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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Uma Página de Loucura / A Page of Madness (1926)

Eu adoro receber recomendações de filmes – em especial quando estes filmes são recomendados por pessoas cultas. Eu confio no gosto da Nora Fiore (mais conhecida como The Nitrate Diva) em relação a filmes. Ela é uma jovem da geração millennial que, além de inteligente e talentosa, ama tanto clássicos quanto eu. Por isso eu adicionei “Uma Página de Loucura” (1926) à minha lista de filmes assim que ela o recomendou neste post.

I love movie recommendations – especially when they come from knowledgeable people. I really rely on Nora Fiore’s (aka The Nitrate Diva’s) taste on film. She is a wise and talented millennial who shares my passion for classics. That’s why I added “A Page of Madness” (1926) to my watch list when she recommended the film in this post.

Enquanto a chuva cai lá fora, os pacientes em um hospício são acompanhados apenas por seus delírios. Uma garota dança sem parar em sua cela, imaginando que é uma bailarina ou uma deusa, e os trovões são os instrumentos criando a música para sua performance. Uma mulher está deitada no chão de sua cela, e apenas olha pra cima para ver o zelador. Mas há muito neste olhar: o zelador e a paciente são marido e esposa. Ele quer que ela, e todos os outros pacientes, sejam libertados daquele inferno.

While the rain falls outside, the patients inside an insane asylum are left with their deliriums. One girl dances nonstop in her cell, imagining she is a performer or a goddess, and the thunders are the instruments making the music for her ballet. A woman lies on the floor of her cell, only looking up to see the janitor. But there is a lot in this look: the janitor and the patient are husband and wife. He wants to take her, and eventually all patients, out of that hell.

Você percebeu que eu usei a palavra “cela” em vez de “quarto” para me referir ao espaço que cada paciente ocupa, não? Bem, eu tenho razões para a escolha da palavra: este é, de fato, um ambiente que parece uma prisão. Há um portão de ferro na entrada da ala, e cada paciente é também preso atrás de grades.

You noticed that I wrote “cell” instead of “room” to talk about the space each patient has, didn’t you? Well, I have a reason: it is, indeed, an environment like a prison. There is an iron gate made in the room entrance, and each patient is also kept behind bars.
É possível ver reflexos de muitos filmes e movimentos nesta película. A influência de Caligari é a mais óbvia: “Uma Página de Loucura” conta uma história que se passa em um hospício, e tem muitas sombras. Há tomadas angulosas e de cabeça para baixo. Ângulos de câmera ousados e truques com a câmera dão origem a imagens distorcidas.

You can see many films and movements reflected in this film. The Caligari influence is the most obvious: “A Page of Madness” is a film set in an insane asylum, and has lots of shadows. There are angular and upside-down shots. Unusual camera angles and wise camera tricks create distorted images.

Em muitos momentos, a edição é tão frenética e nauseante quanto o melhor de Eisenstein. Isso acontece logo no começo do filme. Na teoria da montagem soviética, a maneira e velocidade com que as imagens são editadas evocam um sentimento ou ideia. Em “Uma Página de Loucura”, a montagem nos ajuda a entrar nas mentes dos pacientes.

In many moments, the editing is as frantic and dizzying as the best Eisenstein. This happens right in the beginning of the movie. In the Soviet montage, the way and speed images are edited together evoke a feeling or idea. In “A Page of Madness”, the montage actually helps us enter the patients’ minds.

Assim como “A Última Gargalhada” (1924), de Murnau, “Uma Página de Loucura” não tem intertítulos. Algumas pessoas podem pensar que aí está a genialidade do filme, enquanto outras podem ficar incomodadas e confusas com a falta de explicações. Você consegue entender perfeitamente a narrativa de “A Última Gargalhada”, mas em “Uma Página de Loucura” muitas hipóteses podem surgir devido à ausência de intertítulos. Não nos esqueçamos que o cinema nunca foi mudo no Japão – até os anos 1930, ele foi narrado por artistas conhecidos como Benshi.

Just like Murnau’s “The Last Laugh” (1924), “A Page of Madness” has no intertitles. Some people may think this is where the geniality of the film lies, while others may be bothered and confused by the lack of explanation. If you can understand perfectly what is going on in “The Last Laugh”, in “A Page of Madness” many hypothesis and interpretations are originated from the lack of intertitles. Let’s not forget that there was never a truly silent cinema in Japan – until the 1930s, movies were narrated by artists called Benshi.

Devemos nos lembrar de que “O Gabinete do Dr Caligari” estreou em 1920, os filmes soviéticos com edição ousada como “Greve” e “O Encouraçado Potemkin” são, respectivamente, de 1924 e 1925, e “A Última Gargalhada” estreou em 1924. Estes filmes chegaram ao Japão em tempo de influenciar “Uma Página de Loucura”?

We must remember that “The Cabinet of Dr Caligari” was released in 1920, the heavily edited Soviet movies “Strike” and “Battleship Potemkin” are, respectively, from 1924 and 1925, and “The Last Laugh” was released in 1924. Did all these works arrive in Japan in time to influence “A Page of Madness”?

“O Gabinete do Dr Caligari” certamente chegou a tempo: de acordo com o IMDb, o filme estreou no Japão em 1921. “A Última Gargalhada” foi visto cinco vezes pelo diretor Teinosuke Kinugasa, que inclusive o classificou como seu filme favorito em uma entrevista em 1926. De acordo com o IMDb, os filmes soviéticos só foram exibidos no Japão nos anos 60. Kinugasa tinha outras influências em mente quando filmou “Uma Página de Loucura”.

“The Cabinet of Dr Caligari” certainly arrived in time: according to IMDb, the film was released in Japan in 1921.”The Last Laugh” was seen five times by director Teinosuke Kinugasa, who also cited it as his favorite film in an interview in 1926. According to IMDb, the Soviet films were seen in Japan only in the 1960s. Kinugasa had other influences in mind when he was shooting “A Page of Madness”.
Teinosuke Kinugasa
O mundo todo estava fazendo experimentos nos anos 20. Nas artes, havia o Surrealismo, Dadaísmo, Art Deco e Expressionismo. É possível ver um pouco de cada um em “Uma Página de Loucura”. Kinugasa também tinha um grupo envolvido com vanguardas artísticas trabalhando para ele atrás das câmeras. No circuito cinematográfico, havia muitas discussões no Japão acerca dos filmes Impressionistas de Abel Gance e Marcel L’Herbier.

The whole world was experimenting in the 1920s. In the arts, we had Surrealism, Dadaism, Art Deco and Expressionism. You can see a little bit of them all in “A Page of Madness”. Kinugasa also had a group of avant-garde lovers helping him behind the cameras. In the film circles, there was a lot of discussing in Japan about the Impressionist works by Abel Gance and Marcel L’Herbier.

“Uma Página de Loucura” pode assustar você, com certeza – especialmente se você tiver alguma coisa contra máscaras sem expressão. Eu ficaria assustada se tivesse visto este filme quando era mais nova. Mas o terror real é perceber como eram – e infelizmente ainda são – tratadas as pessoas que não se encaixam no padrão de “sanidade”.

“A Page of Madness” can scare you, sure – especially if you have something against expressionless masks. I’d be scared if I watched this film when I was younger. But the real horror here is realizing how badly people who don’t follow a “sanity” pattern were – and unfortunately still are – treated.

Talvez você ame “Uma Página de Loucura”. Talvez você o odeie. Talvez você tenha de assisti-lo muitas vezes, e a cada vez encontrar novos significados. Mas você não poderá ficar indiferente em relação a “Uma Página de Loucura”.

You may love “A Page of Madness”. You may hate it. You may have to watch the movie several times and, each time, find more meanings. But you can’t be indifferent after watching “A Page of Madness”.


This is my contribution to the Horrorathon, hosted by Maddy at Maddylovesherclassicfilms.

sábado, 21 de outubro de 2017

O Bígamo / The Bigamist (1953)

Na era clássica de Hollywood, havia poucas mulheres diretoras. Obviamente, havia algumas mulheres fazendo filmes experimentais, mas dentro dos estúdios, com acesso a um bom elenco, equipe e orçamento, havia apenas duas: Dorothy Arzner e Ida Lupino. Arzner trabalhou nos anos 30 e 40, e Lupino veio logo depois, trabalhando nos anos 50 e 60. Ida Lupino dirigiu 41 filmes e episódios de séries e TV entre 1939 e 1968. Hoje falaremos de um de seus mais conhecidos filmes, “O Bígamo”, de 1953.

In the classic Hollywood era, there were very few female directors. Sure, there were some doing experimental work, but inside the big studios, with access to a good cast, crew and budget, there were only two: Dorothy Arzner and Ida Lupino. Arzner worked in the 1930s and 40s, and Lupino came next, working in the 1950s and 60s. Lupino directed 41 movies and TV episodes between 1939 and 1968. Today we’ll talk about one of her most famous movies, 1953’s “The Bigamist”.

Harry Graham (Edmond O’Brien) e sua esposa Eve (Joan Fontaine) querem adotar uma criança. Eles vão até uma agência de adoção e preenchem a papelada. O próximo passo é uma rápida investigação sobre a vida do casal, levada a cabo pelo senhor Jordan (Edmund Gwenn). Harry se mostra relutante e desconfortável com a investigação. O casal Graham vive em San Francisco, mas Harry viaja com frequência para trabalhar em Los Angeles. O senhor Jordan segue Harry até LA, e descobre que ele tem uma segunda família, completa com um filho bebê e uma esposa, Phillys (a própria Ida Lupino).

Harry Graham (Edmond O'Brien) and his wife Eve (Joan Fontaine) want to adopt a child. They go to an adoption agency and fill in all the forms. The next step is a quick investigation about their lives, made by Mr Jordan (Edmund Gwenn). Harry is reluctant and uncomfortable about this investigation. The Grahams live in San Francisco, but Harry travels often to Los Angeles to work. Mr Jordan follows Harry until LA, and finds out he has another family there, complete with a baby son and a wife, Phyllis (Ida Lupino herself).

Depois de descobrirem que não podem ter filhos, Harry e Eve começam a trabalhar juntos na área de vendas, e ela rapidamente dobra os lucros dele. Ela fica cada vez mais interessada no trabalho. Ele fica cada vez mais frustrado com o novo interesse dela. Quando vai para Los Angeles para uma viagem entediante, ele faz um passeio de ônibus e conhece uma mulher igualmente entediada – Phyllis. Com o tempo, o relacionamento deles se desenvolve.

After finding out they couldn't have children, Harry says Eve started working with him in the sales business, and quickly doubled his sales. She becomes more and more invested in working. He becomes more and more bummed by her new interest. When he goes to a boring business trip to Los Angeles, he takes a bus tour and meets an equally bored woman – Phyllis. With time, they get involved.
Há traços do noir em “O Bígamo”? Claro. Primeiro, você tem uma história contada em flashback. E várias escolhas estilísticas são puro noir: a inclusão de lâmpadas no enquadramento e as muitas sombras que têm origens em cortinas, janelas e paredes, por exemplo. Entretanto, não é um noir, não é um drama familiar, não é de maneira alguma um romance. Mas é real, e é uma golfada de ar fresco no sistema de estúdio, que na maioria das vezes trabalhava como uma linha de produção.

Are there noirish traces in “The Bigamist”? Sure. First, you have a story told in flashback. Also, many stylistic choices scream noir: the inclusion of lamps in the frame and the many shadows cast by curtains, windows and walls, for instance. However, it's not a noir, it's not a family drama, it's not a romance at all. But it's real, and it's a blow of fresh air in the studio system, that more often than not worked like an assembly line.
Não era a primeira vez que Joan Fontaine interpretava uma personagem com problemas conjugais – quem pode se esquecer de seu trabalho em “Rebecca” (1940), como a segunda senhora De Winter? Sim, Harry até tenta confessar para Eve que a está traindo quando a traição ainda nem havia sido consumada, mas ela muda de assunto. Neste exato momento do filme, vemos como Eve é insegura. Infelizmente, Joan Fontaine não tem muito mais o que fazer a não ser mostrar algumas expressões faciais significativas perto do final.

It was not the first time Joan Fontaine played a character with marital problems – who can forget her work in “Rebecca” (1940), as the second Mrs De Winter? Sure, Harry does try to tell Eve about his cheating when it wasn't even cheating yet, but she changes the subject. In this exact moment in the film, we see how insecure Eve is. Unfortunately, Joan Fontaine doesn't have much more to do than to showcase some meaningful facial expressions near the end.

E é muito interessante saber que Ida Lupino e Joan Fontaine foram quase rivais de verdade na vida amorosa. A história não é tão surpreendente ou patética quanto a do filme: o roteirista Collier Young, sócio de Lupino na produtora independente The Filmakers, foi casado com Ida Lupino entre 1948 e 1951. Um ano depois, ele se casou com Joan Fontaine, com quem ficou até 1961. A situação não criou um clima ruim nos bastidores de “O Bígamo”, e com frequência os dois casais socializavam – Collier e Joan, Ida e seu novo marido, Howard Duff.

And it’s extra interesting to know that Ida Lupino and Joan Fontaine were almost romantic rivals in real life. The story is not nearly as salacious or pathetic as the one in the film: screenwriter Collier Young, Lupino’s partner in the independent film production company The Filmakers, was married to Ida Lupino from 1948 until 1951. The next year, he married Joan Fontaine, and the two remained together until 1961. The situation didn’t interfere with the mood during filming “The Bigamist”, and the two couples frequently had fun together – Young and Fontaine, Lupino and her new husband Howard Duff.
Collier Young, Joan Fontaine, Ida Lupino
Esta não é uma lição de moral. “O Bígamo” não tem a intenção de ensinar algo ao espectador, nem de julgar seus personagens. Há um dilema moral, sim, mas Harry não é retratado como mulherengo e Phyllis não é retratada como destruidora de lares. E devemos isso a Ida Lupino.

This is not a cautionary tale. “The Bigamist” is not supposed to teach something to the viewer, and not even to judge its characters. There is a moral dilemma, sure, but Harry is not portrayed as a womanizer and Phyllis is not portrayed as a home wrecker. And we owe this to Ida Lupino.

Ida Lupino era uma boa diretora, mas eu bem que gostaria que ela fosse mais ousada e inovadora. Para ser aprovada pelos censores do código Hays, “O Bígamo” tinha de ser incrivelmente cuidadoso – o próprio assunto do filme era muito ousado. Por isso há muitos eufemismos para que finalmente seja revelado que Phyllis está grávida de um filho de Harry. Eu entendo completamente por que Ida teve de fazer isso.

Ida Lupino was a good director, but I wish she was more daring and groundbreaking. To be approved by the Hays Office, “The Bigamist” had to be extra cautious – the subject matter in itself was very bold. That's why there is a lot of euphemisms to finally tell that Phyllis is pregnant with Harry's child. I completely understand why Ida had to do this.
Mr Jordan (Edmund Gwenn)

Ida Lupino era uma mulher fazendo um filme centrado num personagem masculino. Eu adoraria ver as duas esposas contando as versões delas da história, compartilhando seus pensamentos e sentimentos. Eu adoraria se Ida tivesse dado voz a estas mulheres. Eu sei que seria bem difícil, considerando a época, mas também seria incrível e histórico.

Ida Lupino was a woman directing a picture centered in a man. I'd love to see the two wives telling their versions of the story, sharing with us their thoughts and feelings. I'd love if Ida had given those women a voice. I know it'd be quite hard for the time period, but it'd also be amazing and historic.

Infelizmente, mesmo tendo Ida Lupino muito jeito para aos negócios, “O Bígamo” não foi um sucesso de bilheteria. Ida Lupino e Collier Young decidiram distribuir o filme de maneira independente, o que certamente afetou a performance na bilheteria. Ida Lupino se dedicou à televisão, e só voltaria a dirigir outro filme 13 anos depois. Isso é uma pensa, porque “O Bígamo” é um filme interessante – e, se no final nós não nos importamos com o destino de Harry e suas duas esposas, isso é um trunfo de Ida Lupino e seu gosto por histórias diferentes.

Unfortunately, even with Lupino’s great brains for business, “The Bigamist” didn’t do well at the box office. Lupino and Young had decided to distribute the picture in an independent way, and it certainly hurt the performance. Ida Lupino started directing more television, and only directed another movie 13 years later. This is too bad, because “The Bigamist” is an interesting flick – and, after all, if by the end we don’t really care about which wife wants Harry back, it’s because of Ida Lupino’s taste for unique stories.

This is my contribution to the Joan Fontaine Centenary blogathon hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema and Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

The Spencer Tracy Legacy: a tribute by Katharine Hepburn (1986)

Em 1986, um documentário feito para a TV celebrou “o legado de Spencer Tracy” – e foi maravilhosamente apresentado por sua companheira dentro e fora das telas, Katharine Hepburn. Katharine é muito franca o tempo todo, mesmo ao abordar o vício em bebida de Spencer. Você pode ver em seus olhos, olhos de 79 anos de idade, um brilho especial, e perceber que o que havia entre Kate e Spence era amor verdadeiro.

In 1986, a documentary made for television celebrated “The Spencer Tracy Legacy” – and it was beautifully presented by his companion in an off-screen, Katharine Hepburn. Katharine is very candid all the time, even about Spencer’s drinking problem. You can see her 79-year-old eyes sparkle, and realize that what Kate and Spencer had was true love.
Com depoimentos curtos de diretores, produtores e outros atores, o documentário consegue condensar a carreira de Spencer, que durou 37 anos, em menos de uma hora e meia. O simples, mas emocionante, documentário ganhou dois Emmys e me ensinou muitas coisas incríveis sobre Spencer Tracy:

With short interviews with directors, producers and other actors, the documentary manages to condensate Spencer’s career, one that lasted 37 years, in less than one hour and a half. The simple yet heartfelt documentary won two Primetime Emmys and taught me some cool things about Spencer Tracy:
- Foi John Ford que viu Spencer em uma peça de teatro e o levou para Hollywood. Tipo, dá para imaginar o que é ser descoberto por John Ford- que àquela altura, em 1930, já trabalhava há 13 anos no cinema?

- John Ford was the one that saw Spencer on a play and took him to Hollywood. I mean, can you imagine being discovered by John Ford - who in 1930 had already been working for 13 years in the movie business?
- Assim como muitos outros, Tracy ficou insatisfeito com os roteiros que recebia da Fox em 1935. Isso o levou a se comportar mal de propósito, sendo em seguida despedido do estúdio... e ele ficou desempregado por apenas duas horas: após ouvirem que ele havia sido mandado embora, executivos da MGM logo foram atrás de Tracy e o contrataram.

- Just like many others, Tracy became dissatisfied with the scripts he received at Fox by 1935. This led him to misbehaving on purpose, being fired from the studio... and his unemployment lasted only two hours: after hearing about his firing, he was quickly approached by and signed with MGM.
- Spencer estava no hospital quando ganhou o primeiro Oscar – por isso quem recebeu a estatueta foi sua esposa.

- Spencer was in the hospital when he received his first Oscar - that is why the statue was actually collected by his wife.

- Spencer deu seu Segundo Oscar ao padre Flanagan, o religioso que inspirou a história do filme “Com os Braços Abertos / Boys Town” (1938).

- Spencer gave his second Oscar to Father Flanagan, the priest who inspired the movie “Boys Town” (1938).
- Eu sabia que Katharine Hepburn queria Spencer para um dos papéis de “Núpcias de Escândalo” (1940), mas eu não sabia que ela era fã dele desde que o viu no teatro, em 1930, na mesma peça que impressionou John Ford.

-I knew Katharine Hepburn had wanted Spencer for a role in “The Philadelphia Story” (1940), but I didn’t know she had been a fan of his since she saw him in the theater, back in 1930, in the same play that impressed John Ford.
- Spencer só conseguiu um papel em “A Mulher do Dia” (1942) – o primeiro filme que ele fez com Kate – porque as gravações de uma versão de “The Yearling” na Flórida foram canceladas devido a um ataque de insetos.

- Spencer was only cast in “Woman of the Year” (1942) - the first film he did with Kate - because a production of “The Yearling” on location in Florida had to be called off due to a mosquito attack.

- Spencer parecia sempre estar se divertindo no set, Segundo Elizabeth Taylor. Sua simplicidade era admirada por Frank Sinatra e Richard Widmark.

- Spencer seemed to be was always enjoying his time and work on set, as Elizabeth Taylor says. His simplicity was admired by Frank Sinatra and Richard Widmark.
- O primeiro filme mencionado na década de 1930 foi “Glória e Poder” (1933), que eu vi recentemente. Eu gostei em especial do comentário de Joanne Woodward, que disse que Spencer interpretou o personagem em sua velhice da mesma maneira que ele próprio envelheceu: com muita força e energia.

- The first film from the 1930s mentioned is “The Power and the Glory”(1933), one that I watched recently. I especially liked Joanne Woodward’s comment that Spencer played the older character in the same way he aged: with a lot of strength and energy.
- Eu adorei descobrir um pouco sobre os passatempos de Spencer – por exemplo, jogar polo – e ver seus filmes caseiros.

- I loved to learn about Spencer’s hobbies - like playing polo - and seeing some home movies.

- Spencer esteve envolvido em causas sociais, como a cura da poliomielite e tratamento e educação para surdos, por causa de seu filho, que nasceu surdo.

- Spencer was an advocate for polio cure and deafness treatment and learning, because of his son, who was born deaf.
- Há um momento com a filha de Spencer, Susan Tracy, mostrando cadernos nos quais o pai fazia anotações entre 1937 e 1942. Foi bonito ver a curta nota que ele escreveu no dia da morte de Jean Harlow: “grande garota”.

- There is a moment with his daughter, Susan Tracy, showing notebooks with notes her dad took from 1937 until 1942. It was sweet to see his short entry on the diary on the day Jean Harlow died: “grand girl”.
- Você vai chorar com a carta de Kate no final. Não há dúvida.

- You’ll cry with Kate’s letter in the end. There is no doubt about it.

This is my contribution to the Spencer Tracy and Katharine Hepburn blogathon, hosted by my pal Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

sábado, 14 de outubro de 2017

José Ferrer: o tesouro de Porto Rico / José Ferrer: the treasure of Puerto Rico

No primeiro episódio da série da Netflix “Um Dia de Cada Vez”, o público que assistia à gravação vai à loucura quando Rita Moreno aparece pela primeira vez, de trás de uma cortina. Eles tinham razão para ficarem animados: Rita é uma lenda, e foi a primeira latina a ganhar o EGOT – Emmy, Grammy, Oscar e Tony. Antes da grande conquista de Rita, outro porto-riquenho ganhou um Oscar e três Tonys, abrindo o difícil caminho até Hollywood e a Broadway para os latinos. Seu nome era José Ferrer.

In the first episode of the Netflix sitcom “One Day at a Time”, the live audience goes crazy when Rita Moreno makes her first appearance from behind a curtain. They have reason to be excited: Rita is a legend, being the first Latina to win an EGOT – Emmy, Grammy, Oscar, Tony. Before Rita’s great accomplishment, another Puerto Rican got his Oscar and three Tonys, paving the hard way to Hollywood and Broadway for Latinos. His name was José Ferrer.
José Ferrer nasceu em Porto Rico em 1912. Seu avô foi advogado e um dos defensores da independência de Porto Rico da Espanha. Uma de suas irmãs é minha xará – Letícia – e Ferrer também deu à sua primeira filha o nome de Letícia – o que é algo bem legal, diga-se de passagem.

José Ferrer was born in Puerto Rico in 1912. His grandfather was a lawyer and one of the advocates of Puerto Rico's independence from Spain. One of his sisters had the same name as me – Leticia – and Ferrer also named his first daughter Leticia – which is a very cool connection, may  I say.
Ferrer estudou na Universidade de Princeton, se formou em 1934, e em 1935 fez seu primeiro papel de coadjuvante na Broadway. A reputação de Ferrer na Broadway só cresceu a partir de 1940. Ele foi o vencedor do primeiro prêmio Tony de Melhor Ator da história, em 1947, pelo seu papel mais famoso: Cyrano de Bergerac – na verdade, houve empate na premiação, sendo o outro vencedor Fredric March. Em 1952, Ferrer ganhou novamente o prêmio de Melhor Ator, e também o de Melhor Diretor por três peças diferentes que ele dirigia ao mesmo tempo.

Ferrer attended Princeton University, graduating in 1934, and in 1935 he had his first supporting role on Broadway. Ferrer made a reputation for himself on Broadway starting in 1940. He was the winner of the first Tony for Best Actor ever awarded, in 1947, for the role that is more often associated with him: Cyrano de Bergerac – it was actually a tie, and the other awarded actor was Fredric March. In 1952, Ferrer won again the Best Actor prize, and also the Best Director one for directing three stage plays at the same time.
Ferrer and Rosemary Clooney, who he married... twice
Billy Wilder queria que Ferrer fosse o protagonista de “Farrapo Humano” (1945), mas o estúdio se recusou a financiar o projeto com um protagonista quase desconhecido. Foi difícil encontrar um ator que aceitasse interpretar um alcoólatra, mas quando Ray Milland finalmente aceitou o papel, foi recompensado com um Oscar. Ferrer faria sua estreia no cinema três anos depois, quando ele interpretou o Delfim Carlos em “Joana D’Arc” (1948). Ferrer foi indicado ao Oscar como Ator Coadjuvante.

Billy Wilder intended to have Ferrer as the lead in “The Lost Weekend” (1945), but the studio refuse to finance the project without a bankable film star attached. It was hard to find an actor who would accept the role of an alcoholic, but when Ray Milland finally did it, he won an Oscar. Ferrer would make his film debut three years later, when he played the Delphin Charles in “Joan of Arc” (1948). Ferrer was nominated for the Best Supporting Actor Oscar for his performance.
Não foi surpresa alguma quando Ferrer foi escalado para o papel de Cyrano de Bergerac quando a história foi adaptada para o cinema. Cyrano é um homem sábio, culto, corajoso, porém inseguro. Ele se acha feio por causa de seu nariz grande, e por isso nunca disse à prima Roxane (Mala Powers) que a ama. E ele não quer desapontá-la, por isso promete proteger o homem que ela ama, e inclusive ajuda o concorrente a parecer mais inteligente e romântico.

It was no surprise that Ferrer got the part when Cyrano de Bergerac was adapted to the screen. Cyrano is a wise, cultured, brave, but insecure man. He is actually very self-conscious about his big nose, and this prevents him from telling his cousin Roxane (Mala Powers) that he loves her. And he doesn't want to disappoint her, that's why he promises to take care of the man she loves during battle, and even helps him look more intelligent and romantic.
Como o maior espadachim segurador de vela da história, Ferrer ganhou o Oscar, tornando-se o primeiro ator hispânico a receber o prêmio. E ele certamente mereceu a vitória: com uma voz poderosa e uma tonelada de carisma, Ferrer nos faz rir e chorar como Cyrano, e é a força motriz de um filme com poucos rostos familiares.

As the biggest third-wheel swashbuckler in history, Ferrer won the Oscar, becoming the first Hispanic actor to do so. And he certainly deserved the win: with a powerful voice and a ton of charisma, Ferrer makes us laugh and cry as Cyrano, and is the powerhouse in a movie with few familiar faces.
Judy Holliday and Gloria Swanson celebrate Ferrer's win at the Oscars
Assim como outro ator hispânico da era de ouro de Hollywood, Anthony Quinn, Ferrer também interpretou personagens de diversas nacionalidades diferentes. Em seus dois filmes mais famosos, ele interpretou personagens franceses – Cyrano, e o pintor Henri de Toulouse-Lautrec em “Moulin Rouge”, de 1952.  Ele foi um turco em “Lawrence da Arábia” (1962), do Oriente Médio em algumas ocasiões, russo, espanhol e até americano. Seu último filme foi feito em Hong Kong. Ele interpretou figuras históricas como o Rei Herodes e até mesmo Josef Stalin.

Like another Hispanic actor of the Classic Hollywood, Anthony Quinn, Ferrer also played characters from a plethora of nationalities. In his two most famous movies, he played Frenchmen – Cyrano and the painter Henri de Toulouse-Lautrec in 1952’s “Moulin Rouge”. He was Turkish in “Lawrence of Arabia” (1962), from the Middle East a few times, Russian, Spanish and even American. He did his last film in Hong Kong. He played historical figures like King Herodes and even Josef Stalin.
Ferrer fez muitos trabalhos no cinema, TV e nos palcos. Ele foi narrador de alguns filmes e séries, e até participou da Vila Sésamo. Ele dirigiu sete filmes entre 1955 e 1962. Ferrer era fluente em inglês e espanhol, e tinha conhecimentos de italiano e francês. Ele era também um bom pianista e cantor de ópera. Ele foi o primeiro ator da história a ganhar uma Medalha das Artes do presidente, em 1985. José Ferrer faleceu em 1992. Para homenageá-lo, em 2005 a Organização Hispânica de Atores Latinos deu ao seu famoso prêmio o nome de Prêmio Téspio José Ferrer. Não é de se espantar que ele seja o orgulho de Porto Rico.

Ferrer worked a lot in film, TV and on the stage. He did some narration for films and TV series, and even appeared on Sesame Street. He directed seven movies from 1955 to 1962. Ferrer spoke English and Spanish fluently, and had a good knowledge of Italian and French. He was also a fine pianist and opera singer. He was the first actor ever to be awarded a presidential Medal of the Arts in 1985. José Ferrer passed away in 1992. To honor him, in 2005 the Hispanic Organization of Latin Actors renamed its prestigious award as José Ferrer Tespis Award. No wonder why he is the pride of Puerto Rico!
Porto Rico é uma das três partes que não estão diretamente conectadas ao país, mas são território dos Estados Unidos – as outras duas são Alasca e Havaí. Nas últimas semanas, Porto Rico foi devastado pelo furacão Maria... e não recebeu ajuda do governo norte-americano. Então, para homenagear a terra de José Ferrer e tornar possível o surgimento de mais talentos ali, eu te convido a fazer uma doação para Porto Rico. ¡Gracias!

Puerto Rico is one of the three parts that are not connected directly to the country but are US territories – the other two being Alaska and Hawaii. In the last few weeks, Puerto Rico was strike by Hurricane Maria… and it received no help from Washington. So, in order to honor José Ferrer’s land and make it possible for more talents to blossom there, I invite you to make a donation for Puerto Rico. ¡Gracias!
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This is my contribution to the Hollywood’s Hispanic Heritage Blogathon 2017, hosted by Aurora at Citizen Screen. You can find more posts with the hashtag #DePelicula.
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