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sábado, 27 de agosto de 2016

Mais uma Vez, Adeus / Goodbye Again (1961)

Eu nunca falei isso no blog, mas adoro Anthony Perkins. OK, OK, preciso confessar: tenho um crush nele. Fofo, talentoso, mas desperdiçado pelo preconceito e pelos estereótipos. E mesmo com toda essa admiração, nunca havia escrito nenhuma crítica de um filme estrelado por ele. Está na hora de mudar isso.

I never said this on this blog, but I adore Anthony Perkins. OK, OK, I must confess: I have a crush on him. Cute, talented, but wasted thanks to prejudice and stereotyping. And even with all my admiration, I had never written about a film starring him. It’s time to change this.
Paula Tessier (Ingrid Bergman) é uma decoradora de 40 anos, divorciada e aparentemente bem resolvida, vivendo em Paris. Ela tem um moderníssimo relacionamento aberto com Roger Desmarest (Yves Montand), e eles não pensam em casamento.

Paula Tessier (Ingrid Bergman) is a 40-year-old interior decorator, divorced and apparently happy who lives in Paris. She is in an über-modern open relationship with Roger Desmarest (Yves Montand), and they don’t think about getting married so soon – or ever.
Roger indica Paula para decorar o novo apartamento da excêntrica e distraída Teresa Van der Besh (Jessie Royce Landis). Com ela mora o filho playboy, Philip (Anthony Perkins), de 25 anos, que se apaixona por Paula. Tudo que ele precisa para conquistá-la é fazer uma pergunta: “você gosta de Brahms?”.

Roger sends Paula to decorate the new apartment bought by excenrtic and absent-minded Teresa Van der Besh (Jessie Royce Landis). Her carefree son Philip (Anthony Perkins) lives with her, and the 25-year-old young man falls in love with Paula. All he needs to do to conquer her is to make one question: “do you like Brahms?”.
O filme, apesar de ter sido feito há 55 anos, é moderníssimo. Com as investidas do rapaz, Paula passa a questionar se realmente ama Roger, e se ele a ama de volta. A relação de Paula e Roger, aliás, é algo que não se vê com frequência na ficção: sem meias palavras, completamente honesta.

The film was released more than 55 years ago, but it is incredibly modern. With the young man’s flirting, Paula starts to question if she really loves Roger, and if he loves her back. Paula and Roger’s relationship, by the way, is something we don’t see frequently in fiction: without white lies, completely honest.
Paula não tem medo de dizer o que pensa e o que sente, mesmo que o mais esperado era que ela escondesse que nutre afetos também por Philip. Ela é uma mulher incrível, e quando Roger se sente incomodado por ela passar tempo com Philip, ela retruca: e quando você fica falando dos seus casos com outras menininhas? A resposta dele? “Pelo menos isso é normal”. É uma frase muito machista, mas a dura verdade é que muitos homens pensavam assim em 1961 – e pensam ainda hoje. O filme está cheio de duras verdades.

Paula is not afraid to say what she thinks and feels, although the expected attitude was her hiding her feelings about Philip. She is an incredible woman, and when Roger feels uncomfortable because she spends time with Philip, she tells him: “You always made sure that I hear yours [stories about his love life] with your girls”. His answer? “At least that’s normal”. It is a very sexist sentence, but the bitter truth is that many men had this mentality in 1961 – and think the same even today. The film is full of bitter truths.
É interessante que a protagonista desta história seja interpretada justamente por Ingrid Bergman, uma mulher que não deixou falsos moralismos impedirem-na de viver um romance. É ainda mais interessante que Philip diz para Paula que sabe falar “eu te amo” em 13 línguas, quando o que Ingrid escreveu para o diretor Roberto Rossellini em uma carta foi: “de uma atriz [...] que em italiano só sabe falar 'ti amo'”.

It’s interesting that the leading lady is played by Ingrid Bergman, a woman who didn’t let false moralism stay between her and romance. It’s also interesting that Philip could mention to Paula he can say “I love you” in 13 languages, when in real life Ingrid wrote the following to Italian director Roberto Rossellini in a letter: “a Swedish actress […] in Italian knows only ‘ti amo’, I am ready to come and make a film with you.”.
E é também curioso que Ingrid esteja no centro daquele que provavelmente é o mais famoso triângulo amoroso da história do cinema: Rick Blaine, Ilsa Lund e Victor Laszlo em “Casablanca” (1942). O triângulo de “Mais uma Vez, Adeus” é tão confuso quanto o de “Casablanca”, e só poderia ter sido criado pela mente sagaz da escritora Françoise Sagan.

And it is also curious noting that Ingrid was in the center of the most famous love triangle in film history: Rick Blaine, Ilsa Lund and Victor Laszlo in “Casablanca” (1942). The love triangle in “Goodbye Again” is as complicated as the one in “Casablanca”, and could only have been created by the sagacious mind of novelist Françoise Sagan.
E Perkins? Bem, Anthony Perkins está muito convincente como Philip, e inclusive ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes por sua performance. Mas Ingrid, vestida por Dior, é quem brilha sempre neste filme pouco conhecido, mas tão bom quanto Casablanca.

What about Perkins? Well, Anthony Perkins is very convincing as Philip, and his performance earned him the Best Actor prize in the Cannes Festival. But Ingrid, dressed by Dior, is the one who shines in every moment of this little known film. Little known, but as good as Casablanca.

This is my contribution to the 2nd Wonderful Ingrid Bergman Blogathon, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

At the Circus! Blogathon

Respeitável público! 2016 é um ano de grandes conquistas para esta blogueira que vos escreve. Comecei a escrever posts bilíngues e me orgulhei de ter criado os infográficos deste artigo sobre Alberto Cavalcanti. E agora é hora de dar mais um grande passo.

Ladies and gentlemen of the audience! 2016 is a great year in blogging for me. I started writing bilingual posts and was particularly proud of the infographics I created for this article about Alberto Cavalcanti. And now it's time for another big step.

Este blog sobrevive graças às blogagens coletivas, e chegou a hora de realizar um sonho, que já esteve até entre minhas resoluções de ano novo: ser hostess de uma blogagem coletiva. E a ideia do tema veio quando eu via “O Circo” (1943), estrelado por Cantinflas, que nada mais é que um remake mexicano do filme de 1928 de Charles Chaplin.

This humble blog survives thanks to blogathons, and now it's time for me to accomplish a dream that once was among my New Year's resolutions: host my own blogathon. The idea for the theme came when I was watching “El Circo” (1943), starring Cantinflas. This film is the Mexican remake of the 1928 famous Chaplin film.
Abram espaço no picadeiro para At the Circus Blogathon, idealizada por mim e pela querida Summer do blog Serendipitous Anachronisms, umas das blogueiras que mais gosto de ler e de quem me aproximei recentemente. Summer topou minha ideia e estamos juntas neste circo!

Open space in the arena for the At the Circus Blogathon, hosted by me and by dear Summer from the blog Serendipitous Anachronisms! Summer is one of my favorite bloggers and one that I got to know better in the last year or so. Summer liked my idea and now we are together in this circus!

As regras para ser admitido no show são simples:

The rules to be admitted to the show are simple:

Escreva posts relacionados ao maravilhoso mundo do circo! A ação do filme pode se passar toda no circo, ou apenas uma parte dela. Não temos preconceitos: circos itinerantes e freak shows também são bem-vindos!

Write posts about the wonderful world of circus! The film may be set in the circus in its entirety or only have a scene in a circus. We have no prejudice: carnivals and freak shows are also welcome!

Sem limite de data: escreva sobre filmes feitos em qualquer época.

No limits of date: write about movies made in any era.

Sem limite geográfico: escreva sobre filmes feitos em qualquer país (eu estou pensando em você, “A Estrada da Vida”).

No geographic limit: write about movies made in any country (I’m looking at you, “La Strada”).
Não aceitamos duplicatas. Cada mágico deve fazer um truque diferente do outro, certo?

No duplicates. Each magician must perform a different trick to be accepted in our circus, OK?

Sem posts reciclados: só conteúdo novo. Você quer apresentar um número inédito para a plateia, certo?

No recycled posts, only new content. You want to present a new number to the audience, right?

Comente aqui ou deixe no Twitter (@startspreading / @kitschmeonce) o tema de sua escolha.

Comment in this post or get in touch with us on Twitter (@startspreading / @kitschmeonce).

Pegue um pôster e ajude a divulgar nosso show! Use também a hashtag #AtTheCircus.

Grab the bills (as we call the posters in circus slang) and spread the world! Also use the hashtag #AtTheCircus on social media!












As atrações:

The attractions:

Crítica Retrô                                        
Lon Chaney’s circus films

Serendipitous Anachronisms  
Annie Get Your Gun


Movie Movie Blog Blog               
At the Circus (1939)
La Strada (1954)

Cinema Parrot Disco                   
Freaks (1932)

Wide Screen World                      
Roustabout (1964)
Houdini (1953)

Movies, Silently                             
Circus Clowns (1922)
Big Fish (2003)
Something Wicked this Way Comes (1983)

Recap Retro                             
Five Men in the Circus (1935)

Weegie Midget                        
The Walk (2015)

Cinema Cities                           
Nightmare Alley (1947)

Caftan Woman             
Charlie Chan at the Circus (1936)
Behind the Makeup (1930)

Polly of the Circus (1932)

The Wonderful World of Cinema
Trapeze (1956)

Silents and Talkies
Circus Queen Murder (1933)

Moon in Gemini
Sawdust and Tinsel (1953)

Laura's Miscellaneous Musings
The Big Circus (1959)

B Noir Detour
The Cabinet of Doctor Caligari (1919)

A Person in the Dark
Sunny (1930)

In the Good Old Days of Classic Hollywood
The Circus (1928)

Once Upon a Screen
Dumbo (1941) and Big Top Bunny (1951)

Paula's Cinema Club
I'm No Angel (1933)

Virtual Virago
Captive Wild Woman (1943)

Love Letters to Old Hollywood
Billy Rose's Jumbo (1962)

Wolffian Classics Movie Digest
7 Faces of Doctor Lao (1964)

Silver Scenes
The Greatest Show on Earth (1952)

Christina Wehner
Lili (1953)

The Midnite Drive-In
Killer Klowns from Outer Space (1988)

Big V Riot Squad
Chaplin's unfinished "The Professor"

Old Hollywood Films
Susan Lennox: Her fall and rise (1931)

The Movie Rat
Stephen King's IT (1990) 

Movie Rob 
Shadows and Fog (1992) and Bronco Billy (1980)

Speakeasy
The Dark Tower (1943)

Thoughts All Sorts
Cirque du Soleil: Worlds Away (2012)

It came from the man cave!
Cirque du Freak: The Vampire's Assistant (2009)

Champagne for Lunch
A Bug's Life (1998)

Crimson Kimono
Ring of Fear (1954)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Don Juan (1926)

A sinopse do IMDb é simples, direta e engraçada: “o mulherengo misógino Don Juan se apaixona por garota do convento”. O papel do famoso Don Juan fica por conta do excelente John Barrymore, em um filme de 1926 que estava destinado a entrar para a história graças a uma ousadia pontual da Warner Brothers.

The IMDb synopse is simple, direct and laughable: “Misogynistic skirt chaser Don Juan falls for convent girl”. The role of famous womanizer Don Juan is played by brilliant John Barrymore in a 1926 film that made history because of a daring technological move from Warner Brothers.
A fama de conquistador de Don Juan vem de… um trauma de infância. Juanzito viu seu pai, Don José (também interpretado por John Barrymore) expulsar a mãe infiel de casa. Depois disso, Don José tomou gosto por orgias, até ser morto por uma de suas amantes ciumentas. Suas últimas palavras para o filho? “Conquiste o amor das mulheres pelo mundo, depois sorria e as esqueça”.

Don Juan's fame came from... a childhood trauma. Juanzito saw his father, Don Jose (also played by John Barrymore) kicking his unfaithful mother out of the house. Then Don Jose started hosting orgies, and finally was killed by one of his jealous lovers. His last words to his son? “This is my legacy to you – beware of giving your love to women. Go out into the world and take their love when it please you – smile – and forget!”
Ele segue o conselho à risca, colecionando conquistas em seu belo castelo na Espanha. Sua fama chega aos ouvidos de Lucrécia Bórgia (Estelle Taylor), que o convida para uma festa no palácio dos Bórgia. Curioso, ele vai à festa, e lá se apaixona por Adriana della Varnese (Mary Astor), uma jovem noviça que é também filha de um inimigo político dos Bórgia.

He follows dad's advice and has a collection of conquests in his veutiful castle in Spain. His reputation becomes known to Lucrezia Borgia (Estelle Taylor), who invites him to a party at the Borgia palace. He gets curious and decides to attend the party. There he falls in love with Adriana della Varnese (Mary Astor), a young convent girl who is also the daughter of a political enemy of the Borgias.
John Barrymore, atlético de legging, é sedutor, mas falta algo para ser o amante latino perfeito. Durante todo o tempo me lembrei de Douglas Fairbanks, que um ano antes também seduziu Mary Astor em “O Filho do Zorro”. John traz dramaticidade ao papel de Don Juan, mas se Douglas estivesse em seu lugar, haveria mais carisma e aventura. Seria mais fácil torcer para Don Juan se ele fosse interpretado por Douglas Fairbanks. Com John, ele é um babaca que de repente muda ao se apaixonar. Difícil de acreditar nisso.

John Barrymore, athletic in his leggings, is seductive, but there is something missing for him to be the perfect Latin lover. During all the film I was thinking about Douglas Fairbanks, who, in the previous year, also seduced MaryAstor in “Don Q Son of Zorro”. John brings drama to his Don Juan, but if Douglas was in his place, ther would be more charisma and adventure. It'd be easier to root for Don Juan if he was played by Douglas Fairbanks. With John, he is a womanizer who suddenly changes when he falls in love. It's hard to believe in it.
Os cenários são realmente deslumbrantes. Outro destaque curioso é a dama de companhia de Lucrécia, Mai, interpretada por Myrna Loy. O irmão Cesare Bórgia é interpretado por Warner Oland, ator sueco que na década seguinte interpretaria o detetive Charlie Chan.

The sets are breathtaking. Someone to keep your eyes on is Lucrezia’s lady-in-waiting, Mai, who is played by Myrna Loy. Lucrezia’s brother, Cesare Borgia, is played by Warner Oland, a Swedish actor who would play Charlie Chan in the 1930s.
Existe química entre John Barrymore e Mary Astor? Bem, eu diria que há mais medo por parte de Adriana, que é a personificação perfeita da donzela indefesa, e uma obsessão não necessariamente saudável por parte de Don Juan. Mas John e Mary já eram velhos conhecidos: John foi o primeiro amor de Mary, quando ela tinha 17 anos e ele, 42. Eles se conheceram nas gravações de “Beau Brummel” (1924) e tiveram uma relação conturbada, impedida pela vigia constante dos pais de Mary, que estavam mais preocupados com a fonte de renda que com a felicidade da filha.

Is there chemistry between John Barrymore and Mary Astor? Well, I’d say that Adriana shows more fear than passion, making her the perfect personification of the damsel in distress. Don Juan, on the other hand, shows a not very healthy obsession with the lady. But John and Mary were old acquaintances: John was Mary’s first love, when she was 17 and he was 42 years old. They met while doing “Beau Brummel” (1924) and had a difficult relationship that wasn’t consummated because Mary’s parents were always after her. Great parenting? Not really, because they were more concerned with the loss of her career than with her happiness.

Foi Barrymore que quis contracenar com Astor em “Beau Brummel”. Dois anos depois, ele quis trabalhar novamente com ela, mas a atriz escalada para “The Sea Beast” foi Dolores Costello, por quem John também se apaixonou, desta vez, perdidamente. Ele até tentou que Dolores fosse contratada para interpretar Adriana em Don Juan, mas a quadrilha amorosa voltou ao começo com Mary Astor sendo a escolhida – e trabalhando com bastante tristeza.

It was Barrymore who wanted to work with Astor in “Beau Brummel”. Two years later, he wanted her again as his leading lady, but Dolores Costello was cast. John also fell in love with Dolores, and stated “That time I knew I was right”. He even tried to secure Dolores the role of Adriana in Don Juan, but the love story went full circle with Mary Astor being cast – and going to work heartbroken.
Don Juan merece um lugar nos livros de história do cinema porque foi o primeiro passo para a Warner revolucionar o mundo cinematográfico. Don Juan foi o primeiro filme com som sincronizado através do sistema Vitaphone, idealizado pela Warner e que no ano seguinte evoluiria para o primeiro filme com diálogos, “O Cantor de Jazz”, este sim o grande revolucionário. O Vitaphone acabou sendo abandonado pela Warner quando outro sistema, o Movietone da MGM, se mostrou superior para gravar áudio sincronizado, mas sem o Vitaphone o som demoraria um pouquinho mais para chegar ao cinema.

Don Juan deserves a place in film history books because it was the first step for Warner to revolutionize the film world. Don Juan was the first film released with a synchronized soundtrack due to the Vitaphone system, created by Warner and then developed to make the first film with spoken dialog the following year, “The Jazz Singer”. Vitaphone was abandoned by Warner when another system, MGM's Movietone, was considered superior at recording synchronized audio. But, without Vitaphone, sound would take a little longer to arrive at the movies.
Carismático e fazendo suas cenas sem dublê, Barrymore é um dos destaques do filme (além da presença sempre luminosa de Myrna, claro). Ele também foi um homem muito conquistador, embora sua trajetória tenha sido bem menos heroica. Ora, Barrymore foi, à sua maneira, um Don Juan, e sua redenção veio com seu maior talento: o de atuar.

Charismatic and doing his own stunts, Barrymore is one of the highlights in the film (besides Myrna’s luminous presence, of course). He was also a man of several women, although his life was much less heroic. Well, Barrymore was, in his own way, a Don Juan, and his redemption didn’t come from a woman, but from his greatest talent: acting.

This is my contribution to the Second Annual Barrymore Trilogy blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

sábado, 13 de agosto de 2016

A Sombra da Guilhotina / Reign of Terror (aka The Black Book, 1949)

Uma narração policial abre o filme. Tudo muito noir e comum, se a narração não estivesse nos apresentando os protagonistas da fase mais sangrenta da Revolução Francesa. Quando alguns minutos se passam e as lições de história da época da escola são refrescadas na memória, tudo faz sentido: com muitas conspirações, traições e assassinatos, a Revolução Francesa é a época ideal para se ambientar um filme noir.

A policial narration opens the movie. This is very common in noir, but the odd thing is that the narration is presenting was the characters of the bloodiest phase of the French Revolution. When some minutes pass and the history lessons from school come back to our minds, everything makes sense: with a lot of conspiracy, treason and murder, the French Revolution is the perfect time for a film noir to be set.
O nome de todos os inimigos da França e os crimes que podem condená-los estão escritos em um livro de capa preta, que acaba de ser roubado. Robespierre (Richard Basehart) contrata o sanguinário carrasco Duval (Charles Gordon) para achar o livro em 24 horas. Chegando em Paris, Duval é emboscado e assassinado por Charles D’Aubigny (Robert Cummings), que toma seu lugar, uma vez que nenhum dos aliados de Robespierre conhecia Duval pessoalmente.

The names and crimes of all 'enemies of France' are writen in a black book that has just been stolen. Robespierre (Richard Basehart) hires sanguinary killer Duval (Charles Gordon) to find the book within 24 hours. Arriving in Paris, Duval is murdered by Charles D'Aubigny (Robert Cummings), who takes his place without problems, since Robespierre and his allies didn't knew Duval in person.
Tudo é parte de um grande plano para impedir o louco Robespierre de se tornar ditador. A rede de conspiração está em todo lugar: nos bares, em passagens secretas e até nas feiras de Paris. Mas é muito perigoso fazer parte desta rede. Uma das integrantes dela é Madelon (Arlene Dahl), uma velha e íntima conhecida de Charles.

Everything is part of a big plan to prevent crazy Robespierre from becoming dictator. The conspiracy network is everywhere: in bars, in secret passages and even in the marketplaces in Paris. But it is very dangerous to be part of this network. One of the conspirators is Madelon (Arlene Dahl), Charles's old and intimate acquaintance.
Não é apenas porque a fotografia é em preto e branco que o filme é considerado noir. A característica noir principal de “A Sombra da Guilhotina” é seu imaginativo e expressivo uso da iluminação. E quem está por trás disto é o habilidoso cinegrafista John Alton, que também trabalhou em “A Cicatriz” e “Demônio da Noite”, ambos de 1948.

It’s not only because of the black and white photography that we classify this film as noir. The main noir characteristic in “Reign of Terror” is its imaginative and expressive use of light. And the guy who does that is the talented cinematographer John Alton, who also worked in “The Scar” and “He walked by night”, both from 1948.
Há momentos em que as sombras são usadas com maestria e também closes expressionistas e exagerados nos rostos de alguns personagens. Os ângulos escolhidos são inusitados, a luz de velas é artificializada ao extremo e sombras aparentemente inúteis (como a da janela no primeiro encontro de Robespierre com Barras e Fouché) gritam noir em um filme histórico.

There are shadows used with mastery and also expressionist, exaggerated close-ups are used in some characters’ faces. The chosen angles are daring, the candlelight is made artificial to extreme, and the apparently useless shadows (like the one coming from the window, when Robespierre first meets Barras and Fouché) scream noir in a historical film.
“A Sombra de Guilhotina” foi feito, vejam só, por um dos estúdios menores de Hollywood, o nanico Republic. Como todo estúdio poverty row, a Republic também usava cenários reciclados dos estúdios maiores, e aqui não foi diferente: estão irreconhecíveis os cenários reutilizados de “Joana D’Arc”(1948). O que luz e fotografia não são capazes de fazer com um set de filmagem!

“Reign of Terror” was made, mind you, by a small poverty row studio called Republic. As many poverty row studios did, Republic also recycled sets from bigger studios, and does it here: the sets were previously used in “Joan of Arc” (1948), but you can’t easily tell they are the same. Black and white photography and proper cinematography can make a huge difference in a movie set!
E a Republic tinha naquela época ainda um homem que não havia sido maculado pelo faroeste: Anthony Mann, aos poucos conquistando seu lugar ao sol. Mann era um dos maiores talentos da Republic e “A Sombra da Guilhotina” é uma de suas obras menos celebradas.

And Republic had then a man not yet touched by westerns: Anthony Mann, who was slowly getting his place in the Sun. Mann was one of the most talented employees from Republic and “Reign of Terror” is one of his less celebrated great films.
E como você se sentiria estando no lugar de Charles? Quando estudamos sobre governos ditatoriais e outros problemas da história, sempre pensamos que poderia ter sido diferente. E foi por causa de gente como Charles que a história não foi ainda pior. É muito difícil, sofrido e perigoso ser como Charles e se arriscar para mudar o rumo da história. É mais seguro e cômodo e uma questão de sobrevivência ficar no seu canto, sem se rebelar contra o mal. Mas felizmente existem homens como Charles, que querem mudar o mundo. E felizmente existem filmes como “A Sombra da Guilhotina” para que todos possamos nos colocar ao menos uma vez no lugar dos homens mais destemidos.

And how would you feel if you were in Charles’s place? When we study about dictatorial governments and other historic mishaps, we always thing what could have been different. And it was because of people like Charles that history wasn’t even worse. It’s very difficult, sad and dangerous to be like Charles and risk yourself to change history. It’s safer and a matter of survival to be quiet in your place, without rebelling against evil. But fortunately there are men like Charles wanting to change the world. And fortunately there are films like “Reign of Terror” so we all can at least once put ourselves in the place of the most fearless men.

This is my contribution to the Film Noir Blogathon, hosted by Quiggy at The Midnite Drive-In.
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