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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Garbo, Gilbert & MGM: um triângulo amoroso

Quando ela chegou à América, ele JÁ era um astro do cinema. Quando ele morreu, ela AINDA era uma estrela das telas. Os caminhos de John Gilbert e Greta Garbo se cruzaram nos primeiros tempos do maior estúdio de Hollywood. Garbo e Gilbert estavam lá para presenciar a MGM engatinhar e chegar ao topo. Eles também chegaram ao topo, como o casal mais famoso do mundo, isso logo depois de Douglas Fairbanks e Mary Pickford.
John Cecil Pringle nasceu no estado de Utah em 1897. De família simples, ele começou no cinema como extra, às vezes creditado como Jack Gilbert, mas sem muita empolgação. Trabalhou com o diretor Maurice Tourneur tanto atuando como escrevendo roteiros. Foi então que ele decidiu se tornar diretor. Sua beleza atrapalhou o caminho e a carreira de John como galã explodiu. Ele dirigiria apenas “Love’s Penalty” (1921) e algumas cenas de “Love” (1927), já com Garbo.
                                  
Gilbert foi contratado pela MGM no ano em que o estúdio começou suas atividades. Seu primeiro grande sucesso foi “Lágrimas de Palhaço / He Who gets slapped” (1924), com Norma Shearer e Lon Chaney. A coroação viria no ano seguinte, com “A viúva alegre / The merry widow” e, em especial, “O grande desfile / The Big Parade”, que rendeu 15 milhões de dólares nas bilheterias.
Greta Lovisa Gustafsson nasceu em 1905 em Estocolmo, Suécia. Também de origem humilde, foi vendedora e apareceu em pequenos filmes de propaganda antes de começar para valer na carreira de atriz. Acumulou elogios em filmes suecos e também na Alemanha, onde fez apenas “Rua das Lágrimas / Die freudlose gasse” (1925). Mas foi “A saga de Gösta Berling”, de 1924, que chamou a atenção de Louis B. Mayer, e ele contratou Garbo e o diretor Mauritz Stiller para seu novo estúdio. Seu terceiro filme na MGM seria “A carne e o diabo / Flesh and the Devil”, e por pouco ele nunca foi feito: Garbo queria voltar para a Europa após a morte prematura de sua irmã. O advogado da estrela a convenceu a continuar na América.

O dia era 17 de agosto de 1926. Garbo e Gilbert se apaixonam. Amor à primeira vista. Algumas versões dizem que Gilbert só conheceu a companheira na hora de rodar a primeira cena, em que a personagem de Garbo, Felicitas, desce de uma carruagem. A expressão de encantamento no rosto de Gilbert, imortalizada em película, seria verdadeira. Outra versão diz que Garbo esnobou Gilbert (Gilbert: “Hello, Greta!” Garbo: “It’s Miss Garbo!”) quando foram apresentados, mas depois não resistiu aos encantos do ator. Talvez haja um pouco de verdade em ambas as histórias. Mas o que importa é que há uma rara explosão de paixão em “The Flesh and the Devil”.

Naquela época Gilbert chamava Garbo de “Flicka” (“svensk flicka” = garota sueca) e Garbo chamava Gilbert de “Yacky” (= Jack). O próximo filme deles seria “Love” (“Garbo and Gilbert in Love”, entendeu?), uma adaptação de Anna Karenina. A este de seguiu “A woman of affairs” (1928) e vários pedidos de casamento. Talvez não vários, mas pelo menos dois. Quando ela aceitou, foi preparado um casamento duplo em 8 de setembro de 1927, que contava também com os noivos King Vidor e Eleanor Boardman, mas Garbo não apareceu. Louis B. Mayer comentou: “Por que se casar com a garota se você pode dormir com ela e esquecer o que aconteceu?” (Mayer usou o verbo pejorativo “screw”). Gilbert, frustrado e furioso, atacou Mayer. Era o começo do fim.

O cinema sonoro havia chegado. Como transportar os astros da tela muda para essa nova realidade? Gilbert o fez em 1929, e se engana quem diz que a voz dele era horrorosa: dono do uma voz perfeitamente normal, ele foi sabotado por Mayer. Pouco a pouco foram diminuindo as ofertas de trabalho, e os papéis eram cada vez piores. A frustração era combatida com álcool, o que piorava a situação de Gilbert. Garbo, por sua vez, teve sua estreia com som adiada até 1930, e ficou para sempre estereotipada como a mulher inatingível, graças a seu sotaque peculiar.

Garbo e Gilbert fizeram mais um filme juntos, “Rainha Cristina / Queen Christina” (1933), e foi Greta que insistiu que John fosse contratado para o papel. Antes disso, Gilbert havia sido considerado para dois papéis em filmes sonoros de Garbo: o de protagonista em “Susan Lenox” (1931), que ficou com Clark Gable, e o do barão Von Geigern em “Grande Hotel” (1932), interpretado depois por John Barrymore, mas cuja primeira opção era Buster Keaton. Depois de Garbo, Gilbert se casou mais duas vezes. Em 1936, John Gilbert faleceu de ataque cardíaco.

O estrelato de Gilbert durou cinco anos. O de Garbo, 16. Se não fosse a MGM, eles talvez jamais tivessem se conhecido. Com Gilbert, Garbo perdia sua timidez e se sentia, pela primeira vez, acolhida na América. Faltam-me palavras para falar sobre este casal que, apesar de não ser perfeito, viveu intensamente, à maneira deles, a vida e o relacionamento.

This is my contribution for the MGM Blogathon, hosted by the Metzinger sisters, Constance and Diana, at Silver Scenes, in honor of the studio’s 90 years. Hooray!


domingo, 22 de junho de 2014

Irma la Douce (1963)

Amado por quase todos os fãs de cinema que têm bom gosto, Billy Wilder foi um diretor de grandes obras e grandes parcerias. Minha parceria favorita é a de Wilder com Jack Lemmon, que rendeu comédias inesquecíveis. Talvez “Irma la Douce” seja a mais esquecida desses filmes inesquecíveis, mas não porque seja um filme ruim. Pelo contrário: apesar de sua duração um pouco exagerada, a risada corre solta no cais de Paris.


Nestor Patou (Jack Lemmon) é um policial francês que acaba de ser transferido para o cais. Este homem cumpridor da lei acha que o trabalho vai ser fácil, mas ele não sabia que ali funciona um ponto de prostituição. Depois de mandar todas as moças do local para a cadeia, ele perde o emprego, mas se apaixona por uma das “trabalhadoras” do cais: Irma (Shirley MacLaine). Logo Irma e Nestor moram juntos e ele se torna, sem querer, o chefe dos cafetões ao derrotar o ex-namorado de Irma, o nanico Hyppolite (Bruce Yarnell). Mas Nestor não quer que Irma continue trabalhando como prostituta e, com a ajuda do dono do bar Chez Moustache (Lou Jacobi), ele inventa um provedor rico para Irma, o Lorde X.

Já reparou como praticamente todos os filmes de Billy Wilder têm uma festa maluca? Não há melhor lugar para se fazer uma festa no cais de Paris que no Chez Moustache. Os frequentadores são geralmente os cafetões e suas garotas, entre elas Lolita, que usa óculos em formato de coração exatamente como os de Sue Lyon no filme de 1962.


Wilder mostrou que há vários modos de se prostituir com “Se meu apartamento falasse / The Apartment” (1960) e aqui lida com o tema espinhoso da prostituição de uma maneira leve. Shirley MacLaine já havia interpretado uma prostituta em “Sweet Charity” (1957), embora o filme tenha transformado a “mulher da vida” em dançarina. Irma, La Douce (= the sweet) entra para a galeria de adoráveis prostitutas do cinema, que conta também com a Cabíria de Giulietta Masina, a Satine de Nicole Kidman e até a Holly Golightly de Audrey Hepburn. São mulheres que estão no “negócio” por acaso (a própria Irma diz que seguiu os passos da mãe) e sonham em mudar de vida. A chance de Irma aparece quando surge em sua vida o Lorde X, que lhe enche de dinheiro apenas para conversar e jogar cartas.

Shirley MacLaine pode estar adorável com suas roupas verdes, seu charme irresistível e seu penteado exagerado, mas quem brilha é Jack Lemmon. De fato, Jack tem alguns de seus mais memoráveis personagens em filmes de Billy Wilder, a começar pela impagável Daphne de “Quanto mais quente melhor / Some like it hot” (1959), passando pelo simpático C. C. Baxter de “The Apartment” (1960), e indo até “Uma loura por um milhão / The fortune cookie” (1966) e “Avanti!” (1972). É uma pena que Lemmon não ficou com o papel principal de “Beija-me, idiota / Kiss me, stupid!” (1964), filme em que trabalha a esposa de Lemmon, Felicia Farr. Aliás, Lemmon e Felicia se casaram na França durante as filmagens de “Irma la Douce”. Wilder foi o padrinho do casamento.
 
Jack e Felicia
Se foi fácil encontrar o ator perfeito para Nestor, o mesmo não aconteceu com o resto do elenco. Wilder queria, apesar de problemas do passado, contratar Marilyn Monroe para interpretar Irma, isso logo em 1960. Marilyn acabou descobrindo que o diretor a criticou durante as filmagens de “Quanto mais quente melhor” e assim abandonou o projeto. Quando “Irma la Douce” estreou, Marilyn já estava morta. Outro que morreu antes de conseguir o papel foi Charles Lughton, escolhido para ser Moustache. Laughton, que havia sido indicado ao Oscar por outro filme de Wilder “Testemunah de Acusação / Witness for the Prosecution” (1957), faleceu em dezembro de 1962, antes do início das filmagens.

No início, Jack Lemmon foi aconselhado a não aceitar o papel de Nestor, porque ele poderia manchar sua imagem. Mas Lemmon recebeu esse mesmo conselho antes de interpretar Jerry, o músico que se veste de Daphne na divertida comédia de 1959, e foi com esse papel cross-dressing que ele conseguiu sua primeira indicação ao Oscar na categoria Melhor Ator (Jack havia ganhado o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em 1957 por “Mister Roberts”). Já Shirley MacLaine, que aceitou o papel sem ler o roteiro, detestou o resultado. Mas ninguém concordou com ela, e Shirley foi indicada ao Oscar.


“Irma la Douce” foi inspirado em um musical francês que foi também adaptado para a Broadway. Para criar o clima a la française, todos os vidros usados no filme foram importados da França e centenas de objetos franceses foram replicados em Hollywood. Algumas cenas externas foram gravadas na França, inclusive a cena em que Lemmon, como Lorde X, sai do Rio Sena. Mais tarde, recordando-se das inúmeras vacinas que teve de tomar antes de entrar no rio sujo, Lemmon diria que esta tinha sido a cena mais nojenta de sua carreira.


As palavras são muitas para descrever como o clima do filme é adorável. Atrevo-me a dizer que nunca houve nada tão parisiense na tela do cinema americano, o que inclui um cachorrinho bêbado (não tente fazer isso em casa!). “Irma la Douce” foi o filme mais rentável da carreira de Billy Wilder, e só isso já seria motivo suficiente para vê-lo. Em novos tempos, com menos restrições e censuras, não havia dúvidas de que seria o bom e velho Billy o responsável por uma ousadia tão bem-sucedida.


This is my contribution to the Billy Wilder Blogathon, hosted by Aurora at Once Upon a Screen and Kellee at Outspoken & Freckled. But that’s another story!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O fabuloso Dr. Dolittle / Doctor Dolittle (1967)

Considerado um dos piores (se não o pior) indicados ao Oscar de Melhor Filme, “Doutor Dolittle” também representou o ponto mais baixo da carreira do grande Rex Harrison. Mas, querendo ou não, eu adoro este filme. É meu “guilty pleasure”. E nem posso dizer que o que sinto é uma nostalgia de quem viu um filme na infância e não liga para a qualidade real da obra, porque eu só fui ver as infames aventuras do médico que fala com os animais quando eu tinha 20 anos.
                       
John Dolittle (Rex Harrison) é um veterinário que fala com os animais. Seu maior objetivo no momento é encontrar o misterioso caracol rosa gigante (“Great Pink Sea Snail”). Já dá para imaginar como o filme vai ser bizarro. Junto com ele vão Emma Fairfax (Samantha Eggar), Matthew Mugg (Anthony Newley) e o garotinho Tommy Stubbins (William Dix). Antes de partir, ele conta a seus novos amigos que foi com a ajuda do papagaio Polinésia que ele, um médico comum, aprendeu a se comunicar com os animais.
"Great Pink Sea Snail"

Embora estar cercado de animais possa parecer um sonho para muitos (e certamente é um prazer para o doutor Dolittle), o que aconteceu nas gravações foi um pequeno inferno na Arca de Noé. Rex Harrison foi ferido diversas vezes pelos animais e serviu de vaso sanitário para as ovelhas urinarem. Esquilos comeram parte do cenário, um esquilo desmaiou depois de tomar gim e uma cabra comeu o roteiro. Polinésia, o papagaio, aprendeu a dizer “corta” e atrapalhou a gravação de um número musical, fazendo com que Harrison dissesse, bem-humorado: “é a primeira vez que eu sou dirigido por um papagaio!”.

Quebra-cabeça do filme
E por que “Doutor Dolittle” foi um fracasso? Talvez por sua duração exagerada (152 minutos)? Ora, “Mary Poppins” (1964) tem 144 minutos e tudo mundo ama Mary Poppins! Seriam os animais (em especial o caracol rosa que não é rosa)? Não, todas as crianças adoram animais, e o dito caracol ajudou o filme a ganhar o Oscar de Melhores Efeitos Especiais (a lhama de duas cabeças “Pushmi-Pullyu” já é outra história). Hum, talvez a história inverossímil e cheia de reviravoltas em circos, tribunais e hospícios? Talvez, talvez...

Mesmo o fato de Dolittle ser um homem que gosta mais de animais do que de pessoas (nas próprias palavras do médico) já foi apontado como uma das causas do fracasso do filme. Em um ano dominado por “No calor da noite / In the heat of the night”, que ganhou 5 Oscars, foi surpreendente ver “Doutor Dolittle” com nove indicações e dois prêmios – um deles, o de Melhor Canção Original pela adorável “Talk to the animals”. Truman Capote, enfurecido pelo filme “A Sangue Frio”, baseado em seu livro, não ter sido indicado ao Oscar, disse na ocasião: “Anything allowing a Dolittle to happen is so rooked up it doesn’t mean anything!”.

Talvez a maior crítica feita ao filme seja o fato de Rex Harrison não saber cantar. Talvez a escolha de um cantor profissional para o papel protagonista tivesse sido mais interessante. Eu, pessoalmente, adoraria ver Frank Sinatra ou Bing Crosby como Doutor Dolittle! (Pense bem: Sinatra seria a escolha mais FASCINANTE possível para o papel!).

Quem quer um boneco do Rex Harrison?
Mas a polêmica é maior: Rex Harrison aceitou o papel porque trabalharia novamente com o letrista Alan Jay Lerner, de “My Fair Lady”, peça que rendeu um Tony e um Oscar a Rex (e não é uma estranha coincidência que o nome da protagonista de “My Fair Lady” seja Eliza Doolittle?). Mas Lerner foi demitido na fase de pré-produção e, devido às suas reclamações, Rex perdeu o emprego pouco depois. Mas, ao saber que Christopher Plummer poderia ser seu substituto, o bom e velho Rex Harrison foi pedir o papel de volta. Mesmo assim, Plummer recebeu os 300 mil dólares do contrato. Outras opções para o papel principal eram Alec Guinness, Jack Lemmon, Peter Sellers e Peter Ustinov (eu escolheria Jack Lemmon).

Logo após o sucesso estrondoso de “A Noviça Rebelde / The Sound of Music” (1965), a Fox decidiu investir em musicais grandiosos. Foram três tentativas, e todas fracassaram. “Doutor Dolittle” foi a aposta de 1967, enquanto em 1968 a grande produção era “A Estrela / Star!”, com Julie Andrews, e em 1969 foi a vez de “Hello, Dolly!”, estrelando Barbra Streisand e com direção de Gene Kelly.
DENTRO do "Great Pink Sea Snail"!

O personagem doutor Dolittle foi inventado por Hugh Lofting nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, de onde ele escrevia cartas esperançosas para os filhos. As histórias foram publicadas em 1920, com sucesso instantâneo, e serviram de base para um desenho animado alemão de 1928 e uma série de rádio na década de 1930. A personagem Emma não existia nos livros e foi criada exclusivamente para adicionar romance ao filme. E que romance: ela é cobiçada ao mesmo tempo por Dolittle e Matthew!

Mas vamos analisar com calma: “Doutor Dolittle” é um belo filme, não apenas visualmente. As músicas são adoráveis, embora não memoráveis, e Rex Harrison dá ao médico ares de gentleman poliglota. O modo como os nativos africanos são retratados, como homens inteligentes, vai na contramão dos costumes da época e também dos livros de Hugh Lofting. E pensar que o papel do rei William Shakespeare X (Geoffrey Holder) tinha sido oferecido para Sidney Poitier!

Esqueça o que foi dito sobre “Doutor Dolittle”. Veja o filme. Se este post de defesa de um filme tão adorável não foi capaz de convencer você de que vale à pena vê-lo, talvez estes adoráveis créditos iniciais o convençam:

This is my contribution to the “1967 in Film” Blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings and Rosie at The Rosebud Cinema.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Interlúdio / Notorious (1946)

O mestre do suspense. Dois dos melhores e mais charmosos atores da época: uma pérola sueca e um diamante inglês. Um beijo provocante e quente. Um coadjuvante brilhante. A cidade maravilhosa. Essa combinação só poderia resultar em uma obra-prima.

The Master of Suspense. Two of the Best and most charming performers from the time: a Swedish pearl and an English diamond. A provocative hot kiss. A brilliant supporting player. The Marvelus City. This mix could only generate a masterpiece.
Alicia Huberman (Ingrid Bergman) sofreu um duro golpe familiar: seu pai foi considerado traidor do país e condenado à prisão. Depois de ser convencida de que seu desprezo pelo pai traidor é uma prova de amor à América, Alicia aceita a proposta de T. R. Devlin (Cary Grant) e se torna uma caçadora de nazistas no Rio de Janeiro. A missão parece ser levada longe demais quando Alicia se casa com Alexander Sebastian (Claude Rains), prova viva de que por trás de um grande vilão há sempre uma mãe insuportável (Madame Konstantin).

Alicia Huberman (Ingrid Bergman) suffered a hard familiar disappointment: her father was considered a traitor to his country and arrested. After being convinced that despising her father is a way to prove she loves America, Alicia accepts and offer from T.R Devlin (Cary Grant) and becomes a Nazi hunter in Rio de Janeiro. Her mission goes too far when she married Alexander Sebastian (Claude Rains), the living proof that behind a great villain there is always a horrible mother (Madame Konstantin).
Alicia e Devlin continuam se encontrando. Ela está apaixonada, apesar do casamento com Alexander, mas Devlin esconde seus sentimentos. Juntos em uma festa na luxuosa mansão Sebastian, eles vão revistar a adega em uma das cenas mais angustiantes do filme. Logo antes de Alicia e Devlin descerem à adega, temos o famoso travelling em que Hitchcock começa do topo das escadas e termina focalizando a chave na mão de Alicia. Após as filmagens, Grant ficou com a chave e, anos depois, deu-a para Ingrid Bergman, desejando que o objeto lhe servisse de amuleto.

Alicia and Devlin still meet. She is in love with him, no matter if she is married to Alexander, but Devlin hides his feelings. Together in a party in the sumptuous Sebastian house, they visit the wine cellar in one of the most suspenseful scenes in the movie. Right before Alicia ands Devlin go to the wine cellar, we have the famous travelling starting in the top of the staris and ending in a close-up of the key in Alicia’s hand. When shooting wrapped, Grant got the key and years later gave it to Bergman, wishing it could work as a good luck charm for her.
Embora o projeto do filme tenha sido iniciado por David O. Selznick, no meio do caminho ele vendeu todo o pacote para a RKO (o diretor / produtor estava tendo problemas com “Duelo ao Sol”) e lá se foi, feliz da vida, Hitchcock filmar com liberdade, livre dos memorandos contínuos do patrão Selznick.

Although David O. Selznick started the film project, he ended up selling the whole package to RKO – because of his problems in the making of Duel in the Sun – and there Hitchcock went, happy for the first time in the US: he could finally have creative freedom over his films, and wouldn’t have to be ruled by Selznick’s memoranduns.  

E essa liberdade ficou óbvia na cena mais ousada do filme, quiçá da década: o demorado beijo entre Cary Grant e Ingrid Bergman no apartamento de frente para o mar. Se na época do Código Hays a duração máxima de um beijo era de três segundos, Hitchcock contornou a regra ao juntar vários beijos de três segundos, entrecortados por uma conversa simples e caseira, em uma cena de três minutos de pura luxúria tropical.

And this creative freedom is better seen at the most daring scene of the film – and maybe even of the decade: the long, long kiss between Cary Grant and Ingrid Bergman in the apartment. Under the Hays Code, the maximum duration of screen kiss was three seconds, and Hitchcock worked wisely in order to not break the rule: he put together several three-second kisses, cut by an irrelevant conversation, in a scene of pure tropical luxury. 
O elenco do filme é primoroso. Mesmo assim, algumas brigas ocorreram até que todos fossem escalados. Hitchcock queria Grant para o papel de Devlin. Selznick queria Joseph Cotten. Hitchcock queria Clifton Webb para interpretar Alexander. A opção de Selznick sempre foi Claude Rains. Hitchcock e Selznick tentaram contratar Ethel Barrymore para o papel da Madame Anna Sebastian. Com o fracasso veio a indicação da atriz alemã Leopoldine Konstantin, que teve em “Interlúdio” seu único trabalho em Hollywood. Mas que grande trabalho foi esse! 

The cast is just fabulous. But there were still troubles in assembling them. Hitchcock wanted Grant for the role of Devlin. Selznick wanted Joseph Cotton. Hitchcock wanted Clifton Webb to play Alexander. Selznick always insisted on casting Claude Rains. Both Hitchcock and Selznick tried to hire Ethel Barrymore to play Madame Anna Sebastian. With the negative they were introduced to German actress Leopoldine Konstantin, who only made “Notorious” in Hollywood. But what an impression she left!
Embora a maioria dos filmes sobre espionagem seja protagonizada por homens, “Interlúdio” mostra a bravura das mulheres em tempos de guerra. De fato, a maioria das espiãs agiu em meio à guerra (alô, alô Mata Hari), e muitas não sobreviveram para contar suas várias histórias. Essas moças corajosas muitas vezes usavam como principal arma a sedução, o que acontece também aqui com Alicia. E ela também corre o risco de ser eliminada. Mas, no caso de Alicia, ela não deve temer um pelotão de fuzilamento, mas sim sua própria xícara de chá envenenado!

Even though most spy films have male leads, “Notorious” shows how brave women are in war. Indeed, most female spies worked during wars (cof, cof, Mata Hari), and so many of them didn’t survive to tell their missions. These bold women often used seduction as their main weapon, and Alicia does it, too. And she is also risking to be killed. But, in Alicia’s case, she must not fear a firing squad, but a cup of poisoned tea! 
Não podemos nos esquecer de que a maior parte da ação se passa no Brasil! O erro de geografia foi pequeno, pois muitos nazistas de fato vieram para a América do Sul, mas o destino deles foi majoritariamente a Argentina. Mesmo assim, há um fato sinistro envolvendo nazistas: Josef Mengele passou os últimos anos da vida no Brasil, morrendo afogado em uma praia de Bertioga. Aliás, associar nazistas com o Brasil foi um ato também do novelista Ira Levin, autor de “Os meninos do Brasil”

We can’t forget that most of the action happens in Brazil! The geographical mistake was no so big, because many Nazis came to Latin America, but most of them went to the neighboring country of Argentina. But there is still a chilling fact connecting Brazil and the Nazis: Josef Mengele spent the last years of his life in Brazil, and his cause of death was drowning in a beach in Bertioga. By the way, another person who associated Nazis with Brazil was novelist Ira Levin, the author of “The Boys from Brazil”.

O sempre talentoso roteirista Ben Hecht mais uma vez trabalhou com Hitchcock em uma história tão explosiva quanto o urânio que aparece em um possível plano de Alexander Sebastian e seus camaradas nazistas criarem uma bomba atômica. Depois de lidar com o tema do urânio no filme, Hitchcock ficou alguns meses sendo vigiado pelo FBI. Mas o que realmente é explosivo é o elenco. O nanico Claude Rains mostra seu talento gigante. E só uma coisa pode ser dita sobre Grant e Bergman: que pena que não fizeram mais filmes juntos!

Bem Hecht, always a talented screenwriter, once more worked with Hitchcock to develop a story as explosive as the uranium we find in a plan Alexander Sebastian and his fellow Nazis have to create an atomic bomb. After dealing with uranium in the film, Hitchcock was followed by FBI for months. But the most flammable thing here is the cast. Short man Claude Rains shows his gigantic talent. And only one thing can be said about Grant and Bergman: too bad they only worked together in two films!

This is my contribution to the Snoopathon, a classic detective blogathon hosted by Fritzi at Movies, Silently.  
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