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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Viver sonhando / Texas, Brooklyn and Heaven (1948)

O título da blogathon é “William Castle – Scaring the pants off America”, mas em nada o terror tem a ver com esse filme do começo da carreira do diretor, que então tinha apenas 34 anos. A comédia leve e simpática conta com protagonistas pouco conhecidos, mas é um entretenimento charmoso e muito superior ao que encontramos atualmente.
Eddie Tayloe (Guy Madison) trabalha em um jornal no Texas e não tem muitas perspectivas. Ele fica sabendo que seu avô faleceu e lhe deixou seis mil dólares, o que pode não parecer muito, mas que na época foi suficiente para o personagem sair do emprego e ir para Nova York, atrás de seu sonho de escrever uma peça. Na estrada seu carro enguiça, e quem surge pedindo carona é Perry (Diana Lynn). No início eles se desentendem, mas a moça volta e conserta o carro dele, e ambos seguem para Nova York.
Eddie vai morar em um pequeno hotel para escrever sua peça, enquanto Perry ajuda uma velha ladra dizendo aos policiais que ela é sua mãe. Perry e a falsa mãe vão morarem uma pensão comandada por três irmãs solteiras e ranzinzas, sendo que uma delas é interpretada pela inconfundível Margaret Hamilton, a Bruxa Má do Oeste de “O Mágico de Oz” (1939). 
Viver na Big Apple não fácil para um aspirante a dramaturgo nem mesmo para uma jovem que tem um diploma de secretária conseguido em um curso por correspondência. Perry vai trabalhar em um arque de diversões, onde um espectador passa dos limites, despertando o ciúme de Eddie. E é através de Eddie, ou melhor, do narrador da história, o proprietário de um bar, que Perry consegue um novo emprego.   
Assim que a peça de Eddie é rejeitada, o dono do bar o leva para uma inusitada academia, pertencente ao excêntrico Gaboolian (Michael Chekhov). No local, pessoas estressadas, como um ex-capitão e um farmacêutico, podem experimentar realidades alternativas ou a volta a um ambiente agradável como forma de esquecer os problemas. Assim o farmacêutico se torna por alguns minutos um explorador andando de camelo pelo deserto, o ex-capitão volta a navegar e Eddie acaba com as saudades do Texas andando em um cavalo mecânico. Um lugar maluco, mas para onde eu adoraria ir quando me faltasse inspiração.
Além da já citada Margaret Hamilton, o elenco de coadjuvantes inclui o simpático Lionel Stander, mais conhecido como o mordomo Max da série “Casal 20 / Hart to Hart”, e Florence Bates como a hilária velha ladra. O charmoso Guy Madison, nesse que é apenas seu terceiro filme, faz um protagonista cheio de boas intenções. Pouco lembrado, o ator praticamente se especializou em interpretar militares. Já Diana Lynn, que em sua primeira cena à noite parece que inspirou suas sobrancelhas nas de Carmen Miranda, foi uma criança prodígio que estreou no cinema aos 13 anos, quando já era pianista. Participou de “Papai por Acaso / The Miracle of Morgan’s Creek” (1944), mas seus papéis quando adulta foram piorando. Trabalhou numa agência de viagens em Nova York e se preparava para voltar ao cinema quando sofreu um derrame fatal aos 45 anos, em 1972.
William Castle estava em seu 15º filme. Sua produção incluiu vários filmes de terror de baixo orçamento, mas não por isso ruins. Ele muitas vezes imitava Hitchcock, fazendo aparições em seus filmes. Sua maior contribuição para o cinema foi comprar os direitos do livro de Ira Levin “O bebê de Rosemary”. No entanto, a Paramount exigiu que William não dirigisse o filme. Assim, Roman Polanski entrou como diretor e Castle permaneceu como produtor, mas apareceu brevemente na tela fora da cabine telefônica em que Mia Farrow se desespera.
Este homem curioso que trabalhou com Orson Welles no rádio e foi co-produtor de “A dama de Xangai” (1947) ficou mais conhecido por seus filmes de terror, mas tem em “Texas, Brooklyn and Heaven” uma simpática amostra de sua versatilidade.


‘Texas, Brooklyn and Heaven” está disponível no YouTube e no InternetArchive.

This is my contribution for the William Castle Blogathon, hosted by The Last DriveIn and Goregirl’s Dungeon.   

domingo, 21 de julho de 2013

A força do coração / This is my affair (1937)

Não há nada tão bonito e fofo quanto ver duas pessoas se apaixonando, não é? Nos cinemas, essa situação capaz de colocar um sorriso no rosto de qualquer espectador pode ser conferida com Bogie e Bacall em “Uma aventura na Martinica / To have and have not” (1944), com Spence e Kate em “A mulher do dia / Woman of the Year” (1942), com Liz Taylor e Richard Burton em “Cleópatra" (1963)…
Em “A força do coração / This is my affair”, vemos o começo de um relacionamento que duraria mais de uma década: o de Barbara Stanwyck e Robert Taylor. Ela, divorciada, com um filho adotivo, quatro anos mais velha e bem mais talentosa que ele. Ela faria naquele mesmo ano um filme que lhe rendeu a primeira de suas quatro indicações ao Oscar, “Stella Dallas”, ele havia feito no ano anterior o par romântico de Greta Garbo em “A dama das camélias / Camille”. 
Começo do século XX. O tenente Richard Perry (Taylor) é chamado pessoalmente pelo então presidente dos Estados Unidos, William McKinley (Frank Conroy), para investigar uma série de roubos a banco que estão acontecendo no interior. Dispensado da Marinha e assumindo a falsa identidade de Joe Patrick, ele vai para St. Louis. Sua primeira parada é em um bar onde canta a bela Lil Duryea (Stanwyck). Nem tudo é perfeito o bar, pois alguns dos frequentadores são o irmão de Lil, Batiste (Brian Donlevy), e o desagradável Jock (Victor McLaglen), que adora fazer brincadeiras e truques com cartas. Em pouco tempo Richard não está envolvido apenas com Lil, mas também com toda a organização criminosa. 
O filme vale à pena pelas belas roupas de começo de século usadas por Lil e pelos interessantes fatos verídicos que vemos se desenrolando na tela. Os aficionados por história ficarão com um sorriso no rosto quando aparecer o presidente Theodore Roosevelt. Barbara nunca foi cantora, mas mesmo assim não precisou de dublagem para seus números musicais. Ela estava tão nervosa durante as gravações destes que não permitiu que Robert ficasse no set de filmagens enquanto ela gravava. Victor McLaglen, ganhador do Oscar de Melhor Ator dois anos antes por “O Delator / The Informer” (1935), está muito bem em suas relativamente poucas cenas, repugnante como pede o personagem.
O filme pertence mais a Robert do que a Barbara. Ele é o homem de ação, o espião infiltrado, ela é o interesse amoroso. Mas atenção: a personagem de Barbara se torna muito importante para o desfecho. Nem é preciso falar que o final é feliz, pois o título brasileiro já dá essa ideia. “A força do coração”, aliás, também é o título no Brasil de “Lassie come home”, de 1943, com uma jovem Elizabeth Taylor, Roddy MacDowall e, claro, Lassie. Outros títulos para este filme de 1937 são “Living Dangerously”, “Private Enemy”, “The McKinley Case” e “The Turn of the Century”. Entretanto, o original é o melhor, já que é também uma fala de Robert no filme.
O marketing para o lançamento do filme foi feito todo em cima da relação de Stanwyck e Taylor. No livreto de 22 páginas que foi feito pelo estúdio, um erro curioso demonstra o jeito de pensar dos responsáveis pela propaganda: aparece no meio do livreto uma nota do editor pedindo que não fosse usada a expressão “casal da vida real” (“real-life sweethearts), o que, obviamente, não foi cumprido.
Esse foi o segundo filme do casal, que havia feito em 1936 “A Mulher do meu Irmão / His brother’s wife”, durante o qual se apaixonaram. Já vivendo juntos, eles se casaram em 1939 por insistência de Louis B. Mayer, uma vez que Stanwyck estava insegura sobre um segundo casamento. Seu primeiro marido, Frank Fay, não conseguiu repetir em Hollywood o sucesso que tinha na Broadway e por isso muitas vezes brigou com a esposa, inclusive durante o divórcio e a decisão pela custódia do filho. Em 1937 surgiram os rumores de que a história de “Nasce uma Estrela / A star is born” foi inspirada em Stanwyck e Fay. O único filme que vi com Frank Fay foi “O segredo das viúvas / The love nest” (1951) e é impressionante como ele está velho, se o compararmos com Barbara na mesma época.
É fácil ver quem estava mais apaixonado
As muitas fotos do casal, nos mais diversos locais, mostram muita felicidade. Eles faziam quase tudo juntos, inclusive deixar marcas no cimento do Grauman’s Chinese Theater. Obviamente existem muitos rumores sobre affairs fora do casamento, em especial por parte de Robert, mas não entrarei em detalhes porque quem acompanha o blog sabe que eu abomino este tipo de coisa. Basta dizer que a relação de Stanwyck com Taylor foi feliz enquanto durou, e eles deixaram três filmes para provar esta química: além dos dois já citados, contracenaram também em “Quando descem as sombras / The Night Walker”, filmado em 1964, mais de uma década após o fim do casamento.
Após o divórcio, em 1951, Robert se casou com Ursula Thiess em 1954 e teve dois filhos. Barbara nunca mais se casou, mas, segundo Robert Wagner, ela teve um affair com ele durante as filmagens de “Titanic” (1953). Stanwyck ficou devastada com a morte de Bob em 1969, vítima de câncer de pulmão, e outro choque veio em 1983, quando a casa da estrela pegou fogo e todas as cartas de amor trocadas por eles foram queimadas.
As condições gerais de um casamento que começou após a publicação de um artigo que nomeava os casais de Hollywood “que viviam em pecado longe do matrimônio” não estão aqui para ser discutidas. Stanwyck e Taylor nos deixaram belas fotos e a prova maior de seu amor: atuações como as de “A força do coração”, com muita química e charme.

“This is my Affair” está disponível no YouTube.

Thsi is my contribution to the Barbara Stanwyck blogathon, hosted by Aubyn at The Girl with the White Parasol.  



P.S.: Não deixem para a última hora! Curtam e compartilhem a imagem na lateral do blog para me ajudar em um concurso literário! Conto com vocês!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dupla Dinâmica: Sydney Pollack e Robert Redford

Algumas parcerias entre ator e diretor são mais famosas que os próprios filmes que delas surgiram. É quase impossível não citá-los juntos: Lillian Gish e D. W. Griffith, Leonardo Di Caprio e Martin Scorsese, Toshiro Mifune e Akira Kurosawa. Outras parcerias não alcançam o mesmo brilho, mas também criam excelentes filmes. O post de hoje é sobre um desses casos.
Sydney Irwin Pollack (1934 – 2008) foi ator, produtor e diretor. Quando criança, ele queria ser médico, mas os palcos o chamaram aos 17 anos. Ex-membro do Actor’s Studio, ele começou a atuar na televisão e teve como conselheiro ninguém mais ninguém menos que Burt Lancaster, que o incentivou a começar a dirigir películas.
Charles Robert Redford Jr. (1936) tem como destaque, além da carreira no cinema, seu trabalho junto à preservação do meio-ambiente e à difusão dos filmes independentes. Expulso da faculdade e interessado em pintura, ele também começou a atuar na televisão e atingiu o status de galã em meados da década de 1960. 
Redford ainda era um novato quando fez sua primeira colaboração com Pollack. O ano era 1962, o filme era “Obsessão de Matar / War Hunt” e ambos estreavam no cinema como atores. O assunto era a Guerra da Coreia, e o filme recebeu boas críticas.
O próximo encontro foi na adaptação de uma peça de Tennessee Williams para o cinema, e dessa vez Sydney estava por trás das câmeras. “Esta mulher é proibida / This property is condemned” estreou em 1966, traz uma das melhores atuações de Natalie Wood e também a recém-chegada Mary Badham (a Scout de “O sol é para todos / To kill a mockingbird”). Natalie é Alva, a moça mais cobiçada de uma pequena cidade à beira da ferrovia onde Owen (Redford) vai trabalhar. Os dois se apaixonam, mas a mãe de Alva quer que ela se case com um homem bem mais velho (Charles Bronson).
Saindo de seu sucesso western “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969) e colhendo frutos por sua boa atuação, Redford voltou a trabalhar com Pollack em “Mais forte que a vingança / Jeremiah Johnson” (1972). Com um papel que foi recusado por Clint Eastwood, Redford é um veterano da guerra contra o México que não quer nada além de viver tranquilamente no Oeste, o que, podemos imaginar, não será fácil de conseguir.
E quem disse que Redford não é romântico? Ele foi o protagonista de “Nosso amor de ontem / The way we were” (1973), talvez mais conhecido pela música-título, cantada por Barbra Streisand, que também atua. A história de amor entre opostos floresce em um reencontro de colegas da faculdade. Enquanto ela é ativista, ele deseja ser escritor e finalmente consegue trabalho em Hollywood, mas na pior época possível para seu relacionamento: durante o MacCarthismo.
Se Redford passou por tantos gêneros, por que não se aventurar no suspense com toques de espionagem? A Guerra Fria caminhava quando foi feito “Três dias do Condor / Three days of the Condor” (1975), com um elenco de estrelas que incluía Max von Sydow, Faye Dunaway e Cliff Robertson. Mesmo assim, a trama é atípica, pois é sobre um agente da CIA que descobre que não pode confiar em ninguém dentro da organização.
Outra parceira constante de Redford, Jane Fonda, participou com ele de “O cavaleiro elétrico / The electric horseman” (1979). Jane é a repórter Hallie, que faz de tudo para conseguir uma boa história enquanto cobre um rodeio do qual participa o cowboy aposentado Sonny (Redford). Ao perceber que um cavalo do desfile foi dopado, ele foge com o animal e Hallie o segue. Além da história comovente e pertinente, o filme vale por Jane andando de salto alto no deserto e pelas roupas cheias de luzes de Robert.
A obra mais famosa de Pollack também traz Redford como galã. Com ares de épico, “Entre dois amores / Out of Africa” (1985) foi inspirado em uma história real contada nos diários de Karen Blixen, interpretada no filme por Meryl Streep. Karen é uma dinamarquesa que se casa com o barão Bron Finecke (Klaus Maria Brandauer) e vai morar na Africa. Seu único objetivo é fazer prosperar as plantações de tabaco do marido, que realmente não se importa muito com elas. Nessa terra estranha ela conhece o aventureiro Dennis (Redford) e os dois começam um affair.
A colaboração final veio em 1990 com “Havana”, sobre um jogador que vai à capital cubana em 1958 e se envolve com pessoas que mais tarde fariam a revolução socialista no país.
Pollack ganhou o Oscar de Melhor Diretor em 1986. Ironicamente, isso foi depois que Redford conseguiu seu próprio Oscar na mesma categoria em seu filme de estreia como diretor, “Gente como a gente / Ordinary People”, em 1982. Quando o diretor faleceu, no final de 2008, Redford deu uma entrevista à revista TIME sobre sua amizade com Pollack. A Sydney seria concedida uma última honra: a de ser indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme como produtor de “O Leitor / The Reader”, sua última produção. Mas talvez sejam as palavras de Robert a melhor das homenagens.

This is my contribution for the Sydney Pollack Blogathon, hosted by Seetimar - Diary of a Movie Lover.

sábado, 13 de julho de 2013

Dupla Dinâmica: Wyatt Earp e Doc Holliday

Dynamic Duo: Wyatt Earp and Doc Holliday

No Velho Oeste, não se pode confiar em ninguém, só na sua sombra e em seu cavalo, e nem sempre o cavalo é confiável. Mas muito antes de John Wayne me ensinar esta valiosa lição de vida, uma dupla de carne e osso ficou famosa com um episódio de um tiroteio no O.K. Corral. Wyatt Earp e Doc Holliday foram as provas vivas de que os opostos se atraem.

In the Old West, you could trust no one, only your shadow and a horse, and you couldn't always trust the horse. But before John Wayne taught me this precious lesson, a real duo became famous with an episode involving a gunfight in the O.K. Corral. Wyatt Earp and Doc Holliday were the living proof that opposites attract.
Wyatt e Doc
Wyatt Berry Stapp Earp (1848 – 1929) foi xerife, garimpeiro e apostador. Um ponto importante de sua vida foi a morte de sua primeira esposa no parto, em 1870, que o levou de volta ao oeste, trabalhando como caçador de búfalos e "motorista" de diligências. Em Tombstone, cidade do tiroteio, viviam seus quatro irmãos, também geralmente representados nas telas. Lá seu irmão Virgil era xerife, e foi daí que surgiu a rivalidade que acabou no tiroteio: os foras-da-lei Billy Claiborne, Ike e Billy Clanton, Tom e Frank McLaury enfrentaram Wyatt, Doc, Virgil e Morgan Earp após um mês de brigas. Embora os relatos da época sejam confusos (dois jornais dão duas versões diferentes), Wyatt disse que foi uma questão de auto-defesa, uma vez que eles estavam em menor número.

Wyatt Berry Stapp Earp (1848-1929) was a sheriff, mining worker and gambler. An important point in his life was the death of his first wife during childbirth, in 1870, something that sent him back to the west, where he worked as a buffalo hunter and stagecoach conductor. Tombstone, the scenario of the gunfight, was the home of his four brothers, often portrayed on the screen as well. There his brother Virgil was the marshall, and he was the starter of the rivalry that ended in the gunfight: the outlaws Billy Clairbone, Ike and Billy Clanton, Tom and Frank McLaury faced Wyatt, Doc, Virgil and Morgan Earp after a month of animosity. Although the sources of the time are not precise (two newspapers give two different versions), Wyatt declared that it was a matter of self-defense, because he and his brothers were in numeric disadvantage.

John Henry Holliday (1851 – 1887) foi um dentista (daí o apelido Doc), apostador e também um homem muito habilidoso com as armas. Apesar de sua precocidade (formou-se aos 20 anos, portanto era considerado menor de idade e não poderia pegar o diploma), a carreira brilhante que se anunciava para Doc foi cortada pela tuberculose, mal que matou sua mãe quando o menino tinha 15 anos. Segundo os médicos, ele tinha poucos meses de vida, então seu plano foi mudar-se para o Texas, onde o clima era mais agradável. Logo ele percebeu que jogos davam muito mais dinheiro que a profissão de dentista. Devido à tuberculose e sua morte apenas seis anos após o famoso tiroteio, em várias versões Doc morre durante o tiroteio, dando mais teor dramático à cena.

John Henry Holliday (1851-1887) was a dentist (hence the nickname Doc), gambler and also very good with guns. Although he was precocious (he graduated at 20, so was considered underage and couldn't receive his degree), the brilliant career he had on the horizon was cut short by tuberculosis, the same disease who left him motherless at 15. According to the doctors, he had few months to live, so he decided to move to Texas, where the climate was more pleasant. Soon he realized that gambling was more rewarding than being a dentist. Because of tuberculosis and his death six years after the shooting, in several versions Doc dies in the gunfight, adding more drama to the occasion.
A bizarrice foi extrema na primeira adaptação do episódio do O.K. Corral para as telas, em 1934, porque a viúva de Wyatt, Josephine, conseguiu que os estúdios não usassem o nome do marido, e assim o protagonista foi rebatizado como Michael Wyatt e vivido por George O’Brien.

The first adaptation of the O.K. Corral episode to the screen was extremely bizarre because, in 1934, Wyatt's widow, Josephine, forbade the studios to use the name of her husband, so the main character was renamed as Michael Wyatt and played by George O'Brien.

Um dos grandes nomes do western (e também um homem grande, 1,89 m), Randolph Scott interpretou Wyatt em 1939, no filme “A lei da fronteira”, com Cesar Romero como Doc. Extremamente fantasioso, neste filme Holliday morre antes do famoso tiroteio, que acontece em 1880, e Earp se vinga da morte do amigo.

One of the biggest names of the western genre (and also a big man, standing 6'2''), Randolph Scott played Wyatt in 1939 in the film “Frontier Marshall”, with Cesar Romero playing Doc. This film takes a lot of liberties, ofr instance: Holliday dies before the famous shooting, that happens in 1880, and Earp decides to avenge his friend. 
Mais um pouco de fantasia foi adicionada à história quando Doc (sem Wyatt), Pat Garrett e Billy The Kid disputam a atenção de Jane Russell em "O Proscrito" (1943). Doc é interpretado por Walter Huston e a trama até se mostra verossímil, pois Wyatt era casado e Doc, um conhecido mulherengo.

Some more fantasy was added to the story when Doc (without Wyatt), Pat Garrett and Billy the Kid fight for Jane Russell's attention in 'The Outlaw” (1943). Doc is played by Walter Huston and the story is even credible, because Wyatt was married and Doc, a famous womanizer.
Sem dúvida a representação mais conhecida da dupla foi feita em “Paixão dos Fortes” (1946), de John Ford. Henry Fonda é Earp e Victor Mature, Holliday. Fonda inclusive se apresenta de maneira triunfal, dizendo: "Earp. Wyatt Earp". Ainda com um pouco de fantasia (e Doc sem seu bigode), o filme conta com um pouco do humor característico de John Ford e a estonteante Linda Darnell como a infeliz Chihuahua.

Without a doubt the most famous representation of the duo was made in “My darling Clementine” (1946), directed by John Ford. Henry Fonda plays Earp and Victor Mature, Holliday. Fond even introduces himself in a triunphal way, saying: “Earp. Wyatt Earp”. Still with some liberties (and Doc without his mustache), the film has a bit of Ford's characteristic humor and the gorgeous Linda Darnell as the ill-fated Chihuahua. 
Sucesso também alcançou “Sem lei, sem alma” (1957), com Burt Lancaster como Earp e Kirk Douglas como Holliday. O filme foca mais na amizade dos dois, com destaque para Doc, sempre divertido, e o tiroteio é o clímax do filme. No entanto, mais uma vez um personagem secundário surge para confundir: Johnny Ringo (John Ireland), um cowboy associado aos inimigos de Earp, morre no tiroteio, mas ele sequer estava presente. Sob o nome Jimmy Ringo, ele virou personagem em "O Matador" (1950), sendo interpretado por Gregory Peck.  

Another success was “Gunfight at the O.K. Corral” (1957), with Burt Lancaster playing Earp and Kirk Douglas as Holliday. The movie focuses on their friendship, with a lot of screen time for Doc, always funny, and the gunfight is the climax. However, once more a secondary character is here to make a confusion: Johnny Ringo (John Ireland), a cowboy who befriends Earp's enemis, dies in the shooting, but he wasn't even there in real life. Under the name Jimmy Ringo, he became a character in “The Gunfighter” (1950), and was played by Gregory Peck.
Nem sempre Doc e Earp eram os protagonistas do filme. Como lendas do oeste, eles apareceram em alguns filmes brevemente. Um exemplo disso é "Crepúsculo de uma raça " (1964), em que Wyatt Earp é interpretado por James Stewart e Doc Holliday por Arthur Kennedy. Ambos eram mais velhos que os personagens que interpretavam, e o diretor John Ford só decidiu inserir a cena cômica com essas duas lendas para não ter um intervalo na projeção. Ainda em um filme de James Stewart, "Winchester '73" (1950), Wyatt Earp surge brevemente interpretado por Will Geer.

Doc and Earp weren't always the main characters in the film. As legends of the Old West, they appeared briefly in some movies. One example is “Cheyenne Autumn” (1964), in which Wyatt Earp is played by James Stewart and Doc Holliday by Arthur Kennedy. Both were older than the characters they were playing and director John Ford only decided to add the comic scene with the two legends in order to avoid an intermission in the film. In another James Stewart picture, “Winchester '73” (1950), Wyatt Earp appears briefly and is playing by Will Geer.
Mais de uma vez Tombstone serviu de título para um filme sobre a dupla. Em 1942, com o subtítulo "the town too young to die" ("O Homem do Perigo" no Brasil), o filme trouxe Richard Dix como Wyatt e Kent Taylor como Doc, contando ainda com o bônus de ter Rex Bell, marido de Clara Bow, então já afastada do cinema, interpretando Virgil Earp. E, em 1993, Val Kilmer e Kurt Russell, respectivamente como Doc e Earp, filmaram no Arizona uma versão mais sangrenta da história. Outro grande nome do western moderno, Kevin Costner, encarnou Wyatt no ano seguinte em "Wyatt Earp", com Dennis Quaid como Doc.

More than once Tombstone was the title of a movie about the duo. In 1942, with the complementary title “the town too young to die”, the film had Richard Dix as Wyatt and Kent Taylor as Doc, and also Rex Bell, Clara Bow's husband (Clara had already been far from Hollywood fro a decade), playing Virgil Earp. And, in 1993, Val Kilmer an Kurt Russell, respectively as Doc and Earp, shot in Arizona a bloodier version of the story. Another big name of the modern wester, Kevin Costner, gave life to Wyatt the following year in “Wyatt Earp”, with Dennis Quaid as Doc.

Claro que Wyatt e Doc também apareceram separados. Em 1955, Joel McCrea foi Wyatt em "Choque de Ódio", que acompanha a vida do xerife antes de Tombstone, quando ele estava no Kansas.

Obviously, Wyatt and Doc also appeared by themselves in movies. In 1955, Joel McCrea was Wyatt in “Wichita”, a film that tells the marshall's trajetory before Tombstone, when he lived in Kansas.
Wyatt romântico
Ambos também foram transpostos para a televisão. "The Life and Legend of Wyatt Earp", série que durou cinco anos, contou com Hugh O'Brien como Wyatt e Douglas Fowley como Doc. Eles também apareceram brevemente em séries sobre Bat Masterson, sobre os tempos do western de modo geral e, pasmem, até na Ilha da Fantasia. Até em Doctor Who o tiroteio já foi retratado, em um episódio de 1966.

Both were also portrayed on television. “The Life and Legend of Wyatt Earp”, a series that had five seasons, had Hugh O'Brien as Wyatt and Douglas Fowley as Doc. They also appeared briefly in series about Bat Masterson, about the Old West times and, surprise, even in The Fantasy Island. Even in Doctor Who the gunfight was portrayed, in a 1966 episode.
Mesmo se não ficasse famoso a ponto de virar personagem, Doc Holliday já teria uma ligação com o cinema: uma de suas primas distantes é Margaret Mitchell, autora do livro “E o vento levou...”. Já Wyatt Earp foi mais longe, e presenciou o nascimento do cinema, inclusive tornando-se amigo de caubóis das telas como William S. Hart e Tom Mix. Nessa temporada em Hollywood, Earp conheceu John Ford e John Wayne e contou a eles um pouco de suas aventuras. Foi a partir desses relatos que Wayne modelou sua persona cinematográfica de cowboy.

Even  if he didn't become famous enough to have his story told in the movies, he would already have a connection with the film world: one of his distant cousins is Margaret Mitchell, the author of the book “Gone with the Wind”. Wyatt Earp lived longer, saw the birth of cinema, and even became friends with screen cowboys such as William S. Hart and Tom Mix. When he visited Hollywood, Earp met John Ford and John Wayne and told them some of his adventures. It was based on these stories that Wayne created his cowboy film persona.
Wyatt Earp, 1923
Todos esses filmes mostram como o cinema gosta de exagerar, uma vez que o tiroteio real durou apenas 30 segundos. Mas, como James Stewart disse em outro western, "O homem que matou o fascínora / The man who shot Liberty Valance", em nada relacionado com Doc e Earp, mas resume perfeitamente a maneira como eles são retratados:

"When the legend becomes fact, print the legend"

All these movies show how films like to exaggerate, because the real shooting lasted only 30 seconds. But, as James Stewart said in another western, “The ma who shot Liberty Valance”, that has nothing to do eith Doc and Earp, but sums perfectly the way they are portraied:

“When the legend becomes fact, print the legend”



This is my contribution to the Dynamic Duos blogathon, hosted by Annmarie at ClassicMovie Hub and Aurora at Once Upon a Screen. A must-read event.


sábado, 6 de julho de 2013

Gatos não sabem dançar / Cats don’t dance (1997)

Hollywood, final dos anos 1930. Milhares de sonhadores iam para a cidade que mais entretenimento produzia no mundo. Entre eles, homens, mulheres, jovens, crianças com seus pais ávidos pelo sucesso e... gatos. Por mais que seja difícil lembrar um filme clássico com um gato, eles certamente habitavam Hollywood e poderiam até mesmo circular pelos estúdios como mascotes de estrelas. Entretanto, como tudo é possível no mundo da animação, que conhecia seus primeiros longa-metragens na época, não custa nada imaginar que um gato sonhe em ser astro de Hollywood.
Assim como muitas pessoas, o gato Danny saiu de uma cidade do interior para conseguir um emprego em Hollywood. Seguindo um curioso plano, ele prevê consguir um papel de protagonista em uma semana. Para isso, ele precisa passar por agentes de animais artistas e seu primeiro e maior obstáculo tem a forma de uma aparentemente doce atriz infantil, Darla Dimple. Seguindo o estereótipo da estrela infantil mimada, Darla é baseada na atriz mirim mais famosa da história, Shirley Temple, mesmo sendo certo que Shirley não er uma garota mimada e insuportável. O mordomo de Darla, o gigantesco Max, também foi inspirado por uma figura do cinema: o mordomo Max von Mayerling (Erich von Stroheim) de “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” (1951).
Além de encontrar alguns grandes atores da época logo em sua chegada, Danny tem em seus companheiros animais paródias de astros do cinema. T. W. é uma tartaruga macho medrosa cujo sonho era fazer filmes como os de Errol Flynn, e o peixe fêmea Frances me lembrou de Marlene Dietrich. E mesmo a gata Sawyer, nem um pouco interessada no estrelato, tem o mesmo nome da aspirante a estrela protagonista interpretada por Ruby Keeller em “Rua 42 / 42nd Street” (1932). Posso até estar exagerando e criando conexões que nunca foram imaginadas pela equipe de animação, mas fico muito feliz com estes tipos de referências.
Clark Gable foi convidado para a festa

E o esquilo estava usando os sapatinhos de rubi de Dorothy
O mundo não é perfeito, e “Gatos não sabem dançar" também não. Por mais que seja uma obra de ficção e seja até inevitável mencionar alguns filmes mais conhecidos, há alguns anacronismos. Embora a história se passe em 1938, Danny chega em Hollywood e já faz pose ao lado de um poster de “E o vento levou / Gone with the wind”. Sawyer e Danny entram no estúdio Mammoth (cujo chefe é L. B. Mammoth) e encontram King Kong carregando um avião e um prédio. King Kong foi filmado em 1933 pela RKO.
King Kong e seu material de trabalho

L. B. Mammoth
L. B. Mayer
Este filme foi o responsável por meu primeiro contato com o cinema clássico, á uns cinco anos, quando eu não entendia nenhuma das referências feitas. Revi-o tempos depois, por ter gravado na memória o fato de o filme ser dedicado a seu coreógrafo, Gene Kelly. Além de Gene, outros dois talentos do cinema antigo trabalharam no filme dublando personagens: Hal Hobrook dubla o bode Cranston e Betty Lou Gerson, o peixe fêmea Frances. Este também foi o último trabalho de Betty Lou, que estava há mais de 30 anos sem trabalhar. Para completar, Natalie Cole, filha de Nat Kig Cole, dubla as canções de Sawyer.
Com boas cançõe, típicas de filme de animação, esta foi a única produção do departamento de animação da Turner Feature Animation, que mais tarde foi incorporada à Warner. Apesar de toda a alegria, este filme mostra com maestria que fazer sucesso em Hollywood não é fácil... nem para os gatos.

Para mais imagens do filme, acessem meu Tumblr ou este painel do Pinterest. 

"Gatos não sabem dançar / Cats don't dance" pode ser visto no YouTube (português ou inglês)

This is my contribution to the What price Hollywood blogathon, hosted by Kristen at Journeys in Classic Film and Pat at 100 years of Movies.
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