reaproveitados do filme “Soberba / The Magnificent Ambersons”, de Orson Welles. Com maestria, o produtor Val Lewton conseguiu fazer grandes filmes de terror de baixo orçamento e muito suspense. Foi o próprio Lewton, aliás, que teve a ideia para o filme, escrevendo-a em 1930 no conto “The Bagheeta” e baseando-se em seu próprio medo de gatos. O filme ficou muitos meses em cartaz, e gerou a sequência “A maldição do sangue de pantera / The curse of the cat people”, em 1946, novamente com os personagens Ollie e Alice. Tom Conway voltaria no ano seguinte como o doutor Judd em “A sétima vítima”. Como neste filme não há data específica, imagino que a ação tenha acontecido antes da ação de “Sangue de Pantera”, pois (SPOILER) tenho a nítida impressão de que Irena matou doutor Judd. Outro que caiu nas graças de Val Lewton foi o felino Dynamite, que apareceu também em “O homem leopardo” (1943).

Por mais que haja ovelhas no Central Park (o que de fato acontecia até 1934), “Sangue de Pantera” de 1942 mostra-se superior a seu remake, conhecido no Brasil como “A marca da pantera”. O próprio diretor Paul Scrader se arrependeu de dar o nome “Cat People” ao filme, uma vez que vieram muitas comparações negativas. De fato, apenas a famosa cena da piscina é repetida, todo o resto da história muda muito na película de 1982. Como eu normalmente torço pelos vilões, em especial se eles têm forma de animal, preferi o final de 1982, mas, considerando que a história original tem uma sequência que eu ainda preciso ver, há a chance de que o destino de Irena não tenha sido tão nefasto... 
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Entrevista & dicas de livros!

Uma das maiores vantagens de ter um blog é conhecer pessoas que você dificilmente conheceria na vida real. Elas podem ter gostos iguais ou diferentes dos seus, mas sempre terão algo a acrescentar na sua vida. Foi pensando nesse intercâmbio de ideias e experiências que foi criado o grupo Chuva de Ideias, da qual eu faço parte. Uma das ideias que surgiram entre as blogueiras do grupo foi a de fazermos entrevistas entre nós, de modo que todas, além dos leitores de cada blog, possam conhecer melhor as moças por trás de blogs supimpas.
Minha tarefa foi entrevistar a Mariana Camillo, do blog Caixa da Mari, ainda no começo, mas já demonstrando qualidade. Minha entrevista para a Camilla Martins estará em breve no blog Suddenly Here. Ah, e quem ainda não viu minha entrevista para a Revista Innovative pode acessá-la na lateral do blog. Prontos?

1- Como ter um blog mudou sua rotina?  
Mari: Ser blogueiro exige muita dedicação e disciplina. Eu aprendi a separar um tempo para fazer todas as manutenções dele e isso é algo totalmente novo para mim, já que eu nunca tive horário pra nada. Fora que todo dia eu vou no blog, respondo comentários, retribuo, checo a caixa de e-mails.
                                                                                            
2-  De qual assunto você gosta mais de escrever? Esse é o mesmo assunto que gera mais comentários e visitas dos leitores?
Mari: O que eu realmente gosto de fazer é falar de livros e filmes e conhecer pessoas que também têm as suas opiniões sobre eles. Talvez não seja a parte do meu blog que tenha mais visualização, mas isso é bem relativo. Eu posso fazer um post super legal mas, se a divulgação for pouca, poucas pessoas terão acesso a ele.

3- Qual foi a coisa mais bacana (uma curiosidade, por exemplo) que você aprendeu enquanto pesquisava para um post?
Mari: Aprendi muita coisa fazendo as minhas pesquisas, mas acho que a mais recente foi o Suraj Sharma. Ele é faz Pi Patel em As Aventuras de Pi e, assistindo uma entrevista com ele eu descobri que esse foi o seu primeiro papel. Ele nunca atuou ou fez aulas de atuação e eu fiquei muito impressionada porque eu adorei o personagem do jeito que ele fez.

4-Há algum blog ou site que inspira você, não apenas na hora de escrever, mas também no dia-a-dia? 
          Mari: Eu costumo buscar mais inspirações em livros do quem em outros blogs para fazer os meus textos, mas sempre tem uns blogs que me inspiram. Adoro blogs de decoração e culinária e espero um dia fazer posts nesse estilo. Os meus preferidos são Bakerella, Bake at 350 e Apartamento 304.

5- Você dá várias dicas sobre vlogs. Já pensou em fazer um vlog junto ao blog ou mesmo posts em vídeo?
Mari: Sim, já pensei. Mas é um projeto em andamento, já que eu ainda não ganhei a minha câmera e não gosto de usar a do meu computador. Mas eu pretendo fazer isso ainda esse ano.

6-  Quem fez o layout do seu blog? Você teve alguma ajuda, dica ou foi experimentando até ficar do seu agrado?
Mari: Quem fez o layout do meu blog foi a Camila Waz. Ela é muito boa e eu fico super feliz de ter achado ela! Fui falando exatamente como eu queria e ela conseguiu fazer o layout do jeito que eu imaginei. Ficou lindo!

7-     Há algum tema sobre o qual você ainda não escreveu, mas gostaria muito? Qual?
Mari: Sim. Quero fazer o projeto fotográfico "100 strangers". Mas, como eu disse, ainda estou sem câmera então vou ter que esperar um pouco.
8- Seu blog já tem domínio próprio (.com.br). Você pensa em profissionalizar mais, por exemplo, transformando o blog em fonte de renda? 
             Mari: Eu coloquei o .com porque é bem mais fácil de divulgar, sabe? Estou escrevendo no meu blog por prazer no momento. Não tenho dias certos para fazer posts e isso não pode acontecer se eu quiser fazer disso o meu trabalho. Mas um dia, quem sabe né? Gostaria de ganhar dinheiro fazendo o que eu gosto.

9- Eu escrevo um blog sobre filmes antigos. Qual foi o filme mais antigo que você já viu? Pensa em escrever, um dia, sobre filmes clássicos no seu blog, tipo, da década de 1930? (Já fica aqui o desafio!) 
          Mari: Essa é difícil! Já vi alguns filmes antigos, mas acho que o mais antigo de todos é o Drácula de 1931. Não lembro se cheguei a terminar, mas achei muito engraçado. Era tão diferente naquela época, né?

10- Você está fazendo uma série sobre a vida de vestibulando. Já tem planos para a faculdade? Algo relacionado com mídia?
Mari: Tenho planos de fazer Mídias Digitais aqui na minha cidade mesmo. Mas provavelmente eu vou fazer alguns posts falando de opções de cursos, porque tem muita gente por aí que ainda não decidiu o que quer fazer.

Isso não é tudo, pessoal! Novamente eu fui escolhida para o meme de incentivo à leitura, desta vez pelo amigo virtual Gilberto Carlos, do blog Gilberto Cinema. Falar de livros é sempre um prazer para mim, então, vamos lá!
Minha mãe é professora de matemática. Em várias ocasiões ela já me aconselhou a ler alguns livros que têm como pano de fundo o universo dos números, mas nada têm a ver com os problemas, teoremas e conceitos apresentados nas aulas. São realmente livros para leigos, sem exageros e com várias notas de rodapé e explicações que ajudam a compreender melhor as passagens. “Alice no país das maravilhas”, por exemplo, pode não parecer um livro matemático à primeira vista, mas o envolvimento do autor Lewis Carroll com a lógica rendeu muitas ideias numéricas para o mundo de Alice.
As resenhas de “O Teorema do Papagaio” e “Tio Petros e a conjectura de Goldbach”, foram feitas por mim no Tumblr, e basta clicar nos títulos acima para acessá-las. A resenha de “O Homem que Calculava” pode ser lida aqui.
E aí, que tal se aventurar pelo improvável mundo que une livros e matemática?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Live fast, look good: a vida e o legado de John Garfield

John Garfield, uma das maiores estrelas da década de 1940, completaria 100 anos no dia 4 de março. Ele, porém, não viveu nem metade desse tempo: morreu aos 39 anos em 1952. Quase desconhecido das plateias modernas, mas ainda lembrado e elogiado pelos fãs de cinema clássico, Garfield mantém sua presença e seu legado vivos na película.
Nascido Jacob Julius Garfinkle em Nova York, filho de imigrantes russos judeus, o menino perdeu a mãe aos sete anos e passou de casa em casa, acabando por juntar-se a uma gangue, como fazem os meninos Matt e Tom Powers em “Inimigo Público” (1931). Pequeno para sua idade, porém inteligente e habilidoso imitador, Julie, como seus amigos o chamavam, tornou-se o líder da gangue, mas depois de contrair febre escarlate e se envolver em algumas confusões, ele acabou matriculado numa escola para crianças difíceis, onde teve suas primeiras aulas de teatro. Disse que, se não fosse ator, teria se tornado o inimigo número um da América, o que sem dúvida também lhe traria fama.
Antes de sua estreia elogiada, em 1932, Julie se rendeu a seu espírito aventureiro e fez um longo trajeto, vivendo às vezes na miséria, carregando toras de madeira, colhendo frutas ou trabalhando no nordeste do Pacífico. O relato dessas aventuras inspirou o diretor Preston Sturges a criar sua obra-prima “Contrastes Humanos / Sullivan’s Travels” (1941). De volta ao teatro, Garfield recusou propostas de estúdios como a Warner e a Paramount em meados da década de 1930, pois queria ter tempo para dedicar-se aos palcos.
Amigo de grandes nomes do método de interpretação desenvolvido por Stanislavski, como Lee Strasberg, Garfield teve de pedir mutias vezes para entrar em “O grupo”, pequeno grupo de teatro criado por esses atores. Depois de várias negativas, ele foi aceito como aprendiz, e seu sucesso integrou-o à equipe. No entanto, o desencanto ao não ser escolhido para o papel principal da peça “Golden Boy”, escrita especialmente para ele, deixou-o chateado, e o fez dar mais uma chance a Hollywood, para nossa alegria.

Seu primeiro filme, “Four Daughters” (1939), já lhe garantiu a indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Durão, rebelde, de origem simples, Garfield, rebatizado de John por Jack Warner, adicionou aos personagens tão comuns a Cagney ou a Edward G. Robinson uma sensualidade inédita. Magnético, talentoso e decidido, ele lutou contra os estereótipos e os roteiros ruins que garantiam sucesso, mas não desafiavam suas habilidades. Foi um dos pioneiros nessa luta, juntamente com Bette Davis. Com a estrela também esteve nos esforços da Hollywood Canteen, ajudando os soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Também vendeu bônus de guerra e estrelou em diversos filmes feitos para angariar fundos para o conflito e dar esperanças ao país.
Os descendentes diretos de seu estilo de atuação são os conhecidos filhos do Método: Marlon Brando e James Dean, num primeiro momento; Montgomery Clift e Paul Newman, nas ocasiões em que interpretavam personagens rebeldes; Al Pacino e Robert De Niro, nas últimas décadas. O próprio Brando galgou sua carreira em fracassos de Garfield: ficou com o papel do ator na peça “Um bonde chamado desejo”, após um desentendimento deste com a produtora, e também se tornou protagonista de “Sindicato de Ladrões / On the waterfront” com a morte de John Garfield.
Com Lana Tuner em "O destino bate à porta / The postman always rings twice"  (1946)
John concordou em ser coadjuvante com cachê de estrela no filme “A luz é para todos / Gentlemen’s Agreement” (1948), pelo fato de a película tratar do polêmico tema do antissemitismo. Sendo judeu, Garfield sentiu isso na pele e sabia como era importante tocar neste assunto. Seu personagem, também judeu, vislumbra a oportunidade de uma vida melhor quando uma mão amiga lhe é estendida ao final do filme, mas não foi isto que aconteceu na vida do ator. Assim como outra atriz do filme, Anne Revere, responsável por um discurso profético e utópico sobre “o século de todos”, ele foi chamado para depor frente ao Comitê de Assuntos Antiamericanos (HUAC).     
A paranoia comunista pegou John. Pelo simples fato de ter pertencido ao “Grupo” de teatro, uma companhia tão ímpar, ele já era suspeito, e somou-se a isso o fato de sua mulher, Roberta Seidman, ter pertencido ao partido comunista. Um liberal, fã de Roosevelt, John explicou-se, mas se recusou a nomear outros prováveis comunistas na indústria do cinema. Isso acabou com sua carreira. Colocado, retirado e colocado novamente na lista negra, John voltou ao teatro apenas para interpretar o papel que lhe fora negado mais de uma década antes: o de protagonista de “Golden Boy”.
Sofrendo do coração desde jovem, John Garfield sucumbiu em 21 de maio de 1952. Depois de seu episódio com a caça aos comunistas, tentou de todo jeito mostrar seu amor pelo país e revirou montes de documentos que provavam que era um bom cidadão. Bebia muito e dormia pouco, e o stress da situação foi demais para ele. Sua herança de sangue para o cinema foram seus dois fihos que chegaram à idade adulta (a mais velha, Katherine, morreu após uma reação alérgica aos seis anos). David (1943 – 1994) tornou-se ator de teatro e, em seus poucos trabalhos como ator ou mesmo editor no cinema, apereceu creditado como John Garfield Jr ou John David Garfield. Julie Garfield (1946) também se aventurou pelos palcos, e trabalha muito em televisão. Apareceu também no filme “Os bons companheiros / Goodfellas” (1990), como a personagem Mickey.        
Seus filhos não tiveram o mesmo sucesso que ele, mas John Garfield, seu charme e seu talento continuam a ser admirados por milhões de pessoas. Prova disso são os vários sites dedicados à filmografia, à personalidade ou mesmo ao mapa astral do ator, além da blogagem coletiva em homenagem a seu centenário, realizada por Patti em They Don't Make 'Em Like They Used To. 
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