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sábado, 23 de abril de 2016

Frank e Ava: uma história de amor

Era uma vez Francis Albert Sinatra, nascido em Hoboken em dezembro de 1915, com uma voz maravilhosa e belos olhos azuis. No começo dos anos 40, ele atraiu multidões para seus shows, e logo depois estreou no cinema. Era uma vez Ava Lavinia Gardner, nascida na Carolina do Norte em dezembro de 1922, uma garota da fazenda cuja beleza foi notada por Hollywood e pouco aproveitada nos primeiros anos. O casal mais bonito do século XX era assim formado.

Once upon a time there was Francis Albert Sinatra, born in Hoboken in December 1915, with a marvelous voice and gorgeous blue eyes. In the early 1940s, he attracted crowds to his shows, and right after he became a movie star. Once upon a time there was Ava Lavinia Gardner,born in North Carolina in December 1922, a country girl whose beauty was noticed by Hollywood and was underused during her first years there. These were the ingredients of the prettiest couple of the 20th century.
O relacionamento de Frank e Ava poderia ser contado de muitas maneiras. Seria possível criar um reality show barato e de qualidade questionável em cima das brigas do casal. Seria possível encher um livro de fofocas sobre eles. Seria possível contar histórias impressionantes e proibidas para menores de 18 anos. Mas este blog não foi, não é e nunca será, um espaço para fofoca. Hollywood Babylon é outra coisa. O foco aqui será nos momentos bons do casal, aqueles momentos que ficam marcados na memória e que foram os responsáveis pela paixão eterna entre Frank e Ava.

Frank and Ava's relationship could be recounted in many ways. A cheap reality show could be created with their quarrels. A book could be written about them. Impressive X-rated stories could be told. But this blog isn't, has never been and will never be a place for gossip. Hollywood Babylon is somewhere else. Our focus here will be the good moments the couple shared, the ones responsible for their never ending passion.

Em 1948, Frank e Ava já haviam se encontrado algumas vezes. A primeira vez foi em 1940, quando Ava tinha acabado de chegar a Hollywood. Frank se lembra de que a considerou bonita, mas jovem demais para ele. Três anos depois, eles dançaram juntos em uma festa, mas Frank estava acompanhado de Lana Turner, e Ava, de Howard Hughes.

In 1948, Frank and Ava had met each other a few times already. The first one was in 1940, and Ava had just arrived in Hollywood. Frank remembered that he thought she was pretty, but too young. Three years later, they danced together in a party, but Frank was with Lana Turner and Ava with Howard Hughes.  
Em 1948, Ava Gardner já havia se casado duas vezes: primeiro com Mickey Rooney, depois com Artie Shaw. Os dois casamentos acabaram em divórcio. Em 1948, Frank estava ainda em seu primeiro casamento, e sua filha mais nova, Tina, tinha acabado de nascer. Em uma noite fatídica de 1948, Frank estava no terraço de sua cobertura em Hollywood e o amigo e compositor Sammy Cahn apontou a casa de Ava, descendo a Sunset Strip.

In 1948, Ava Gardner had already married twice: with Mickey Rooney, then with Artie Shaw. Both marriages ended in divorce. In 1948 Frank was still in his first marriage, and his younger daughter  Tina had just been born. In a fatidic night in 1948, Frank was in the balcony in his Hollywood penthouse, and his friend, composer Sammy Cahn, pointed to Ava's house, that was down Sunset Strip.

Maliciosamente, Frank a chamou, e a inconfundível voz de veludo foi reconhecida. Ava apareceu na janela e acenou. Dias depois eles se encontraram pessoalmente e começaram a sair. Em 1950, Frank se divorciou de sua esposa Nancy. Em 1951, ele e Ava se casaram em uma pequena cerimônia.

With malice, Frank called her, and his unmistakable voice was recognized. Ava waved from her window. A few days later they met and started to date. In 1950  Frank divorced his wife Nancy. In 1951, he and Ava had a small wedding ceremony.
Frank e Ava eram como dois compostos químicos, que até se misturavam, mas logo causavam uma violenta reação. Foi um relacionamento explosivo desde o começo, com sexo, álcool, traições, discussões e pedidos de desculpa. Para Frank Sinatra e Ava Gardner, a vida deveria ser encarada de maneira intensa.

Frank and Ava were like two chemical substances. They could even mix, but a violent reaction would follow. It was an explosive relationship since the beginning, with sex, alcohol, betrayal, arguments and apologies. In Frank's and Ava's opinions, life should be lived with intensity.

Quando o casamento começou a ruir, parecia a história de “Nasce uma Estrela”: a esposa ia conquistando mais e mais sucesso, enquanto o marido perdia seu lugar no show business. À frente de Ava estavam papéis icônicos em “Mogambo” (1953) e “A Condessa Descalça” (1954). Frank estava longe do cinema desde 1951, e via sua popularidade minguando com o surgimento do rock’n roll.

When the marriage started to go down, it was like the storyline of “A Star is Born”: the wife was becoming more and more successful, while the husband lost his place in show business. Ava would soon act in iconic films such as “Mogambo” (1953) and “The Barefoot Contessa” (1954). Frank didn't make a movie since 1951 and his popularity as a musician was going down with the rise of rock'n roll.
Em 1953, Sinatra conseguiu, graças à esposa, um papel no filme “A um Passo da Eternidade / From Here to Eternity”, que deu nova vida à sua carreira e lhe rendeu um Oscar. Na mesma época, Ava foi filmar na Europa. O relacionamento já cambaleava, e em 1954 Ava pediu o divórcio.

In 1953, thanks to his wife, Sinatra landed a part in the movie “From Here to Eternity”, the one that gave new life to his career and gave him an Oscar. At the same time, Ava went to work in Europe. The relationship was deteriorating, and in 1954 Ava asked for the divorce.

A separação definitiva só veio em 1957. Até lá, e mesmo depois, os encontros amorosos não pararam, muito menos as brigas. Frank e Ava continuaram próximos até a morte dela.

Definitive separation only came in 1957. Until there, and even later, the romantic dates and the fights didn't stop. Frank and Ava remained close until her death.

Do relacionamento sobrou um amor imenso e a paixão de Ava por Corgis. No Natal de 1953, Frank deu a Ava um Corgi, que batizou de Rags, e a partir daí esta se tornou a raça de cão favorita de Ava. Ela nunca mais dispensou a companhia dos Corgis. Após sua morte, em 1990, seu último cachorro, Morgan, foi viver com o amigo de Ava, Gregory Peck.

From the relationship there was left a huge love and Ava's passion for corgis. On Christmas Day, 1953, Frank gave Ava a corgi named Rags, and from then on the corgis became Ava's favorite dog breed. She never again was seen without a corgi. After her death, in 1990, her last dog, Morgan, went to live with her close friend Gregory Peck.
Ava Gardner nunca mais se casou. Frank Sinatra se casou mais duas vezes. Eles, entretanto, nunca esqueceram um do outro, e jamais superaram a separação. Frank e Ava são um caso não tão raro de um par perfeito arruinado pelo casamento. O casal mais bonito e explosivo de Hollywood não viveu feliz para sempre, mas o amor nunca acabou.

Ava Gardner never remarried. Frank Sinatra married two other times. Nevertheless, they never forgot each other, and never got over the separation. Frank and Ava are a not so rare case of a perfect match ruined by marriage. The prettiest and most explosive couple in Hollywood didn't live happily ever after, but there was always love.

*As informações deste post foram obtidas de textos escritos por James Kaplan, biógrafo de Frank Sinatra.

*Information in this post was taken from texts by Frank Sinatra's biographer James Kaplan.

This is my contribution to the Star-Studded Couple Blogathon, hosted by Laura at Phyllis Loves Classic Movies.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

No Entardecer da Vida / Forever Female (1953)

Você já imaginou como um grande filme da história do cinema seria se pertencesse a outro gênero? Por exemplo: e se “A Malvada / All About Eve” (1950) fosse uma comédia? Bem, neste caso nem precisa imaginar: “No Entardecer da Vida / Forever Female” (1953) tem muitos pontos em comum com a obra-prima dos bastidores do teatro!
A última peça de Beatrice Page (Ginger Rogers) foi duramente criticada, mas a atriz foi descrita como “radiante” nos jornais. Quem não concorda com isso é o dramaturgo Stanley Krown (William Holden), que, quando perguntado pela própria Beatrice, diz que faltou humildade na atuação da moça. Outra coisa que Stanley e seu agente observam é que Bea era velha demais para interpretar uma moça de 29 anos.
A nova peça de Stanley acaba esquecida numa mesa de restaurante, e o ex-marido e sempre produtor de Bea, Harry Phillips (Paul Douglas) leva o texto para casa para lê-lo. Na manhã seguinte, ele decide produzir a peça de Stanley, mas com uma condição: que o autor mude a idade de uma das protagonistas, uma pianista de 19 anos, para 29 anos, para que assim Bea possa interpretá-la.
Mas quem também quer o papel da jovem pianista é Sally Carver (Pat Crowley), uma atriz iniciante que muda seu nome artístico toda vez que seus negócios não dão certo. Sally fará de tudo para conseguir o papel, e durante seus esforços decide disputar com Bea também o amor de Stanley.
William Holden deveria ter aprendido que ser dramaturgo não é fácil com “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” (1950). Holden fez muito mais dramas que comédias durante sua carreira, e mesmo aqui ele é o que tem menos falas e situações cômicas. Juntos, Ginger Rogers e Paul Douglas são excelentes na comédia, e é uma pena que a carreira de Paul Douglas no cinema tenha durado apenas dez anos.
Pat Crowley faz sua estreia no cinema, e por sua atuação ganhou o Globo de Ouro de “Novata mais Promissora”, categoria extinta em 1983. Pat, entretanto, não fez tanto sucesso na tela grande e se dedicou mais às séries de televisão. Pat tinha 20 anos quando fez “No Entardecer da Vida / Forever Female” e é um excelente contraponto a Ginger Rogers, então com 42 anos. Ginger ainda está linda e radiante, mas sabemos como Hollywood e a Broadway funcionam: depois dos 40, os papéis mínguam para as mulheres.
O que impede “No Entardecer da Vida / Forever Female” de estar no mesmo patamar de “A Malvada / All About Eve” é a escolha de misturar romance na história, e fazer dele o novo foco. Vez ou outra, nesta curiosa história de amor, até torcemos por Sally e todas as suas maluquices verdadeiramente apaixonantes.
“Forever Female” é uma grata surpresa na filmografia de seus astros. Divertido na medida certa, sem esquecer o debate sobre como é difícil envelhecer no show business, é um filme do qual você pode nunca ter ouvido falar – mas que merece ser visto.


This is my contribution to The Golden Boy Blogathon, hosted by my friend Virginie at The Wonderful World of Cinema.

sábado, 9 de abril de 2016

Variações sobre um mesmo tema: Papai Pernilongo / Daddy-Long-Legs (1919, 1931 e 1955)

Depois de “Star Wars: O Despertar da Força / Star Wars: The Force Awakens” (2015) e do teaser de “Rogue One” (2016), ficamos nos perguntando: precisamos de mais heroínas no cinema? Sim, claro! Mas colocar mulheres no comando não é novidade no cinema, mas sim a retomada de uma realidade da era do cinema mudo e, claro, de algumas obras inesquecíveis da literatura mundial.
Jerusha 'Judy' Abbott (Mary Pickford / Janet Gaynor) é uma garota esperta e decidida que vive em um orfanato (na versão de Leslie Caron, o nome da personagem é Julie). Ela defende seus amigos mais novos e os anima. A inteligência de Julie chama a atenção do milionário Jervis (ou Jarvis, dependendo da versão) Pendetlon (Mahlon Hamilton / Warner Baxter / Fred Astaire), que decide apadrinhá-la, pagando os estudos dela na faculdade. A única coisa que Jervis pede em troca é que Judy lhe escreva contando como vão os estudos. A menina cumpre com o combinado, endereçando as cartas ao “Papai Pernilongo” (Daddy-Long-Legs), pois a característica mais marcante do tutor são suas longas pernas. Perto de terminar a faculdade, Judy conhece Jervis e se encanta com ele, mas tem de lidar também com seu pretendente, Jimmy McBride (Marshall Neillan / John Arledge / Kelly Brown).
Um pernilongo à esquerda e uma aranha Daddy-Long-Legs à direita
Daddy-Long-Legs”, o livro, foi publicado originalmente em 1912. Há um pequeno prólogo narrativo, e o resto da história se desenrola à nossa frente através das cartas que Judy escreve para seu tutor. A autora, Jean Webster, era sobrinha-neta de Mark Twain, se interessava pelos direitos das mulheres e viajou por muitos países. Em 1914 a história foi adaptada para o teatro e protagonizada por Ruth Chatterton. Em 1916, Jean Webster faleceu, aos 39 anos, devido a complicações no parto.
Daddy-Long-Legs” é leitura obrigatória em muitas escolas norte-americanas. Para os jovens de hoje que tomam contato com a obra a principal dúvida é: a relação entre Judy e Jervis é ou não pedofilia? No começo do livro, Judy tem 17 anos. Em 1919, Mary Pickford tinha 27 anos; em 1931, Janet Gaynor tinha 25 e em 1955, Leslie Caron tinha 24 anos. Jervis Pendetlon teria 20 anos a mais que Judy, portanto, sua idade seria 37. Em 1919, Mahlon Hamilton tinha 39 anos; em 1931, Warner Baxter tinha 42 anos e em 1955 Fred Astaire tinha 56 anos.
A diferença de idade pode ou não ser um tabu. Sempre foi comum que os homens mais velhos se casassem com mulheres mais novas (e no caso de Judy uma abordagem psicológica poderia até argumentar que ela procura em Jervis a figura paterna que nunca teve). Apenas nas últimas décadas foi possível ver casais formados por mulheres mais velhas e homens mais jovens. E o cinema imitava esta realidade.
No cinema, infelizmente até hoje, as mulheres começam a carreira com vinte anos ou menos, atingem o auge por volta dos trinta e aos quarenta já não são mais consideradas para papéis de destaque. Os homens começam a ter sucesso aos 30 e atingem o auge aos 40 ou 50 – e a morte é o limite. As atrizes parecem ter um “prazo de validade”, o que é ridículo, enquanto para os atores, uma vez galãs, sempre galãs.
Assim como sua estrela, o filme de 1919 é adorável. As travessuras da jovem Judy são mostradas com ótimos truques de câmera (incluindo aí a intrincada “visão dupla”) e também um perfeito uso de cartas manuscritas mostradas de vez em quando na tela. Há elegância nos intertítulos e composições, além de muitas metáforas. Mary Pickford foi também roteirista e produtora desta versão.
Na versão de 1931, Judy é a mais velha garota do orfanato, com uma imaginação fértil e muita vontade de tornar a vida das outras crianças menos difícil. Jervis é um homem jovial, que prefere jogar futebol com os meninos do orfanato a participar de reuniões chatas de benfeitoria, e a ideia de mandar Judy para a faculdade não vem dele, mas de uma benfeitora. Aqui está a mais ridícula chefe do orfanato, e também algumas insinuações por parte de Jervis. Janet Gaynor e Warner Baxter, àquela altura, já haviam ganhado um Oscar cada e estão muito bem juntos.
O Jervis de Fred Astaire é um homem muito moderno em uma família conservadora (no livro, Jervis é mostrado como a ovelha negra da família porque era socialista. OMG!). Ele vê a jovem órfã francesa Julie e, encantado com ela, decide adotá-la. Como isso não é possível, ele se contenta em enviá-la para fazer faculdade nos Estados Unidos. Anos depois, e muitas cartas depois, ele a reencontra e eles, obviamente, dançam até um final feliz, começando com o “Sluefoot”, passando por “Something’s Gotta Give” e terminando em um longuíssimo balé de celebração de Carnaval.
Há ainda mais versões da história para o cinema. Em 1935, muitas liberdades foram tomadas em “A Pequena Órfã / Curly Top”, filme estrelando Shirley Temple. Mas Shirley não interpreta o papel equivalente a Judy: este cabe a Rochelle Hudson. As personagens de Shirley e Rochelle são irmãs órfãs que são adotadas por um tutor misterioso, interpretado por John Boles. Além desta, há adaptações feitas na Holanda e na Coreia, além de um anime.
Mary, Janet e Leslie foram escolhidas para protagonizar a história por serem angelicais, mas também capazes de demonstrar força e coragem. Em 1955 o foco da história passou de Judy para Jervis, com modificações importantes. As versões de 1919 e 1931 são muito semelhantes e graciosas, mas a versão muda tem mais sucesso em transportar o romance epistolar para as telas, sem retirar a inteligência e determinação de Judy Abbott.

O Veredicto: As três versões são muito boas. Mas, se você precisar escolher apenas uma, veja o filme de 1919 com Mary Pickford.


This is my contribution to the Beyond the Cover Blogathon, hosted by Beth at Now Voyaging and Kristina at Speakeasy. Happy reading!

sábado, 2 de abril de 2016

Três... Ainda é Bom / Three on a Match (1932)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS.

THIS ARTICLE HAS SPOILERS.

Durante a Primeira Guerra Mundial, havia a superstição que dizia que, se três pessoas acendessem seus cigarros no mesmo fósforo, uma delas morreria em pouco tempo. Uma justificativa era que um fósforo aceso durante vários segundos chamaria a atenção do exército inimigo, e os três fumantes seriam bombardeados. Mais tarde, descobriu-se que essa superstição era só uma jogada de marketing para vender mais fósforos! Mas este filme da Warner Brothers de 1932 mostra que o melhor mesmo é acreditar nas superstições...

During World War First, there was a superstition saying that, if three people light their cigarrettes with the same match, one of them will die soon. One justification for the belief was that a match lit for several sconds would call the attention of the enemy, and the three people with the cigarrettes would be shot down or bombed. Later, it was discovered that this superstition was only a way companies found to sell more matches! But this Warner Bros film from 1932 shows us that sometimes it's better to believe in superstitions...
O ano é 1919. Vivian Revere, Mary Keaton e Ruth Westcott estudam juntas na Escola Pública número 62. Vivian é popular, Ruth é aplicada, e Mary desobedece às regras. Seis anos depois, Vivian (Ann Dvorak) está no colégio interno sonhando com romance, Ruth (Bette Davis) estuda datilografia e Mary (Joan Blondell) foi parar em um reformatório.

The year is 1919.Vivian Revere, Mary Keaton and Ruth Westcott study at Public School Number 62. Vivian is popular, Ruth is a bookworm and Mary doens't follow the rules. Six years later, Vivian (Ann Dvorak) is in boarding school dreaming about romance, Ruth (Bette Davis) suties typing and Mary (Joan Blondell) went to a reformatory.
O ano agora é 1930, e as três mulheres se reencontram. Vivian, apesar de ter uma vida considerada perfeita, está infeliz. Ela tem um marido rico e compreensivo, Robert Kirkwood (Warren William), um filho fofo e vive com luxo e conforto. Mesmo assim, ela confessa ter inveja das ex-colegas, que precisam trabalhar duro para conseguir o que querem.

The year is now 1930, and the three friends meet again. It looks like Vivian has a perfect life, but she is unhappy. She has a rich and understanding husband, Robert Kirkwood (Warren William), a cute son and lives with luxury and comfort. But she confesses she is jealous of her former mates, who must work hard to get what they want. 
Deprimida, Vivian vai fazer uma viagem internacional de navio e leva o filho consigo. Mary está no mesmo navio, se despedindo de um amigo. Mary apresenta seus conhecidos a Vivian que, depois de beber e dançar com um deles, Loftus (Lyle Talbot), ela decide que não vai mais viajar. Vivian vai viver com Loftus, e leva seu filho junto. Não vai demorar para que Mary e Ruth interfiram na situação, e tudo fica mais difícil quando criminosos aparecem para cobrar uma dívida de Loftus. Preste atenção: em um pequeno, mas importante, papel como criminoso está Humphrey Bogart!

Vivian is depressed, and decides to go on an international sea trip and takes her son with her. Mary is aboard the same boat, saying goodbye to a friend. Mary introduces her acquaintances to Vivian. After she dances and drinks with one of them, Loftus (Lyle Talbot), Vivian decides that she'll  leave her husband, live with Loftus and take her son with her. It don't be long until Mary and Ruth have to interfere, and everything gets more difficult when criminals appear to 'ask' Loftus to pay a debt. Pay attention: in a small, but important role as a criminal, we can see Humphrey Bogart! 
O filme tem apenas 63 minutos, e o foco é na personagem de Ann Dvorak. Seria interessante, entretanto, haver um aprofundamento na personagem de Joan Blondell, que certamente teria várias nuances e poderia nos surpreender. Bette Davis tem muito pouco a oferecer como a nerd da turma que precisa trabalhar duro e acaba se tornando... babá. Bette ainda estava no início da carreira, sofreu com a antipatia do diretor Mervin LeRoy e, embora tenha trabalhado em vários filmes pre-Code, são suas colegas de cena que ficaram mais associadas com esta época da história do cinema.

The film is only 63 minutes long, and focuses on Ann Dvorak's character. However, it'd be interesting if Joan Blondell's cahracter could be deeper explored: she certainly would have several nuances and could surprise us. Bette Davis has little to offer as the nerd girl who has to work hard and ends up as a … nanny. Bette was still in the beginning of her career, and she didn't get along with director Mervin LeRoy. Although Bette has worked in many pre-Codes, her two co-starring actresses are the ones most often associated with the pre-Code era.
Ann Dvorak, recém-saída de sua maior atuação em “Scarface – a Vergonha de uma Nação” (1932), está muito bem como protagonista. O filme funciona, obviamente, como uma lição de moral para as mulheres. Nos pre-Codes, é normal que mulheres casadas e com filhos sejam punidas quando traem o marido e abandonam a família. O mesmo não acontece com as mulheres solteiras que seduzem homens casados, e o exemplo mais contundente disso é Jean Harlow em “A Mulher Parisiense dos Cabelos de Fogo”, também de 1932.

Ann Dvorak, coming from her best performance in “Scarface” (1932), is a very good leadin lady. Thefilm works, obviously, as a cautionary tale for women. In pre-Codes, it's common that married women, with children, are punished when they leave their families. The same, however, doesn't happen to single women who get involved with married men, and the best example of this is Jean Harlow in “Read-Headed Woman”, also released in 1932.
Muitos filmes pre-Code são escandalosos mesmo para quem os vê no século XXI. “Três... Ainda é Bom”, entretanto, será melhor apreciado se olharmos para ele com a mentalidade de 1932. Há detalhes muito sutis que podem escapar a uma plateia acostumada a receber tudo muito bem explicado (exemplo: no GIF acima, o fato de Ann coçar repetidamente o nariz sugere que ela estava usando drogas. Você percebeu isto?). Outros fatos também ressoam com mais força para o público de 1932, como o sequestro de Junior que lembra o de Charles Lindbergh Jr, e também a própria moral da história de que uma vida boêmia e louca, a la Gatsby, leva à autodestruição. Veja, sim, este filme – mas usando seu cérebro como uma máquina do tempo.

Many pre-Code movies are scandalous even for today's standards. “Three on a Match”,  on the other hand, will be better appreciated if we look at it from 1932's perspective. There are very subtle details that may escape an audience that is used to have everything perfectly explained to them (for instance: in the GIF above, Ann scratching her nose several times suggests that she is using drugs. Have you realized that?). Other facts also were more meaningful for the 1932 audience, like Junior's kidnapping being so similar to Charles Lindbergh Jr's, and also the whole moral of the story: a crazy bohemain life, a la Gatsby, xcan only cause self-destruction. Yes, you must watch this film – but be sure to use your brain as a time machine while you do it. 

This is my contribution to the Bette Davis Blogathon, hosted by my friend Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.
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