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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Atire a Primeira Pedra / Destry Rides Again (1939)

Arrisco-me dizendo que 1939 foi o ano mais importante para o século XX. Em 1939 começou a Segunda Guerra Mundial, conflito que marcaria a história da humanidade. Em 1939 a Guerra Civil Espanhola terminou. Em 1939 Batman fez sua primeira aparição nos quadrinhos. E em 1939 os westerns ressuscitaram – e não somente eles, também alguns dos “venenos de bilheteria”, as personas non gratas de Hollywood. Marlene Dietrich foi uma delas.
Em “Atire a Primeira Pedra / Destry Rides Again”, temos todos os elementos que povoam um gênero cinematográfico e o imaginário sobre o Velho Oeste. Saloon? Temos. Muita bebida? Temos. Xerifes? Temos. Jogos de pôquer? Temos. Bêbados e músicos malucos? Temos. Tiroteio? Temos. Pegue seu chapéu e não se esqueça das esporas: o western está mais vivo do que nunca.
Após o xerife Keogh (Joe King) ser assassinado a mando do inescrupuloso Kent (Brian Donlevy), dono do saloon, o prefeito aponta Washington Dimsdale (Charles Winninger), um músico bêbado, como novo xerife. Mas Washington é mais esperto do que parece e, para moralizar a cidade, chama Tom Destry Jr. (James Stewart), filho do homem que “limpou Tombstone”.
Mas Destry não parece nem um pouco perigoso: alto, sorridente, cavalheiro, tem como hobby fazer pequenas esculturas de madeira e, para completar, não carrega consigo uma arma. Por isso ele se torna motivo de escárnio para a dançarina Frenchy (Marlene Dietrich). Conseguirá Destry, sem usar violência, provar que o xerife Keogh foi assassinado e colocar os criminosos na cadeia?
São responsáveis pelo humor do filme Mischa Auer, como o ciumento vagabundo Boris, e Charles Winninger, excelente ator que em 1953 protagonizaria o belo e esquecido filme de John Ford “O Sol Brilha na Imensidão / The Sun Shines Bright”.
Em 1939, a carreira de James Stewart se consolidava. É neste ano que ele interpreta seu melhor e mais visceral papel (porém não o mais famoso) em “A Mulher faz o Homem / Mr Smith Goes to Washington”. Stewart só ficou com o papel de Destry porque Gary Cooper pediu um salário alto demais e foi dispensado pela produção. Com Marlene Dietrich, ele protagoniza uma das melhores brigas de saloon de todos os tempos (deixando para trás John Wayne e Randolph Scott em “Indomável / The Spoilers”, de 1942).
Em 1938, um infeliz proprietário de cinema chamado Harry Brandt escreveu um artigo listando os “venenos de bilheteria”, atores e atrizes que recebiam altos salários em seus estúdios, mas cujos filmes não eram sucesso de bilheteria. Na lista negra estavam Dietrich, Katharine Hepburn, Joan Crawford, Mae West, Greta Garbo, Kay Francis e Fred Astaire. O artigo teve grande impacto no meio cinematográfico, e 1938 foi um ano de vacas magras e poucas oportunidades para os artistas citados.
Quase todos os venenos de bilheteria deram a volta por cima. Em 1939, Garbo fez “Ninotchka” e Crawford fez “As Mulheres / The Women”. Em 1940, Hepburn voltou triunfante com “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” e Mae West se juntou a W.C. Fields para “Minha Dengosa / My Little Chickadee”. Fred Astaire voltou a dançar, nos anos seguintes, com Eleanor Powell, Rita Hayworth e Cyd Charisse.
Marlene Dietrich, após negar uma oferta do Terceiro Reich para voltar para a Alemanha e se tornar “estrela nazista”, foi convencida a participar de “Atire a Primeira Pedra / Destry Rides Again” por dois dos homens mais importantes de sua vida: Josef Von Sternberg e Erich Maria Remarque. Remarque inclusive argumentou que participar de um western faria com que o público americano simpatizasse com Marlene, e assim ela poderia combater os nazistas.
Marlene havia deixado a Paramount depois de ser chamada de veneno de bilheteria. Em 1939, a Universal Pictures já havia passado por sua fase áurea com Drácula, Frankenstein e derivados. O estúdio sobreviva com Deanna Durbin e filmes de baixo orçamento, e vez ou outra recebia algum astro “emprestado” de outro estúdio. A mistura de humor e ação do filme foi certeira, e “Atire a Primeira Pedra / Destry Rides Again” foi muito elogiado.
Divertido, 100% western, com um final coerente para o romance sub-explorado de Destry e Frenchy (que espelharia o romance real acontecendo entre Stewart e Dietrich), este filme é uma pérola do prolífico e seguro diretor George Marshall.

This is my contribution to the Universal Pictures Blogathon, hosted by Constance and Diana Metzinger at Silver Scenes.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

It (1927)

Existem alguns filmes que mudam a história do cinema para sempre. “It” não introduziu uma estética, mas levou uma jovem atriz ao topo de Hollywood. Existem filmes que nos ensinam algo. “It” não ensina a flertar, mas mostra como a conquista pode ser um jogo divertido – e como a vida pode ser encarada com leveza e uma dose de coragem. “It” não foi um filme revolucionário, mas conseguiu definir perfeitamente uma era. Se você quiser saber como viviam as flappers e como começou a independência feminina nos loucos anos 20, este é o filme!
Betty (Clara Bow) é uma funcionária de uma grande loja que sabe bem o que quer. Seu objetivo é conquistar seu novo patrão, Cyrus Waltham (Antonio Moreno). Muito decidida e bastante esperta, ela convida Monty (William Austin), grande amigo de Cyrus, para um jantar chique no Ritz. Basta usar um vestido customizado e muito charme e pronto: Betty atrai a atenção de Cyrus.
Monty estava à procura de uma mulher com “IT”, com sex appeal, e encontrou isto em Betty. Ela usou o pobre Monty (que, coitado, pensava ter também “IT”) para fazer charme para o patrão, e a estratégia funcionou. Na noite seguinte, Betty e Cyrus se divertem na praia, em um parque de diversões com brinquedos estranhíssimos (“social mixer”????).
Além de sedutora, Betty tem um bom coração. Sua companheira de quarto, Molly (Priscilla Bonner) está doente, sem poder trabalhar, e precisa sustentar o filho pequeno. Quando duas senhoras aparecem querendo levar o bebê para o orfanato, Betty não pensa duas vezes: “O filho é meu e eu tenho emprego para sustentá-lo!”. Ela inventa uma mentira e salva a amiga, mas Monty ouve a confissão – e não apenas ele: um jornalista (o jovem e esquálido Gary Cooper) anota tudo e publica a história. A seguir temos confusões, lágrimas, corações partidos e um clímax em um iate.
Gary Cooper
O filme deve todo seu valor a Clara Bow. Ela é simplesmente adorável, e ainda demonstra talento quando precisa derramar algumas lágrimas. Linda, risonha e charmosa, ela parece uma garota moderna, e é impossível não se apaixonar ou não se inspirar por seu jeito. Decidida, corajosa, inteligente, Betty não mede esforços para conseguir o que quer, mas sem abandonar a doçura e o tom de brincadeira. Há momentos em que eu gostaria de ser mais como Betty, e levar a vida com um misto de leveza e ambição, determinação e feminilidade. Betty tem “IT”. Clara Bow tinha “IT”. Será que nem todos nascem com “IT”? Ou será que houve um momento em que a humanidade deixou o “IT” escapar?
Uma frase em particular mostra como Betty é uma personagem moderna. Enquanto defende a amiga Molly, Betty é questionada sobre onde está o pai de seu suposto filho. A resposta? “Não te interessa!”. Não há heroína de comédia romântica mais incrível que Betty!


Clara Bow pode ser a “It Girl”, mas quem lucrou realmente com o filme foi a mulher que inventou o “IT” (ou pelo menos que popularizou o termo, já usado por Rudyard Kipling): Elinor Glyn, autora de best-sellers escandalosos. É através de um artigo de Glyn na revista Cosmopolitan (propriedade do amigo íntimo de Elinor, William Randolph Hearst) que Monty descobre o significado de “IT” no filme, e a própria autora aproveita para fazer uma breve aparição no jantar no Ritz explicar o que é “IT”. E “IT” tem um preço: Elinor recebeu 50 mil dólares para que o filme fosse feito ao redor do seu conceito de “IT”.
Todos os olhares deveriam ir para Clara Bow, mas William Austin também atrai a atenção e é a fonte de muitas risadas. Nascido na Guiana em 1884, William Austin estudou na Inglaterra, fez negócios em Shanghai e estreou no cinema em 1920. Seu irmão, Albert Austin, trabalhava como coadjuvante nos filmes de Charles Chaplin. “It”, entretanto, não foi o filme mais famoso de William Austin. Em 1943, ao interpretar o mordomo Alfred em um seriado do Batman, William reformulou totalmente a aparência do personagem, e o Alfred dos quadrinhos foi remodelado com base em William Austin.
William Austin tinha "IT"
Perdido durante várias décadas, “It” (o filme, e não o charme) foi reencontrado em Praga, atual República Tcheca, nos anos 60. Carl Davis apreendeu perfeitamente o tom de brincadeira da película, compondo uma trilha sonora adorável nos anos 80. “It” é precursor das screwball comedies e melhor que qualquer comédia romântica atual – mas, acima de tudo, uma prova de que o passado é muito mais próximo de nós do que imaginamos – e de que devemos sempre perseguir nosso “IT”.

This is my contribution to The Silent Cinema blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Lauren Champkin!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

As latinas do cinema mudo: Myrtle Gonzalez e Beatriz Michelena

Latin girls from silent cinema: Myrtle Gonzalez and Beatriz Michelena

O mundo real é sexista. O mundo do cinema também. Precisamos de Patricia Arquette clamando por salários iguais para homens e mulheres em seu discurso do Oscar, precisamos de estrelas denunciando o sexismo que existe dentro dos estúdios de cinema, precisamos de estudos que mostram que a minoria dos roteiristas, diretores e produtores de filmes são mulheres. Mas Hollywood nem sempre foi assim. Como toda novidade, a indústria do cinema, em seus primeiros tempos, era vista com desdém, como mera curiosidade passageira, e então muitas mulheres se envolviam no trabalho de fazer filmes. Na época do cinema mudo, havia grandes roteiristas, diretoras, produtoras e, claro, atrizes.

The real world is sexist. The movie world is sexist, too. We need Patricia Arquette asking for equal payment for women and men in her Oscar speech, we need film stars denouncing the sexism inside studios, we need studies showing that the minority of screenwriters, directors and producers are women. But it was not always like that. In its beginnings, the film industry was seen with disdain and as a fad. The consequence: many women were involved in making moving pictures. In the silent film era, there were many great female screenwriters, directors, producers and, of course, actresses.

Se hoje ainda temos de lutar contra o estereótipo da mulher-objeto, em especial quando a personagem feminina não é de origem estado-unidense (hola, Sofía Vergara), esta questão era mais complicada no passado. Nos anos 1910, personagens latinos se limitavam aos greasers: mexicanos com longos bigodes e escuros sombreros que eram invariavelmente vilões das películas. As mulheres latinas nestes filmes eram protótipos de femme fatales, sedutoras e nem um pouco confiáveis. Mas, ao lado das maiores e mais aclamadas atrizes da época, ao lado de Mary Pickford, Lillian Gish e Mabel Normand, havia duas latinas que fugiam de qualquer estereótipo: Myrtle Gonzalez e Beatriz Michelena.

If today we have to fight against the objetification of women, in special when we are talking about non-American women (hola, Sofía Vergara), this question was much more complicated in the past. During the 1910s, the only Latin characters were the greasers: Mexocan men with long moustaches  and dark sombreros who were always the villains in the movie. Latin women were femme fatale prototypes: seductive and not trustworthy. But, next to the biggest and most acclaimed actresses of the time, along Mary Pickford, Lillian Gish and Mabel Normand, there were two Latin girls who didn't fit any stereotype: Myrtle Gonzalez and Beatriz Michelena.

Myrtle Gonzalez nasceu em Los Angeles em 1891. A moça foi batizada com um nome 100% inglês, mas o sobrenome não deixa dúvidas sobre sua origem: seu pai era de origem mexicana, e sua mãe de origem irlandesa. Herdou da mãe o desejo de estar nos palcos, e começou a cantar e atuar ainda criança. Em 1913, quando os estúdios de cinema começavam a mudar de Nova York para Los Angeles, Myrtle conseguiu seu primeiro papel. Àquela altura, ela estava divorciada e tinha um filho bebê. Abaixo está um GIF de seu terceiro filme, “The Courage of the Commonplace” (1913):

Myrtle Gonzalez was born in Los Angeles in 1891. The girl's first name was 100% English, but her last name gives us no doubt about her origins: her father was from a Mexican family, and her mother from an Irish one. She inherited from her mother the desire of being on the stage, so she start singing and acting as a child. In 1913, when film studios started moving from New York to Los Angeles, Myrtle got her first role. At that time, she was divorced and had a baby son. Below there is a GIF from her third film, “The Courage of the Commonplace” (1913):


Myrtle teve pequenos papéis em curtas-metragens da Vitagraph, contracenando com William Desmon Taylor em cinco filmes entre 1913 e 1914. “The Kiss”, de 1914, é um dos poucos registros de Taylor em frente às câmeras. A protagonista do filme é Margaret Gibson, que confessou, em seu leito de morte em 1964, envolvimento com o misterioso assassinato de Taylor em 1922. Nada foi comprovado.

Myrtle had small roles in Vitagraph shorts, playing alongsie William Desmond Taylor in five films between 1913 and 1914. “The Kiss”, from 1914, is one of the few extant registers of Taylor in front of the cameras. The leading lady in this film is Margaret Gibson, who confessed, in her deathbed in 1964, that she was involved with Taylor's mysterious murder in 1922. Nothing was ever proved.
No começo da carreira, Myrtle Gonzalez não teve muito destaque, mas com o tempo conquistou papéis importantes. Suas protagonistas, como em “The End of the Rainbow” (1916), eram heroínas corajosas que viviam cercadas pela natureza e não se deixavam abater pelas adversidades.

In the beginning of her career, Myrtle didn’t call much attention, but with time she got more important papers. Her leading ladies, like in “The End of the Rainbow” (1916), were bold heroines who lived among the nature and didn’t let bad times prevent her from succeeding.

A carreira de Myrtle foi breve. Em dezembro de 1917, ela deixou o cinema para se casar pela segunda vez. Menos de um ano depois, em outubro de 1918, Myrtle Gonzalez sucumbiu à epidemia de gripe espanhola. Tinha apenas 27 anos e um coração frágil. O viúvo Allen Watt dirigiu e atuou em alguns poucos filmes da Universal nos anos 1920.

Myrtle's career was brief. In December 1917, she left the movies to get married for the second time. Less than a year later, in October 1918, Myrtle Gonzalez passed away from Spanish flu. She was only 27 and had a heart condition. Her widower, Allen Watt, direct and acted in a few Universal movies in the 1920s.

Beatriz Michelena nasceu em nova York em 1890. Seu pai era um tenor venezuelano que introduziu as duas filhas, Vera e Beatriz, no mundo artístico. Vera ficou no teatro de Nova York, fazendo parte do elenco do Ziegfeld Follies de 1914 a 1921. Beatriz se casou com um amor de infância em 1907, e se dedicou totalmente ao teatro nos anos seguintes.

Beatriz Michelena was born in New York in 1890. Her father was a Venezuelan tenor and he introduced his two daughters, Vera and Beatriz, to show business. Vera worked in the New York theater and was part of the Ziegfeld Follies from 1914 to 1921. Beatriz married her childhood sweetheart in 1907 and worked in theater the following years.


George E. Middleton, o marido de Beatriz, fundou a California Motion Picture Corporation em 1912 para rodar filmes publicitários dos automóveis que ele vendia. Em 1914, Michelena estreou nos cinemas com “Salomy Jane”, um ambicioso e belo western com uma trama complexa e uma bela atuação de sua protagonista. Teria nascido uma estrela para a California Motion Picture Corporation?

George E. Middleton, Beatriz’s husband, created the California Motion Picture Corporation in 1912 to make advertising films for the cars he was selling. In 1914, Michelena made her debut in the movies with “Salomy Jane”, an ambitious beautiful western with a complex plot and a great performance by the leading lady. Was a star born for California Motion Picture Corporation?

A produção caprichada deu uma ideia para George Middleton: sua esposa poderia ser uma estrela maior que Mary Pickford! Beatriz não chegou a este patamar, mas obteve relativo sucesso alternando westerns (em que ela dispensava o trabalho de dublês) e adaptações de óperas.

The gorgeous production from 1914 gave an idea to George Middleton: his wife could be a star bigger than Mary Pickford! Beatriz didn’t reach this point, but she had some success alternating between westerns (in which she dispensed stuntwomen) and opera adaptations. 

Entre 1916 e 1917, problemas na produção do épico “Fausto” levaram Beatriz a romper com a California Motion Picture Corporation. Na época, ela escrevia uma coluna de jornal sobre cinema e dava dicas para aspirantes a atrizes. Fragmentos de “Fausto” foram inseridos no filme “The Price Woman Pays”, de 1919, mas Beatriz já trabalhava em outro empreendimento.

Between 1916 and 1917, problems involving the production of the epic “Faust” amde Beatriz leave the California Motion Picture Corporation. At the time, she also wrote a newspaper column about the movies and gave tips to aspiring starlets. Stills from “Faust” were added to the film “The Price Woman Pays”, from 1919, but Beatriz was already working with something else.

No mesmo ano em que Mary Pickford se tornava sócia da United Artists, Beatriz fundou sua própria produtora: Beatriz Michelena Features. Foram realizados apenas dois filmes pela produtora, mas eles foram suficientes para Beatriz marcar seu lugar na história.

In the same year that Mary Pickford became a partner at United Artists, Beatriz created her own production company: Beatriz Michelena Features. Only two films were produced there, but it was enough to guarantee Beatriz a place in film history.

Aposentada das telas em 1920, Beatriz voltou à ópera. Ela viajou pela América Latina cantando ópera em 1927, e em 1931 um incêndio destruiu todas as cópias dos filmes da Beatriz Michelena Features (algumas cópias sobreviveram em arquivos ao redor do mundo). Beatriz Michelena faleceu em 1942, aos 52 anos.

Retired from the screen in 1920, Beatriz returned to opera. She toured in Latin America singing opera in 1927, and in 1931 a fire destroyed all the film copies at Beatriz Michelena Features (some copies survived in archives around the world). Beatriz Michelena passed away in 1942, aged 52.
Myrtle e Beatriz, apesar de terem nascido nos Estados Unidos, tinham a força e a graça do sangue latino. Não se curvaram frente às adversidades, conquistaram um lugar ao sol, interpretaram mulheres fortes e corajosas e deixaram um legado a ser admirado por todos, mulheres e homens, latinos e não-latinos.

Myrtle and Beatriz, although American women by birth, had the strengtth and grace found only in Latin blood. They didn’t give up when obstacles appeared, they found a place in the sun, they played courageous strong women and left a legacy that deserves to be admired by all, men and women, Latin or not. 

This is my contribution to the Hollywood's Hispanic Heritage Blogathon 2015, hosted by Aurora at Once Upon a Screen. Bravo!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Variações sobre um mesmo tema: Imitação da Vida (1934 e 1959)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS.

É durante os períodos mais difíceis da vida que descobrimos quem são nossos maiores amigos e mais perigosos e inimagináveis inimigos. Claudette Colbert descobriu isso em 1934. Vinte e cinco anos depois, foi a vez de Lana Turner passar pela mesma experiência, desta vez com mais cor e algumas modificações. Trata-se de uma história de luta, preconceito, traição e muitas, muitas surpresas. E, por ser tão atual em 1934, 1959 ou 2015, tem o sugestivo nome de “Imitação da Vida”.
O ano é 1934. Bea Pullman (Colbert) é viúva, tem de cuidar da filha pequena Jessie e levar adiante o negócio de maple sirup do falecido marido. Por engano bate à sua porta Delilah (Louise Beavers), acompanhada da filha Peola. É o destino que une as duas, pois Bea oferece comida e moradia para que Delilah trabalhe para ela. Não demora para que Bea, muito astuta, transforme uma receita de família de Delilah em um grande sucesso comercial, que muda a vida de ambas.
O ano é 1959. Lora Meredith (Turner) é viúva e não consegue encontrar sua filha pequena Susie na praia. Com a ajuda de Steve Archer (John Gavin), ela encontra a menina brincando com a filha de Annie (Juanita Moore), uma mulher à procura de emprego. É o destino que une as duas, pois Lora oferece que Annie fique um tempo com ela. Logo Annie se torna babá / empregada e Lora começa uma carreira de sucesso no teatro.
A filha de Delilah / Annie, chamada Peola em 1934 e Sarah Jane em 1959, tem pele clara, mas desde a infância sofre por ter o sangue negro da mãe. São tempos de racismo, de segregação, de lugares separados para brancos e negros. É a garota mestiça a personagem mais profunda e sofredora da história, e sua dor não pode ser curada facilmente.
Delilah fala com a cadência típica dos negros da Hollywood dos anos 1930, cópias vergonhosas dos estereótipos da época da escravidão. Delilah é simplória ao extremo, preferindo cuidar de Bea e Jessie a ter sua própria casa. Ela aceita o sofrimento causado pela rejeição da filha, rejeição esta que também causa dor a Peola, mas nada faz para reagir e voltar a viver.
É louvável, entretanto, mostrar que não é apenas a família negra que tem graves problemas, afinal, Steve Archer (Warren William em 1934 e John Gavin em 1959) está para se casar com Bea / Lora, mas quem se apaixona por ele é sua futura enteada Jessie (Rochelle Hudson) / Susie (Sandra Dee). A criação dada pela mulher branca também não foi perfeita, e seu problema chega a ser até mais chocante que o da mulher negra.
John M. Stahl, o diretor da versão de 1934, consegue congelar a segregação em uma só imagem: ricas e bem-sucedidas, Delilah e Bea vivem na mesma casa, mas a mulher branca vive no brilhante piso superior e a mulher negra fica com o piso inferior. Bea não teria enriquecido sem Delilah, e mesmo assim Delilah se resigna ao plano inferior. São apenas duas escadas, mas elas separam toda a humanidade.
Foi bom ter Douglas Sirk, o homem das lágrimas, por trás da versão de 1959. Apesar da menor importância de Annie para o sucesso de Lora, o drama da mulher negra tem grande destaque e muitos momentos emocionantes. Outro retrocesso foi ter, no papel de Sarah Jane, a atriz Susan Kohner, filha de mãe mexicana e pai judeu. Em 1934, Peola foi interpretada por Fredi Washington, atriz mulata e militante dos direitos civis.
Se você tem coração, irá se emocionar com as duas versões. Se tem cérebro, irá pensar sobre as feridas que o racismo deixa. Porém, é outro o mais poderoso efeito: quando acabar o filme, você terá vontade de abraçar sua mãe com muita força e agradecê-la por tudo.

This is my contribution to the They Remade What? Blogathon, hosted by Laura at Phyllis Loves Classic Movies. Double takes are in!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Por favor, vote em mim!

Amigos, leitores, fãs. Chegou o dia em que eu peço um favor a quem acompanha o blog. Um favor, apenas, não. Um voto. Um voto de confiança. Um voto que pode simbolizar um agradecimento por aquele dia em que você descobriu o blog, aquele post que te apresentou um filme incrível ou um "muito obrigado" por manter viva a memória do cinema. E não é só por isso. Aqui vão três razões para votar no blog Crítica Retrô, em um vídeo de campanha baseado na série Three Reasons da Criterion Collection:


Vote no link abaixo:


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