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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Risos, culpa e tabu: personagens travestidos no cinema / Laughter, guilt and taboo: A brief history of dressing in drag in the movies

Ah, cinema! Uma fonte histórica maravilhosa, um espelho poderoso de como a sociedade pensava e se comportava décadas atrás. Claro, nenhum pensamento é unânime, mas o cinema é um bom termômetro dos preconceitos e das ideias de uma era.

Oh, cinema! A wonderful historical source, a powerful mirror of society’s thoughts and actions from decades ago. Obviously, no way of thinking has ever been unanimous, but cinema is a good thermometer to measure the prejudices and the beliefs of an era.
Por isso falar de personagens travestidos, cross-dressers, não importa o termo, nos leva por uma viagem que começa em 1906. Não é um artigo sobre como transgêneros são retratados no cinema, pois ainda há tabu no mundo cinematográfico e só há poucos anos foi lançada uma luz sobre transgêneros e sua luta.

So, talking about dressing in drag or cross-dressing in movies takes us to a long trip that starts in 1906. This is not, however, an article about how transgender people are portrayed in movies, because this is still a taboo in the film world (and the real world as a whole) and only a few years ago it was given a little space to talk about transgenders and their fight.
O cross-dressing no cinema é dez anos mais novo que o próprio cinema. O primeiro filme que lida com o tema, “Os resultados do feminismo” (Les résultats du féminisme, 1906) não troca as roupas de homens e mulheres, apenas os chapéus... e as ações. Agora, as mulheres frequentam bares, brigam por causa dos homens e inclusive os assediam. Os homens cuidam da casa, costuram, passeiam com as crianças e são oprimidos. Parece ser uma propaganda anti-feminista, até que vemos o nome da diretora do curta de sete minutos: Alice Guy-Blaché, uma pioneira no cinema. Alice faz, aqui, uma grande zoeira com gêneros, estereótipos e o medo do feminismo.

Cross-dressing in film is tem years younger than film itself. The first film dealing about this thematic, “The Consequences of Feminism” (Les resultants du feminism, 1906) does not interchange clothes between men and women, only hats… and actions. Now, women go to bars, fight over men and even harass them. Men take care of the house and the children, sew and are oppressed. It looks like anti-feminist propaganda until we see who directed this seven-minute short film: Alice Guy-Blaché, a pioneer woman director. Here, Alice mocks with gender stereotypes and the fear of feminism.
Vestir-se como homem, sendo mulher, em geral é libertador para a personagem. Foi assim que a rainha Christina de Greta Garbo pôde, finalmente, se sentir livre. Foi assim que a Sylvia Scarlett de Kate Hepburn pôde se juntar ao esquema desonesto de seu pai, e conhecer Cary Grant. Foi assim que Yentl pôde estudar no filme de 1983. E não devemos nos esquecer de que Barbra Streisand foi protagonista E diretora de Yentl!

Dressing as a man, being a woman, generally allows the character to have freedom. It was by cross-dressing that Greta Garbo’s Queen Christina could finally feel free. It was by cross-dressing that Kate Hepburn’s Sylvia Scarlett could join her father’s dishonest heist and meet Cary Grant. It was by cross-dressing that Yentl could study in the 1983 film. And we can’t forget that Barbra Streisand directed AND starred in Yentl!
Queen Christina (1933)
Sylvia Scarlett (1935)
Yentl (1983)
Vestir-se como mulher, sendo homem, é problema na certa. O exemplo máximo disso é o enredo de “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), que foi inclusive eleita a melhor comédia de todos os tempos.

Dressing as a woman, being a man, is the source of trouble. The greatest example of it is the plot of “Some Like It Hot” (1959), that was even considered the best comedy film ever made.

O cross-dressing foi empregado muitas vezes como um elemento cômico pontual, passageiro, uma gag que dura apenas alguns segundos. Em geral, um personagem do sexo masculino precisa se vestir de mulher para escapar de algum problema. Em alguns casos, outro personagem desavisado acaba se apaixonando pelo nosso herói travestido. Essa gag foi usada, com êxito, no cinema mudo, falado, e também em animações.

Cross-dressing was used several times as a comic tool, a gag that lasts only a few seconds. In general, a male character must dress as a woman to escape trouble. In some cases, a silly male character even falls in love with our transvestite hero. This gag has been used, successfully, in silents, talkies and also animated pictures.  
Ivan Mosjoukine, The House in Kolomna (1913)
Buster Keaton, His Wedding Night (1917)
Laurel and Hardy, Twice Two (1932)
Cary Grant, I Was a Male War Biride (1949)
Fora das telas, as atrizes que optavam por looks mais masculinos nem sempre eram bem vistas, mas lançavam moda, como foi o caso de Katharine Hepburn e Marlene Dietrich, que adotaram calças compridas como parte do look nos anos 1930. A diretora Dorothy Arzner também usava apenas calças durante o trabalho. Uma mulher vestida com trajes masculinos era, naquela época, chocante. Marlene Dietrich em “Marrocos” (1930) que o diga!

Outside the screen, actresses who adopted more masculine styles were not always respected, but they ended up as fashion icons, like Katharine Hepburn and Marlene Dietrich, who favored pants in the 1930s. Director Dorothy Arzner was another woman who also wore only pants while working in Hollywood. A woman dressed with male clothes was shocking at that time. Marlene Dietrich in “Morocco” (1930) knows what I’m talking about.
Vestir-se como o gênero oposto foi, na maioria das vezes, motivo de risadas. Quando o cross-dressing era usado no drama, era para provar que algum personagem era desequilibrado... e assassino. Isso aconteceu muitas vezes (SPOILERS):

To dress as the opposite gender was, in most times, a reason to laugh. When cross-dressing was used in drama films, it was a way of proving that a character was… an insane murder. This happened a lot of times (SPOILERS):
Psycho (1960)
The Devil Doll (1936)
Dressed to Kill (1980)
E é aí que entra “o pior diretor” de todos os tempos, Ed Wood, para falar do tema com seriedade e um orçamento mínimo. Ed costumava se vestir de mulher, e tratou deste delicado tema em “Glen ou Glenda” (1953). Quem diria que, à sua maneira tosca, Ed Wood abriria caminho para o papel que rendeu uma indicação ao Oscar a Eddie Redmayne?

And then we have “the worst director ever”, Ed Wood, to make a film about the theme with a serious tone and a tiny budget. Ed used to dress as a woman, and dealt with this delicate theme in “Glen or Glenda” (1953). Who would have said that, in his own odd way, Ed Wood would be responsible for paving the path for the role that gave Eddie Redmayne an Oscar nod?
Glen or Glenda (1953)
Ainda há muito a ser mostrado sobre cross-dressing pelo cinema. Evoluímos, a passos lentos, é verdade, e da piada fácil vestir-se como o gênero oposto passou a ser retratado com mais seriedade e, o mais importante, mais humanidade.

There is still a lot to be shown about cross-dressing by the movies. We evolved, slowly, it’s true. To dress in drag started as an easy gag, but it is now, luckily, treated in a more human light.

This is my contribution to the Characters in Costume Blogfest, hosted by Christina and Andrea at Christina Wehner and Into the Writer Lea.

domingo, 30 de outubro de 2016

Wilson (1944)

Segundo o site Huffington Post, Woodrow Wilson foi o terceiro pior presidente da história dos Estados Unidos, enquanto seu antecessor, William Howard Taft, foi o melhor de todos. O site Rant Political, entretanto, coloca Wilson entre os 15 melhores e o chama de visionário. Se Wilson não tivesse governado durante a Primeira Guerra Mundial, proposto 14 pontos de paz e idealizado a Liga das Nações, provavelmente estaria ainda mais esquecido – e certamente eu, uma blogueira brasileira, nunca teria ouvido falar dele.

According to the website Huffington Post, Woodrow Wilson was the third worst president of the United States, while his predecessor, William Howard Taft, was the best of them all. The website Rant Political, however, puts Wilson among the 15 best presidents and calls him a visionary. If Wilson was not the governor during World War I, after which he proposed 14 peace points and had the idea of the League of Nations, he would be even more forgotten – and certainly I, a Brazilian blogger, would have never heard about him.  

Obviamente, é difícil e polêmico fazer um ranking do pior para o melhor presidente. Há subjetividade, há o saudosismo dos que viveram sob governos passados, há objetividade e uma visão diferente daqueles que governaram há mais de cem anos. Por isso, para investigar a figura de Woodrow Wilson, resolvi levar em conta outra fonte, tão parcial e cheia de defeitos quando uma lista na internet: uma cinebiografia!

Obviously, it is difficult and polemic to rank the presidents from worst to best. There is subjectivity, there is the nostalgia from those who lived during their terms, there is objectivity and a distinct vision from those who study about a president who ran the nation more than 100 years ago. That’s why I chose to investigate Woodrow Wilson using another source of information, as biased and full of defects as a list on the internet: a biopic!
A cinebiografia começa com a mesma pompa e circunstância de um filme sobre a vida de um santo. Um texto diz que, “às vezes, a vida de um homem espelha a vida de uma nação” e coloca Woodrow Wilson no mesmo patamar de dois adorados presidentes: George Washington a Abraham Lincoln.

The biopic starts with the same pomp and circumstance of a biopic of a saint. A text says that, “sometimes, the life of a man mirrors the life of a nation” and puts Woodrow Wilson at the same level of two beloved presidents: George Washington and Abraham Lincoln.
Em 1909, Woodrow Wilson (Alexander Knox) era apenas o humilde reitor da Universidade de Princeton. Ele reluta em aceitar um convite para concorrer ao cargo de governador de New Jersey, mas acaba convencido a tentar pela esposa e pelas filhas.

In 1909, Woodrow Wilson (Alexander Knox) was just the humble dean of Princeton University. He hesitates to accept an invitation to run for the place of governor of New Jersey, but he makes up his mind thanks to his wife and daughters’ support.

Como governador, ele desafia o poderoso senador Big Ed Jones (Thurston Hall), que foi exatamente o responsável por inserir Wilson na política. Ao impedir que Big Ed se candidatasse à reeleição como senador, Wilson ganha popularidade e se torna um queridinho da mídia – e logo o povo clama que ele seja candidato à presidência.

As a governor, he challenges powerful senator Big Ed Jones (Thurston Hall), exactly the man responsible for the start of his political career. When he impedes Big Ed to run for re-election, Wilson becomes more popular and gains a lot of sympathy from the media – and soon the people start rallying for him to run for president.
Uma vitória heroica sobre o pré-candidato favorito, discursos memoráveis sobre direitos humanos, liberdade, comparações com Abraham Lincoln, a morte da esposa de Wilson, Ellen (Ruth Nelson), uma guerra na Europa: ingredientes perfeitos para pintar Woodrow Wilson como um homem verdadeiramente admirável.

An heroic victory over the favorite pre-candidate, memorable speeches about human rights, freedom, comparisons with Abraham Lincoln, the death of Wilson’s wife, Ellen (Ruth Nelson), a war in Europe: the perfect ingredients to paint Woodrow Wilson as a truly remarkable man.
Como candidato à reeleição, ele precisa calcular as consequências de sua decisão de se casar novamente, desta vez com Edith Bolling Galt (Geraldine Fitzgerald), e também provar que sua estratégia de não envolvimento com a guerra não é um ato de covardia, mas uma tentativa de diplomacia.

As candidate for re-election, he must calculate the consequences of marrying Edith Bolling Galt (Geraldine Fitzgerald), and also prove that his no-war strategy is not a sign of cowardice, but an attempt of being diplomatic.
Obviamente, “Wilson” é um filme feito pontualmente para 1944: com os Estados Unidos envolvidos em outra guerra contra a Alemanha, após outra tentativa de manter distância do conflito. O único projeto pelo qual Wilson lutou intensamente, a Liga das Nações, fracassou e, acreditava-se na época, poderia ter evitado outra guerra.

Obviously, “Wilson” is a film that could only be made in 1944: with the USA involved once again in a war against Germany, right after another attempt to be away from the battlefield. The only project that Wilson was passionate about, the League of Nations, failed, and it was believed at the time that his idea could have prevented another war.
Darryl F. Zanuck acreditava que os Estados Unidos precisavam de outra injeção de ânimo e sua ideia era fazer de “Wilson” seu maior sucesso. Apesar dos cinco Oscars ganhos (Edição, Fotografia a Cores, Direção de Arte, Roteiro Original e Mixagem de Som), o filme foi um fracasso de bilheteria, desapontando inclusive Winston Churchill, que saiu no meio de uma exibição do filme.

Darryl F. Zanuck believed that the United States needed another mood boost and his idea was to make of “Wilson” her greatest success ever. It may have won five Oscars (Editing, Cinematography - Color, Art Direction - Interior Decoration, Sound - Recording, Original Screenplay), but the film was a box office failure and even disappointed Winston Churchill, who left a screening to go to bed.
Wilson é mostrado como um homem simples, caseiro, que gostava de cantar ao lado do piano com sua família, honesto, corajoso, sem ambição, mas movido por um forte senso de justiça, à mesma maneira de “A Mocidade de Lincoln” (1939).

Wilson is shown as a simple man, loving his home, enjoying singing by the piano with his family, an honest, bold, ambitionless less, moved by a strong sense of justice, exactly like in “Young Mr. Lincoln” (1939).

Ele é mostrado como alguém que quer acabar com os privilégios de classes, mas o filme “esquece” de mencionar que Woodrow Wilson era simpatizante da Ku Klux Klan e foi durante seu governo que a segregação racial se fortaleceu. Mas temos aqui uma ajudinha do bom, velho e nem sempre confiável D.W. Griffith para refrescar nossa memória:

He is shown as someone who wants to end class privileges, but the film “forgets” to mention that Woodrow Wilson sympathized with the Ku Klux Klan and it was during his government that racial segregation became stronger. But we have here a little help from good, old, not always reliable D.W. Griffith to refresh our memory:
Sim, no governo de Wilson foi concedido o voto às mulheres, mas ele só apoiou a ideia porque precisava: na verdade, Wilson acreditava que as mulheres poderiam votar em cargos municipais e estaduais, mas não para presidente. E olhe que ironia: após um derrame que o debilitou seriamente, Wilson passou a depender da segunda esposa para governar o país. Sim, era 1919 e quem comandava os Estados Unidos era uma mulher.

Yes, it was during Wilson’s administration that women were allowed to vote, but he only supported the idea because he had no other option: in fact, Wilson believed that women could vote for mayor and governor, but never for president. And look how ironic: after a stroke that left him seriously debilitated, Wilson relied on his second life to rule the country. Yes, it was 1919 and it was a woman who ran the United States.
Wilson and Edith
Alexander Knox se parece muito com Wilson, embora seja muito mais novo que o biografado. Ele passa confiança e seriedade. Gostaria de ter visto mais de Charles Coburn, que interpreta um amigo de Wilson de Princeton, e diz uma ótima frase: “Toda eleição é decepcionante, meu jovem, se você tem o azar de ser eleito”.

Alexander Knox looks a lot with Wilson, although he was much younger than the president when the film was made. He looks trust-worthy and serious. I’d like to have seen more of Charles Coburn, who plays a friend of Wilson’s from Princeton and has this great quote: “Any election is an upset, young man, if you’re unfortunate enough to be elected”.

“Wilson” é um filme bonito de se ver, por ser em cores e ter cenas grandiosas em belos cenários. É, como toda cinebiografia, um exercício de desconfiança, mas tornado ainda maior por ser tão parcial ao retratar um presidente que estava longe de ser santo – ou o segundo Lincoln.

“Wilson” is a feast for the eyes, because it is a color movie with grand scenes in wonderful sets. It is, as any biopic, an exercise in distrust, but made even bigger because it is so biased when trying to portray a president who was not a saint – nor the second Lincoln.

This is my contribution to the Hail-to-the-Chief blogathon, hosted by Robin at Pop Culture Reverie. Now go out and VOTE!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Slapstick à brasileira / Slapstick, Brazilian style

"Nem Sansão, Nem Dalila" (1954)
Trago verdades: os melhores cursos online sobre cinema são oferecidos pelo TCM em parceria com a Ball State University. Depois do grande sucesso e da maravilhosa experiência de aprendizagem em 2015 com o curso #NoirSummer, fiquei animadíssima ao descobrir que em 2016 seria oferecido o curso #SlapstickFall. Agora seria a vez de estudar o melhor da comédia física, e eu não poderia perder esta oportunidade. E, conforme fui aprendendo, vi alguns paralelos com o cinema brasileiro.

Let me tell the truth: the best online film courses are offered by TCM and Ball State University. After the massive success and wonderful learning experience that was #NoirSummer in 2015, I became ecstatic to find out that in 2016  the course to be offered would be themed #SlapstickFall. Now it'd be time to study the very best of slapstick, and I couldn't miss this opportunity. And, as I learned, I could see some things in common with Brazilian cinema.  



O curso foi, obviamente, centrado em Hollywood, com apenas um desvio para a França e as comédias de Jacques Tati. Isso não significou que não houve filmes de comédia dignos de nota em outros países, foi apenas uma escolha do canal, dos programadores e dos responsáveis pelo curso. Por isso, quero apresentar um pouco da era de ouro da comédia brasileira, não somente para os estudantes do curso, mas para todos os interessados.

The course was, obviously, Hollywood-centered, with only a small detour to France and Jacques Tati's comedies. This doesn't mean that there were no worthy comedy films made in other countries, it was only a choice made by the channel, the programmers and the ones responsible for the course. That's why I want to show this introductory post on Brazilian slapstick, not only for #SlapstickFall alumni, but to all that might be interested.



Nos anos 1950 e 1960, os críticos e especialistas norte-americanos consideravam que a era de ouro da comédia slapstick tinha sido a era do cinema mudo. O filme “Os Reis do Riso” de 1957, surpreendentemente aponta como os mais bem-sucedidos comediantes da época Laurel e Hardy, e isso em parte se deve ao sucesso tanto em filmes mudos quanto falados, e à duradoura relação com o público desenvolvida por anos e anos de reprises, em especial na televisão.

In the 1950s and 60s, critics and film connoisseurs from the US considered that the golden age of slapstick was the silent film era. The film “The Golden Age of Comedy”, from 1957, surprisingly points Laurel and Hardy as the most successful comedians of the time, and this is due to two factors: first, they were successful in both silents and talkies, and second, everybody knew them thanks to years and years of reruns of their features and shorts, in special on TV.


Hoje temos o tempo a nosso favor, e vemos de outra maneira esta época no slapstick. O filme-antologia de 1957 sequer citava Chaplin, Keaton e Lloyd, hoje considerados os três maiores comediantes do cinema mudo.

Today we have the benefit of time, and we see differently this age of slapstick. The anthology film made in 1957 didn't even cite Chaplin, Keaton and Lloyd, who are now considered the three biggest comedians in silent cinema.

Se a era de ouro da comédia americana foi a década de 1920, a era de ouro das comédias brasileiras foi a década de 1950. Um período auspicioso para o cinema como um todo, mas em especial para o slapstick 100% verde e amarelo: as chanchadas, filmes com humor ingênuo e vários números musicais. As chanchadas eram incrivelmente populares, apesar de ser consideradas um gênero vulgar pelos críticos. Algumas chanchadas eram, inclusive, paródias dos sucessos de Hollywood, como “Matar ou Correr” (1954, figura abaixo), paródia de “Matar ou Morrer” (1952), faroeste com Gary Cooper.

If the golden age of American slapstick was the 1920s, the golden age of Brazilian slapstick was the 1950s. It was a wonderful time for Brazilian cinema as a whole, but better for our slapstick: the 'chanchadas', films with naïve humor and a lot of musical numbers. The 'chanchadas' were very popular, although they were considered a lesser, vulgar genre by critics. Some 'chanchadas' were actually parodies of Hollywood films, like “Kill or Run” (1954, image below), a parody of “High Noon” (1952), a western with Gary Cooper.



E, assim como na Hollywood muda, o Brasil das chanchadas também teve sua trindade cômica principal. Os americanos tinham Chaplin, Keaton e Lloyd, nós tínhamos Mazzaropi, Ankito e Oscarito. Obviamente, havia outros tantos comediantes na época, com menos destaque ou cuja importância histórica diminuiu ao longo dos anos. Os americanos tinham, entre os representantes menores do slapstick, Charley Chase, Ben Turpin, Billy Bevan, Larry Semon, Harry Langdon, e também Mabel Normand. Os brasileiros tinham Costinha, Arrelia, Zé Trindade, Walter D'Ávila, Mesquitinha, e também Dercy Gonçalves.

And, just like in Hollywood, the Brazil from the 'chanchadas' also had their Big Three in comedy. The Americans had Chaplin, Keaton and Lloyd, we had Mazzaropi, Ankito e Oscarito. Obviously, there were many other comedians at the time, not so successful or not so historically important. The Americans had, among the lesser comedians, Charley Chase, Ben Turpin, Billy Bevan, Larry Semon, Harry Langdon, and also Mabel Normand. The Brazilians had Costiha, Arrelia, Zé Trindade, Walter D'Ávila, Mesquitinha, and also Dercy Gonçalves.

E a trindade cômica brasileira em muito se parece com a americana! Quer ver?

And the Brazilian Big Three had a lot in common with the American ones. Wanna see?


Charles Chaplin e Amácio Mazzaropi faziam filmes que misturavam comédia e drama, e que mexiam com as emoções no público. No começo da carreira, ambos estavam focados na comédia da moda, mas anos mais tarde desenvolveram sua persona cinematográfica, seu estilo próprio, e passaram a explorá-lo até o final de suas carreiras. Chaplin fez isto misturando risos e lágrimas em “O Garoto” (1921), e Mazzaropi começou a explorar mais assuntos sociais e dramas rurais a partir de “Jeca Tatu” (1959).

Charles Chaplin and Amácio Mazzaropi both made films mixing comedy and drama, and loved to play with the feelings of the audience. In the beginning of their careers, both did the kind of comedy that was in vogue, but years later they developed their film personas, an unique style, and explored it until the end of their careers. Chaplin did it by mixing laugh and tears in “The Kid” (1921), and Mazzaropi started exploring social issues and rural dramas after “Jeca Tatu” (1959).



Buster Keaton e Ankito (nascido Anchizes Pinto) eram os acrobatas. Ambos começaram a carreira fazendo acrobacias: Buster no vaudeville, Ankito no circo. Ankito foi, inclusive, cinco vezes campeão sul-americano de acrobacias. Nos filmes, ambos continuaram mostrando o lado atlético e sempre recebiam os golpes da vida com uma atitude blasé, despreocupada, até um pouco ingênua. Keaton sofreu alguns acidentes em sua carreira, e Ankito caiu de um prédio em construção durante as filmagens de “Um Candango na Belacap”, em 1960. Tudo sem maiores consequências. Ambos se dedicaram à televisão no final da carreira.

Buster Keaton and Ankito (born Anchizes Pinto) were the acrobats. Both started their careers doing acrobatics: Buster in vaudeville, Ankito at the circus. Ankito was even South American acrobatic champion for five times. At the movies, both showed their athletic side and always received the blows of life with a blasé, not worried, even naïve attitude. Keaton suffered a few accidents on set, and Ankito fell from a building during filming “Um Candango na Belacap”, in 1960. All without big consequences. Both worked on television later in life.


Harold Lloyd ganhou mais dinheiro que Chaplin e Keaton. E não havia concorrência na bilheteria quando um filme de Oscarito estava em exibição. Oscarito nasceu na Espanha, mas veio para o Brazil com um ano de idade, e aos cinco anos entrou para o circo. Oscarito fez uma dupla de sucesso com Grande Otelo, que se saía bem tanto no drama quanto na comédia. Em termos de sucesso, o filme “Esse Milhão é Meu” (1959) detém um recorde: levou 15 milhões de pessoas ao cinema, o equivalente a um quarto da população brasileira na época.

Harold Lloyd made more money than Chaplin and Keaton. And there was no place for anybody else when one of his films hit the theaters. Oscarito was born in Spain, but came to Brazil at age one and at age five he joined the circus. Oscarito was part of a successful duo with Grande Otelo, an actor brilliant in both drama and comedy. If you consider success, the film “This is my Million” (1959) set a record: it was watched by 15 million people, or one quarter of the Brazilian population at the time.


Você sabe aquele ditado: “O tempo voa quando você está se divertindo”? Foi isso que aconteceu com o curso #SlapstickFall. E a chanchada?, vocês devem estar se perguntando. Em 1962 a Atlântida, companhia cinematográfica mais associada ao gênero, produziu sua última chanchada. Um dos principais nomes do Cinema Novo brasileiro, Glauber Rocha, criticava agressivamente as chanchadas. A chanchada, entretanto, nunca morreu: como toda boa tradição no slapstick, ela ainda influencia o humor brasileiro.

Do you know that old saying: “Time flies when you’re having fun”? It was exactly what happened with the #SlapstickFall course. And what about the ‘chanchada’?, you must be asking yourselves. In 1962, Atlântida, the cinematographic company responsible for the most ‘chanchadas’, released the last film from this genre. One of the main names of Brazilian New Cinema, Glauber Rocha, aggressively criticized the ‘chanchadas’. However, the ‘chanchada’ never died: as any good slapstick tradition, it stil has an influence in Brazilian humor.   

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Como ser blasé / How to be blasé

Blasé: Que manifesta tédio ou indiferença em relação a tudo” (definição do dicionário Caldas Aulete)

Blasé: “Unimpressed or indifferent to something because one has experienced or seen it so often before.” (taken from the Oxford Living Dictionaries)
Eu venho de uma família com um longo histórico não-blasé. Meu avô se preocupa com absolutamente tudo. Minha avó também, mas ela foca seus esforços de preocupação no clima e nas tarefas domésticas. Minha mãe também é relativamente preocupada. E durante muito tempo eu também fui perfeccionista, controladora, obcecada com boas notas e com que tudo saísse bem. Por isso, meu desejo sempre foi ser mais blasé.

I come from a family with a long non-blasé history. My grandfather worries about absolutely everything. So does my grandmother, but she usually focuses her worries on the weather and house chores. My mother is also relatively worried. And for a long time I was also a perfectionist, control-freak, obsessed about good grades and overall peace. That's why my secret wish has always been to be more blasé.
Clark Gable, ou melhor, Rhett Butler, era o rei do blasé. Não existe frase mais blasé proferida na história do cinema que sua fatídica última fala em “E o Vento Levou” (1939). Eu não queria ser exatamente como Rhett, mas sim viver com menos amarras e preocupações, sem neuras, sem ansiedade desnecessária. E o cinema desde cedo me mostrava as lições para uma vida mais leve.

Clark Gable, or better, Rhett Butler, was the king of blasé. There is no other sentence in movie history more blasé than his infamous last lime in “Gone with the Wind” (1939). My wish was no to be exactly like Rhett, but to live with less troubles and worries, without unnecessary anxiety. And the cinema, since the beginning, taught me the lessons for a lighter life.
Eu nasci em 1993. Um ano depois, a Disney lançava uma animação de primeira qualidade: “O Rei Leão”. Nele, a simpática dupla Timão e Pumba ensina ao jovem Simba algo indispensável para a sobrevivência dentro e fora da selva: a comer insetos a não se preocupar. Esta é a lição da música mais memorável do filme, e um mantra que eu deveria ter adotado para a vida desde cedo: Hakuna Matata, ou “não se preocupe” em swahili.

I was born in 1993. The following year Disney  released a first-rate animation: “The Lion King”. In it, the cool duo Timon and Pumbaa teaches young Simba something mandatory to survive in and outside the jungle: to eat insects to not worry. This is the lesson taught by the most remarkable song in the movie, and aa mantra that I should have followed in my life since I was young: Hakuna Matata, or “do not worry” in swahili.
Vamos voltar 60 anos no tempo, diretamente para 1934, ano em que estreia “A Ceia dos Acusados”. Nick e Nora Charles, os protagonistas, são extremamente blasés. Sim, eles resolvem todos os problemas e crimes, mas só depois de tomar um ou dois (ou seis) martínis. Nick e Nora têm um ao outro e têm muito, muito senso de humor. Só assim para não se importar com o que está escrito nos tabloides e sempre ter uma frase espirituosa na ponta da língua.

Let’s go 60 years back in time, directly to 1934, the year when “The Thin Man” premiered. Nick and Nora Charles, the protagonists, are extremely blasé. Yes, they solve all the problems and crimes, but only after drinking one or two (or six) martinis. Nick and Nora have each other, and they have an awful lot of good humor. Only with good humor they can care nothing about what is written in the tabloids and always think about great comebacks.
E eis que vem a Disney de novo com uma lição. Sim, eu esperei 13 anos por “Procurando Dory” e fui animadíssima ao cinema (tenho a mesma capacidade de concentração de Dory). E ali estava meu novo ídolo, o personagem mais blasé do século XXI: Geraldo, o leão-marinho. Aquele que ouve vários “nãos”, que é escorraçado, mas faz cara de paisagem, não fala nada e tem um plano na cabeça. Silenciosamente, ele coloca o plano em prática e consegue o que quer. Sempre com ar blasé, claro.

And then Disney teaches me one more lesson. Yes, I waited 13 years for “Finding Dory” and I went, ecstatic, to the movies (Dory and I have the same attention span). And there was my new idol, the most blasé character of the 21st century: Gerald, the sea lion. The one who hears several “no’s”, the one who is bullied and humiliated, but acts like nothing happened, says nothing and plans revenge his action. Silently, he works on his plan and gets what he wants. Always with a blasé attitude, of course.
Acho que consegui ser mais blasé. Deixar a vida me levar, ser mais leve. E, mais uma vez, devo tudo isso ao cinema.

I think I succeeded in being more blasé. In letting things flow in life, in being lighter and living with less pressure. And, once again, I owe all this to the movies.

This is my contribution to the Things I Learned from the Movies Blogathon, hosted by Ruth and Kristina at Silver Screenings and Speakeasy!

sábado, 8 de outubro de 2016

Vidas em Fuga / The Fugitive Kind (1960)

Um duelo de gigantes: não há maneira melhor de definir o encontro de duas lendas do cinema, Anna Magnani e Marlon Brando. Ela, uma das maiores, talvez a maior, atriz do cinema italiano. Ele, um ator igualmente poderoso e icônico. Juntos, eles se contrastam, se completam, e formam um estranho e eletrizante casal.

A battle of giants: there is no better expression to describe the occasion when two film legends, Anna Magnani and Marlon Brando, met. She was one of the greatest – maybe THE greatest – actresses from Italy. He was an equally powerful and iconic actor. Together, they contrast, they complete each other, and make a stange and thrilling couple.
Valentine ‘Val’ Xavier (Marlon Brando) é um músico que acaba de completar 30 anos e quer ficar longe de problemas. Ele foge de New Orleans para não ser preso, e se emprega como vendedor em uma pequena loja de uma pequena cidade. A dona da loja é Lady Torrance (Anna Magnani), e surge uma tensão sexual entre eles.

Valentine 'Val' Xavier (Marlon Brando) is a musician who just turned 30 and wants to stay away from troubel. He flees New Orleans in order to escape prison and gets a job as a clerk in a small store in a small town. The store is owned by Lady Torrance (Anna Magnani) and a sexual tension sparkles between them.
Mas há muitos problemas. Primeiro: Lady Torrance é casada, e seu marido atualmente agoniza no andar de cima da loja. Segundo: Val tem não uma, mas duas mulheres de olho nele desde que ele chegou à nova cidade: a desmiolada e perdida Carol Cutrere (Joanne Woodward) e a dona de casa Vee Talbot (Maureen Stapleton).

But there are many problems in the way. First: Lady Torrance is married, and her husband currently agonizes in an apartment above the store. Second: Val doesn't have one, but two women observing him since he arrived to the new town: the lost rebel Carol Cutrere (Joanne Woodward) and the housewife Vee Talbot (Maureen Stapleton).
Não é um filme romântico. Não é uma história de amor melosa e fofa. É drama puro, protagonizado por dois dos maiores atores dramáticos da história e com coadjuvantes igualmente talentosos. Lady Torrance é uma mulher triste, amarga, sofrida. Carol Cutrere é a moça de família rica que decide se rebelar e viver com uma... hippie. Carol é super-sexualizada, atrevida, espontânea e livre. Vee Talbot não é um interesse amoroso, mas é uma personagem importante e sensível.

This is not a romantic film. This is not a cute, sweety love story. It is pure drama, leaded by two of the best dramatic actors in history and with equally talented supporting actors. Lady Torrance is a sad, bitter suffering woman. Carol Cutrere is the girl from a rich family who rebels and lives as a hippie. Carol is overly-sexualized, sassy, spontaneous and free. Vee Talbot is not a love interest, but she is an important and sensitive character.
“Vidas em Fuga” teve sua origem em uma peça de Tennessee Williams, que em sua primeira versão se chamava “Batalha de Anjos” e não teve grande público em 1940. Anos mais tarde, já um renomado dramaturgo, Williams reescreveu a peça, agora com o título “A Descida de Orfeu”, exatamente pensando em Anna Magnani e Marlon Brando nos papéis principais. Ambos se recusaram a protagonizar a peça nos palcos, mas aceitaram a oferta para as telas.

“The Fugitive Kind” was originated by a Tennessee Williams play first called “Battle of Angels”. This first version didn't have enough attendance in 1940 to keep running. Years later, when he was alredy a well-known playwriter, Williams rewrote the play, now under the title “Orpheus Descending”, exatcly thinking about Anna Magnani and Marlon Brando for the lead roles. Both refused to be involved in the stage production, but accepted the offer to star the version on the screen.

Era o projeto mais pessoal de Tennessee Williams, e aquele que só foi devidamente reconhecido após a morte do autor. A peça foi um fracasso na reestreia de 1957, o filme de 1960 foi um fracasso de bilheteria e a revista Films in Review o chamou de “uma desgraça para a cultura americana”. Marlon Brando, que havia recebido um milhão de dólares para interpretar Val, batendo um recorde salarial, viu ali o começo de uma má fase na carreira que só acabaria com Vito Corleone.

It was the most personal Tennessee Williams project, and one that only was recognized as a great piece after the author had died. The play was a failure in the 1957 re-opening, the 1960 film was a box-office failure and the magazine Film in Review called it “a disgrace to US culture”. Marlon Brando, who had received a million dollars to play Val, an unprecedent salary at the time, saw there the beginning of a bad phase in his career that would only end with Vito Corleone.
E Brando também não ficou feliz por a história pertencer, mesmo em momentos que não devia, a Anna Magnani. Magnani domina a tela, é o centro das atenções e consegue, de algum modo, domar até mesmo Marlon Brando, o indomável. Tennessee Williams sempre escreveu peças com grandes personagens femininas: “Um Bonde Chamado Desejo”, “A Rosa Tatuada”, “Gata em Teto de Zinco Quente”, “De Repente, no Último Verão”. Não poderia ser diferente com “A Descida de Orfeu” e sua adaptação para o cinema.

And Brando also got mad because the story belonged, even when it wasn't supposed to, to Anna Magnani. Magnani dominates the screen, is the focus of all attention and somehow is able to tame Marlon Brando, the wild one. Tennessee Williams always wrote plays with powerful female characters: “A Streetcar Named Desire”, “The Rose Tattoo”, “Cat in a hot tin roof”, “Suddenly, Last Summer”. It couldn't be different with “Orpheus Descending” and its film adaptation.
Ao mesmo tempo, é difícil pensar em Sidney Lumet como um diretor de grandes atrizes. Seus filmes mais conhecidos, como “Doze Homens e uma Sentença” (1957), “Um Dia de Cão” (1975) e “Equus” (1977), são todos muito masculinos em seu tema e com fortes atuações de atores. Mas há também outros trabalhos, talvez menos conhecidos, de Lumet com atrizes fantásticas, incluindo Katharine Hepburn em “Longa Jornada Noite Adentro” (1962), o elenco principal com foco feminino em “O Grupo” (1966) e a força visível de Anne Bancroft aliada à força apenas sugerida de Garbo em “Fala, Greta Garbo!” (1984).

At the same time, it's difficult to think about Sidney Lumet as a director working with great actresses. His best known movies, such as “12 Angry Men” (1957), “Dog Day Afternoon” (1977) and “Equus” (1977), have all very male themes and strong performances by actors. But there are also other works, perhaps less known, that Lumet did with fantastic actresses, including Katharine Hepburn in “Long Day's Journey into Night” (1962), the female-focused main cast in “The Group” (1966) and Anne Bancroft's visible strenght sewed together with Garbo's suggested strenght in “Garbo Talks!” (1984).
Marlon Brando, Sidney Lumet
Não foi uma filmagem fácil, a de “Vidas em Fuga”: os modos de trabalho de Brando, Magnani e Lumet eram conflitantes. Brando fez inimizades nos sets de vários de seus filmes, e não foi diferente aqui com Magnani e Woodward. Mas toda essa animosidade adiciona ao filme e é traduzida na tela com perfeição por um diretor sempre comprometido com o realismo, mesmo que este se tornasse doloroso.

The shooting of “The Fugitive Kind” wasn't easy: the way Brando, Magnani and Lumet worked were different and contrasting. Brando made enemies while shooting several of his films, and it also happened here with Magnani and Woodward. But all this animosity adds to the movie, and is translated to the screen with perfection by a director always committed to realism, even if at times it became painful.

This is my contribution to the Sidney Lumet blogathon, hosted by SeanMunger.com 
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