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domingo, 19 de novembro de 2017

Ladrão Romântico / Jewel Robbery (1932)

Viena, anos 30. Começamos o filme com alguns close-ups de joias – lindas joias, em ouro e diamantes, e muitos cofres. Estamos dentro de uma joalheria e algo incrível está prestes a acontecer. Meu bisavô costumava dizer que a fotografia em preto e branco nos filmes é mais bonita que a colorida, e eu devo concordar com ele: aquelas joias realmente brilham na tela bicromática!
Vienna, 1930s. We open the movie with some close-ups of jewels – beautiful jewels, diamonds and gold, and many safes. We're inside a jewelry shop and we're in for a treat. My great-grandfather use to say that black and white photography in film is more beautiful and I must agree with him: those jewels really shine in the bicromatic screen!
Enquanto um inventor demonstra um sistema de alarme revolucionário com raios invisíveis, a joalheria de Hollander é assaltada. Alguns dias depois, um dos melhores clientes do local, a baronesa Teri (Kay Francis) se apronta para ir à joalheria comprar um anel de diamantes. Teri é assistida por muitas empregadas: massagistas, cabeleireiras, manicures e muito mais. Quando fica pronta, ela sai de casa com a amiga Marianne (Helen Vinson).
As an inventor is demonstrating a revolutionary alarm system with invisible rays, Hollander's jewel store is being robbed. A few days later, one of their favorite clients, baroness Teri (Kay Francis) is getting ready to visit the jewelry store and buy a diamond ring. Teri is pampered by a lot of maids: she has masseurs, hairdressers, manicurists and more. When she is ready, she leaves the house with her friend Marianne (Helen Vinson).
O marido de Teri, o barão Franz (Henry Kolker) também vai até a joalheria para negociar o preço do anel. Ele leva consigo um membro do gabinete, Paul (Hardie Albright). Há apenas um problema: Paul está apaixonado por Teri, e ela não corresponde o sentimento.
Teri's husband, baron Franz (Henry Kolker) also goes to the jewelry store to negotiate the price for the diamond ring. He brings with him a member of the cabinet, Paul (Hardie Albright). There is only one problem: Paul is in love with Teri, but she does not care about him.
Quando o barão e o senhor Hollander finalmente chegam a um acordo em relação ao preço, a joalheria é assaltada novamente. O ladrão? William Powell. Powell é o ladrão mais elegante, educado, charmoso e distinto do mundo. Ele fala com calma e até toca música – o Danúbio Azul – enquanto seus capangas estão pegando as joias. Ele é basicamente o Moriarty do roubo de joias.
When the baron and Mr Hollander finally agree on a price, the shop is robbed again. The robber? William Powell. Powell is the fanciest, politest, coolest, most distinguished robber of all time. He talks smoothly and even plays music – the Blue Danube – while his minions are catching all the jewels. He's basically a Moriarty of jewel robbery.
Quando falamos sobre Moriarty, precisamos falar sobre o brilhante Sherlock Holmes. E quando falamos sobre William Powell, precisamos falar sobre o detetive charmoso Nick Charles. Em dois anos Powel interpretaria Nick Charles pela primeira vez, e é realmente muito interessante que ele já tenha interpretado o exato oposto de Nick em “Ladrão Romântico”.
When we talk about Moriarty, we need to talk about mastermind Sherlock Holmes. And when we talk about William Powell, we need to talk about cool detective Nick Charles. In two years Powell would play Nick Charles for the first time, and it's really interesting that he had already got to play Charles's perfect counterpart in “Jewel Robbery”.
O ladrão de Powell diz que estudou em escola francesa para aprender 'finesse' – ao contrário dos ladrões americanos que são loucos por balas, armas e sempre fazem sujeira. Powell inclusive consegue enganar um inspetor de polícia! Moriarty é um gênio como Sherlock, mas um usa a inteligência para fazer o bem, e o outro para o mal. A mesma coisa acontece com Nick Charles e o ladrão: a diferença é com que intuito cada um usa seu charme.
As the robber, Powell says he studied in the French school in order to learn 'finesse' – contrary to the American thieves, who are crazy for bullets, guns and always make a mess. Powell even manages to make a fool out of a police inspector! Moriarty is a genius just like Holmes, but one uses the brains to do good, and the other to do bad. The same happens with Nick Charles and the robber: the difference is the goal their charm is used to achieve.  
Teri e Marianne são construídas como mulheres fúteis. Elas só pensam em duas coisas: sexo e joias – e frequentemente usam o primeiro para conseguir o segundo. Elas são mulheres amorais, no sentido de que elas não se importam com ética ou princípios. Elas não são personagens bem desenvolvidas, e em um filme de apenas 68 minutos de duração isso é um problema previsível
Teri and Marianne are constructed as frivoulous women. They only think about two things: sex and jewels – often using the first in exchange for the second. They are amoral women, in the sense that they do not care for ethics or principles. They are not well-developed characters, and in a film that lasts only 68 minutes this is a predictable problem.
Quando Teri é vista pela primeira vez, ela está tomando um banho de espuma. A sequência é 100% pre-Code: é óbvio que Kay Francis está nua, e ela muda de uma toalha para outra, até colocar um vestido. Nada além de seus ombros, pernas e pés são mostrados, mas isso já é suficiente para açimentar a imaginação do espectador.
When Teri first appears, she is taking a bubble bath. That sequence is 100% pre-Code: it's obvious that Kay Francis is naked, and she changes from one towel to another, until she puts on a dress. Nothing besides her shoulders, legs and feet is shown, but there is enough in the scene to feed the viewer's imagination.
Há também muitas frases de duplo sentido, de teor sexual e um momento hilário com policiais chapados fumando maconha. Todos estes momentos são exclusivos da era pre-Code em Hollywood, e são eles que fazem de “Ladrão Romântico” um filme tão divertido.
There is also a lot of sexual innuendo and a hilarious moment with high policemen smoking joint. All these moments are pre-Code Hollywood in a nutshell, and they are what makes “Jewel Robbery” such a funny movie.
O esquema do ladrão pode parecer perfeito, mas eu acho que você não deve tentar fazer isso em casa. Muitas de suas técnicas geniais para produzir álibis e coordenar o roubo não funcionam mais por causa do que temos hoje em termos de redes sociais, GPS e outras tecnologias.
The robber's scheme may sound perfect, but I think you shouldn't try to reproduce it at home. A lot of his genius techniques to produce alibis and coordinate the robbery work no more because of social media, GPS and other new technologies.
Um filme como “Ladrão Romântico” jamais poderia ser feito hoje – e não apenas por causa da tecnologia que destrói os esquemas. É um filme que definitivamente não passa no teste de Beachdel. É um filme que chama um personagem de 'romântico', quando na verdade ele é doente e problemático. Eu entendo que se trata de uma comédia, e eu ri muito em vários momentos. Mas como é arriscada!
A film like “Jewel Robbery” could never be made today – and not only because of the technology that ruins schemes. It's a film that fails hard the Bechdel test. It's a film that portrays as 'romantic' a character that is in reality really sick and problematic. I understand it's a comedy, and I laughed out loud in many moments. But, wow, it is risky!
Ladrão Romântico”, tão exagerado e divertido, só poderia ter sido feito na era pre-Code. 1932 foi o pior ano da recessão pós quebra da bolsa de 1929. As pessoas precisavam rir de alguma coisa – nem que fosse de um crime.
Jewel Robbery”, so exaggerated and funny, could only have been made in the pre-Code era. 1932 was the worst year of recession since the 1929 Crash. People needed something to laugh at something – even if it was at a crime.
This is my contribution to the It Takes a Thief blogathon, hosted by Debbie at Moon in Gemini.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

The Brave One (1956) and Dalton Trumbo’s braveness

Quando eu assisti a “Trumbo – Lista Negra” (2015), eu senti muita raiva. Eu tive raiva da hipocrisia, da falsa moral, da asquerosa tentativa dos conservadores de “limpar Hollywood” – e de como eles destruíram vidas com esta caça às bruxas. Sim, Dalton Trumbo pode ter ganhado dois Oscars mesmo estando na lista negra, mas vemos na cinebiografia que as consequências de seu exílio foram devastadoras, e nenhuma estatueta dourada poderia remediá-las.

When I watched “Trumbo” (2015), I felt more rage than anything else. I was angry at the hypocrisy, the fake morals, the disgusting attempt of conservatives to “clean Hollywood” – and how they destroyed lives with the witch hunt. Sure, Dalton Trumbo may have won two Oscars even when he was blacklisted, but we see in the biopic that the consequences of his blacklisting were devastating, and no golden statue could cure them.
Dalton Trumbo entrou na lista negra em 1947. Ele era um dos ‘10 de Hollywood’ que se recusaram a testemunhar perante o Congresso e delatar colegas para serem perdoados. Naquela época, ele já havia sido indicado a um Oscar”, pelo roteiro de “Kitty Foyle” (1941). E naquela época, ele já havia passado por problemas: em meados dos anos 1930 a Warner cancelou o contrato de Trumbo quando ele se recusou a sair do Sindicato dos Roteiristas – fundado e administrado por escritores que seriam também colocados na lista negra – e ir para outro sindicato.

Dalton Trumbo was blacklisted in 1947. Trumbo was one of the ‘Hollywood ten’ who refused to testify before Congress and name names in order to be acquitted. By that time, he had already been nominated for one Oscar, for his screenplay of “Kitty Foyle” (1941). And by that time, Trumbo had already had problems: in the mid 1930s Warner Bros cancelled his contract when he refused trading his membership in the Screen Writers Guild – created and ran by fellow would-be-blacklisted writers – for another guild.
Depois de passar 11 meses preso no Kentucky, Dalton Trumbo e sua família se mudaram para o México, para onde outros roteiristas na lista negra também foram. Lá era um lar fora de casa. Trumbo continuou escrevendo e vendendo histórias para o cinema – através de pseudônimos e outros subterfúgios.

After spending 11 months in a prison in Kentucky, Dalton Trumbo and his family moved to Mexico, where other blacklisted screenwriters also went to live. There was home outside of the homeland. Trumbo kept writing screenplays and motion picture stories and selling them to Hollywood – by using fronts, pseudonyms and other tricks.
Em 1953 ele escreveu a história de “A Princesa e o Plebeu”. Ele não pôde ser creditado, por isso seu amigo, o roteirista Ian McLellan Hunter, assinou o roteiro. No Oscar, ele competiu contra o filme de guerra “Seu Nome e Sua Honra”, a comédia “As Chaves do Paraíso”, “O Pequeno Fugitivo” e o faroeste “Hondo”, que mais tarde teve a indicação retirada. A deliciosa história de “A Princesa e o Plebeu” ganhou o prêmio. Três anos depois, Trumbo repetiu a dose.

In 1953 he wrote the motion picture story of “Roman Holiday”. He couldn’t be credited, so his friend, screenwriter Ian McLellan Hunter, was used as a front for his work. At the Oscars, he competed against the war film “Above and Beyond”, the comedy “The Captain’s Paradise”, “The Little Fugitive” and the western “Hondo”, who later had its nomination withdrawn. The delightful story for “Roman Holiday” won the prize. Three years later, Trumbo did it again.
O filme “Arenas Sangrentas” (1956) é sobre um menino, Leonardo (Michel Ray) e seu amado touro de estimação, chamado Gitano (‘cigano’ em espanhol). Leonardo tenta salvar seu touro das arenas sangrentas das touradas, onde o animal enfrentará um toureiro veterano. É um filme B feito pelos irmãos King, que também produziram “Mortalmente Perigosa” (1950). Dá para ver como o filme foi ‘barato’ pela baixa qualidade das cenas noturnas. O filme foi gravado no México, sendo a maioria dos atores mexicanos.

The film “The Brave One” (1956) is about a young boy, Leonardo (Michel Ray) and his beloved pet bull, called Gitano (Spanish for ‘gypsy’). Leonardo tries to spare his bull from going to the killing arenas and being killed by a master bullfighter. It’s a B-movie made by the King Brothers, who also produced the noir “Gun Crazy” (1950). The cheapness of the film can be seen especially in night scenes. It was shot in Mexico, with mostly Mexican actors.
Em 1957, Trumbo derrotou Celso Zavattini, que escreveu o filme neorrealista italiano “Umberto D”… e Jean-Paul Sartre. Ambos os filmes, “Umberto D” e “OS Orgulhosos”, eram do começo dos anos 50 – respectivamente 1952 e 1953 – mas só estrearam em Los Angeles em 1956. Um filme chamado “Alta Sociedade” também foi indicado, mas sua indicação foi cancelada porque a Academia o confundiu com o musical de mesmo nome, estrelado por Grace Kelly e Frank Sinatra.

In 1957, Trumbo won his Oscar over Celso Zavattini, who penned the Italian neorealist film “Umberto D”… and Jean-Paul Sartre. Both movies, ‘Umberto D” and “Les orgueileux”, were released in the early 1950s – respectively in 1952 and 1953 – but only released in Los Angeles in 1956. A movie called “High Society” was also nominated, but its nomination was withdrawn because the Academy mistook it with the Grace Kelly / Frank Sinatra musical of the same name.
“Arenas Sangrentas” é ‘baseado em uma história de Robert Rich’. Quando ele ganhou o Oscar, Jesse Lasky Jr, então vice-presidente do grupo de roteiristas do Sindicato dos Escritores, recebeu o prêmio. Depois da cerimônia, o que todos queriam saber em Hollywood era: quem realmente é Robert Rich? Um homênimo – e sobrinho dos irmãos King – foi a público dizer que ele não havia escrito a história. O mistério começava.

“The Brave One” is ‘based on a story by Robert Rich’. When he won the Oscar, Jesse Lasky Jr, then the vice-president of the Screenwriters branch of the Writers Guild, accepted the award. After the ceremony, what everything in Hollywood wanted to know was: who really is Robert Rich? A man with that name –and nephew of the King brothers – went public to say that he hadn’t written the story. The game was afoot.
Numa entrevista para um jornalista de Los Angeles pouco mais de um mês depois da cerimônia do Oscar, Trumbo respondeu assim quando perguntado se havia escrito a história de “Arenas Sangrentas”: ‘talvez sim, talvez não’. O Oscar de 1957 foi o último a ter a categoria de Melhor História Original. Trumbo estava, obviamente, se divertindo e sentindo o gosto de uma pequena vingança com o alvoroço que estava criando na mesma Hollywood que o havia expulsado.

In an interview to a Los Angeles journalist a little over a month after the Oscars ceremony, Trumbo answered this way when asked if he had written the story for “The Brave One”: ‘maybe I did, maybe I didn’t’. The 1957 Oscar ceremony was the last one to have the Best Writing – Motion Picture Story category. Trumbo was, of course, having fun and a small revenge with the little uproar he caused in the Hollywood that had expelled him.
Trumbo (2015)
Em 1959, Trumbo finalmente confessou que era responsável por “Arenas Sangrentas”. Logo depois, o diretor Stanley Kubrick e o ator e produtor Kirk Douglas insistiram que Trumbo fosse creditado em “Spartacus”. No ano seguinte, ele foi de fato devidamente creditado pela primeira vez em 13 anos, por seu trabalho em “Exodus”, de Otto Preminger. Entre “Arenas Sangrentas” e 1960, três outros escritores na lista negra ganharam o Oscar, e a ausência deles foi um sinal de vergonha para Hollywood. Acabava a lista negra.

In 1959, Trumbo finally confessed that he was responsible for “The Brave One”. Right after, director Stanley Kubrick and actor/producer Kirk Douglas insisted on having him credited in “Spartacus”. The following year, he was properly credited for the first time in 13 years, for his worked in Otto Preminger’s “Exodus”. Between “The Brave One” and 1960, three other blacklisted writers had won the Oscar and their absence was a sign of shame for Hollywood. The blacklist was over.

Ao contrário do que o trailer diz, “Arenas Sangrentas” não é inesquecível por causa da performance de Michel Ray – que é apenas OK – mas por causa da história de Trumbo. “Arenas Sangrentas” é sobre perdão e sobre considerar a opinião da maioria – e tudo isso é muito simbólico para um filme que foi a primeira peça na destruição da lista negra.

Contrary to what the trailer says, “The Brave One” is not unforgettable because of Michel Ray’s performance – which is just OK – but because of Trumbo’s story. “The Brave One” is about forgiveness and listening to the opinion of the majority – and all that is very symbolic for a movie that was the first piece to destroy the blacklist.


This is my contribution for Banned and Blacklisted, the Fall 2017 CMBA Blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Nossas Noites / Our Souls at Night (2017)

Cinquenta anos depois de “Descalços no Parque” e 38 anos depois da última colaboração deles - “O Cavaleiro Elétrico” (1979) - Jane Fonda e Robert Redford se encontraram novamente graças à Netflix. Ambos já tinham projetos no serviço de streaming - Jane é uma das produtoras e protagonistas da série “Grace e Frankie”, e Robert estrelou o filme “A Descoberta”. Foi na Netflix que as duas estrelas, ambas com quase 80 anos, encontraram espaço e papéis que não encontram mais no cinema hollywoodiano convencional, aquele preocupado com blockbusters e jovens estrelas.

Fifty years after “Barefoot in the Park” and 38 years after their last collaboration – “The Electric Horseman” (1979) – Jane Fonda and Robert Redford got together again thanks to Netflix. Both had already projects in the streaming platform – Jane is one of the producers and stars of the sitcom “Grace and Frankie”, and Robert starred in the movie “The Discovery”. It was on Netflix that both stars, who are nearly 80, found the space and the roles they don't  find anymore in the conventional Hollywood cinema, more worried about blockbusters and young stars.
Robert Redford leu o livro “Nossas Noites”, obra póstuma do escritor Kent Haruf, e viu nele um veículo perfeito para si mesmo e para a amiga de longa data. Ele propôs a ideia do filme para a Netflix, e Jane aceitou na hora o convite para estrelar o longa-metragem. Jane disse que ela queria estar no filme porque queria se apixonar novamente por Redford.

Robert Redford read the book “Our Souls at Night”, published after author Kent Haruf's death, and saw in it a perfect vehicle for him and his good old friend. He pitched the film's idea to Netflix, and Jane quickly accept the offer to star in it. Jane said she wanted to do the movie because she wanted to fall in love with Redford all over again.
Louis (Redford) recebe uma proposta nada convencional da vizinha Addie (Fonda): como ambos são viúvos e sozinhos, eles poderiam passar as noites juntos. É uma proposta de apoio mútuo no momento mais difícil e mais solitário do dia. Pouco a pouco, eles se tornam cúmplices, confessam detalhes de suas vidas um para o outro e, claro, chamam a atenção das pessoas da pequena cidade onde vivem.

Louis (Redford) receives an unconventional proposal from his neighbor Addie (Fonda): since they're both widowed and alone, they could spent the nights togethers. It's a proposal of mutual support in the toughest and loneliest moment of the day. Little by little, they become intimate, confess details of their lives to each other and, of course, call the attention of people in the small town they live in.
Nesse ínterim de fofocas e olhares maliciosos, Addie e Louis recebem um visitante: o neto dela, Jamie (Iain Armitage). Ele é mandado para ficar com a vovó para que seus pais tentem consertar os erros da relação. Ele é fonte de alegria para os idosos e, embora traga conflito na forma do seu pai, filho de Addie que desaprova o relacionamento, Jamie se mostta uma peça perfeitamente encixável na dinâmica pouco convencional de Addie e Louis.

In this context, being target of gossip and mean eyes, Addie and Louis receive a visitor: her grandson Jamie (Iain Armitage). The boy is sent to his grandma's while his father and mother try to fix their relationship. He is a source of joy for the elderly and, although he brings conflict because his father, Addie's son, disapproves the relationship, Jamie is a piece that fits perfectly in the unconventional puzzle Addie and Louis make.
Jane interpreta novamente a mais mente aberta na relação, e Robert é o mais sério. No começo, o personagem de Robert, Louis, se preocupa muito com o que as pessoas vão pensar e como vão reagir ao fato de que os dois estão dormindo juntos – ele se preocupa tanto que insiste em entrar pela porta dos fundos na casa de Addie, mas depois de algumas noites ela exige que ele use a porta da frente. Addie não tem medo, e não tem que dar satisfação a ninguém.

Jane once again plays the most free-spirited one in the relationship, and Robert is the most serious one. At first, Robert's character Louis cares too much about what people think and how they would react to them sleeping together – he cares so much that he enters Addie's house by the back entrance, and after a few times she demands him to use the front door. Addie is unafraid, and unapologetic.
Vimos nos últimos anos a multiplicação de filmes focados em idosos. “Nossas Noites” é sobre os afetos nas vidas das pessoas de idade: afeto entre elas, no sentido romântico e sexual, e afeto com relação a parentes, filhos e netos.

We saw in the last few years the multiplication of movies focused on older people. “Our Souls at Night” is all about endearment in old people's lives: it's the romantic and sexual love between them, and also the love they feel for their relatives, kids and grandkids.
Podemos usar o título de outro filme para definir “Nossas Noites”: Ainda Adoráveis (filme de 2008 com Martin Landau e Ellen Burstyn).“Nossas Noites” não é uma obra-prima nem um filme revolucionário. Ele não vai mudar sua vida, mas poderá lhe fazer chorar. No IMDb, vemos uma feliz coincidência: tanto“Descalços no Parque” quanto “Nossas Noites” têm a mesma média do público: 7 de 10. Menos divertido que “Descalços no Parque” e menos sério que “O Cavaleiro Elétrico”, esta mais recente colaboração da dupla Fonda-Redford mostra que o talento nunca se aposenta.

We can use the title of another film to describe “Our Souls at Night”: “Lovely, Still” (a 2008 film starring Martin Landau and Ellen Burstyn). “Our Souls at Night” is not a masterpiece now a revolutionary movie. It won’t change your life, but it can make you cry. On IMDb, a happy coincidence: both “Barefoot in the Park” and “Our Souls at Night” have the same score from fans: 7 out of 10. It may be not as funny as ‘Barefoot in the Park” and not as serious as “The Electric Horseman”, but this most recent collaboration between Fonda and Redford shows that talent never retires.


This is my contribution to the Then and Now (Now and Then) blogathon, hosted by Thoughts All Sorts (and Realweegiemidget Reviews).


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Descalços no Parque / Barefoot in the Park (1967)

Recém-casados. Desde a era do cinema mudo, muitos filmes já trataram de jovens casais apaixonados, prestes a começar a vida a dois. Buster Keaton fez, por exemplo, muitos curtas-metragens nos quais ele precisava se adaptar à nova vida – podemos citar dois deles: “Uma Semana” (1920) e “A Parentela da Esposa” (1922). Buster não foi o único a mostrar o lad0 divertido do casamento. Quarenta anos depois, os casais tinham o mesmo problema que os personagens de Buster – incompatibilidade.

Newlyweds. Since the silent era many, many films were made about young couples in love, about to start their life together. Buster Keaton had,  for instance, many short films in which he had to adapt to his new life – we can mention two of them: “One Week” (1920) and “My Wife’s Relations” (1922). Buster wasn’t the only one to show the fun side of the newlyweds’ life. Forty years later, couples had the same problem as Buster’s characters – incompatibility.
Corie (Jane Fonda) e Paul (Robert Redford) voltaram da lua de mel e se mudaram para seu novo apartamento em Nova York. Como você deve imaginar, este é o melhor lugar pelo qual o jovem casal pode pagar, então não é um apartamento muito espaçoso. Ele se localiza no último andar de um prédio sem escadas. E, ah, há um buraco na claraboia, algo perfeito para dias de verão, porém terrível para noites de inverno.

Corie (Jane Fonda) and Paul (Robert Redford) have just resumed their honeymoon and moved to their own apartment in New York City. As you may imagine, this is the best place the young couple can afford, so it’s not very big. It’s also on the last floor of a building that has no stairs. And, oh, there is a hole in the ceiling, perfect for sunny days but horrible in snowy nights.
Entretanto, este não é o maior problema deles. Parece que o amor os cegou e apenas agora eles veem como são diferentes. Paul é um advogado sério, que se preocupa com a carreira em primeiro lugar. Corie é uma dona de casa de espírito livre, que não vê problemas em socializar com vizinhos estranhos. Paul quer uma casa arrumada e uma carreira brilhante, enquanto Corie quer ter o marido ao seu lado e se divertir.

But this is not their biggest problem. It looks like love has blinded the young couple and only now they could see how different they are. Paul is a serious lawyer, who worries about his work more than anything else. Corie is a free-spirited housewife, who doesn’t care about mingling with weird neighbors. Paul wants a tidy home and a brilliant career, while Corie wants to have her husband next to her and to have fun.
É comum que se diga que, quando você se casa com alguém, também se casa com a família desta pessoa. E, seguindo este raciocínio, quando você se muda para uma nova casa ou prédio você também acaba criando uma relação com seus vizinhos. E isto tudo nos leva a dois incríveis coadjuvantes: Ethel (Mildred Natwick), a mãe de Corie, e Victor Velasco (Charles Boyer), um vizinho excêntrico. Na sequência mais divertida do filme, Corie, Paul, Ethel e Victor saem para jantar.

It’s often said that when you marry someone, you also marry this person’s family. And, following the reasoning, when you move to a new house or building you end up creating a relationship with your neighbors. And this takes us to two amazing supporting characters: Ethel (Mildred Natwick), Corie’s mother, and Victor Velasco (Charles Boyer), an eccentric neighbor. In the funniest sequence of the movie, Corie, Paul, Ethel and Victor go out to dine.
Não posso elogiar suficientemente a noite louca que os quarto experimentam. Haverá ao menos um momento em que você vai chorar de rir – talvez por causa da comida estranha, talvez por causa das loucuras de Velasco. “Descalços no Parque” acabará lhe ensinando a comer knichi do jeito certo, a dançar a dança folclórica albanesa “Shama Shama” ou por que beber muito uzo lhe impedirá de fechar a mão.

I can’t say enough good things about the zany night out the four of them have. There will be at least a moment when you’ll laugh until you cry – maybe because of the weird food, or because of Velasco’s shenanigans. “Barefoot in the Park” will end up teaching you how to eat knichi properly, how to dance the Albanian folk song “Shama Shama” or why drinking too much uzo will prevent you from making a fist.
É interessante notar como, mesmo sendo baseado em uma peça de teatro, “Descalços no Parque” não parece ‘teatral’. Há poucos cenários, mas a sensação geral é de que o filme não fica confinado por causa disso. Isso acontece porque Neil Simon, o autor da peça, escreveu também o roteiro do filme. Simon não era novato no mundo do cinema e da TV – ele trabalhava desde 1948 em filmes e séries para a televisão.

It’s interesting how, even though the film is based on a stage play, “Barefoot in the Park” doesn’t look ‘staged’. There may be few settings, but the overall feeling of the movie is not something confined. This happens especially because Neil Simon, the play writer, was also responsible for the screenplay. Simon was no newcomer in the film and TV world – he had been working in TV movies and series since 1948.
“Descalços no Parque” foi o terceiro de cinco filmes – até agora – em que Jane Fonda e Robert Redford contracenaram. Eles curiosamente começaram suas carreiras no cinema com o mesmo filme, “Até os Fortes Vacilam” (1960), mas Fonda era a estrela e Redford apenas um figurante. Começando com “Caçada Humana”, de 1966, Fonda e Redford se tornaram bons amigos, em especial porque têm o mesmo posicionamento político. Foi delicioso vê-los como um casal jovem e apaixonado em “Descalços no Parque”, e foi ótimo descobrir que eles se juntaram para uma nova empreitada...

“Barefoot in the Park” was the third of five – so far – films Jane Fonda and Robert Redford made together. They actually made their screen debuts in the same movie, “Tall Story” (1960), but Fonda had a starring role and Redford was only an extra. Starting with 1966’s “The Chase”, Fonda and Redford became good friends, in special because of their similar political views. It was delightful to see them as a young and passionate couple in “Barefoot in the Park”, and it was great when they reteamed…


This is my contribution to the Then and Now (Now and Then) blogathon, hosted by Realweegiemidget (and Thoughts All Sorts).

domingo, 12 de novembro de 2017

O Mundo é um Teatro / Ziegfeld Girl (1941)

As mulheres frequentavam os cinemas nos anos 1930 queriam ter uma garota como melhor amiga: Joan Blondell. Esperta, divertida, espirituosa e sempre pronta para te apoiar: as personagens de Joan tinham tudo o que uma boa amiga deveria ter. As mulheres que frequentavam os cinemas nos anos 1940, por outro lado, tinham outro tipo de melhor amiga dos sonhos: Eve Arden.

Female filmgoers from the 1930s wished they had one girl as their best friend: Joan Blondell. Wise, funny, quick-witted and supportive: Joan's characters embodied everything a good pal should have. Female filmgoers from the 1940s, on the other hand, had other kind of dream best friend: Eve Arden.
Três moças são recém-chegadas no grupo das Ziegfeld Girls. Sheila (Lana Turner) era ascensorista antes de ser descoberta pelo próprio Sr. Ziegfeld. Susie (Judy Garland) nasceu em uma família do teatro e o Sr. Ziegfeld viu o número que ela fazia com o pai, mas contratou apenas a garota. Sandra (Hedy Lamarr) estava acompanhando o marido violinista em um teste quando um cantor a viu e a mandou para o Sr. Ziegfeld. Ela aceitou o trabalho porque o casal estava passando por dificuldades.

Three women are new in the Ziegfeld Girls group. Sheila (Lana Turner) was an elevator operator before being spotted by Mr. Ziegfeld himself. Susie (Judy Garland) was born in a vaudeville family and Mr. Ziegfeld saw her number with her father, but hired only her. Sandra (Hedy Lamarr) was accompanying her violinist husband in an audition when a singer spotted her and sent her to Mr. Ziegfeld. She accepted the job as a show girl because the couple was out of money.
“O Mundo é um Teatro” é sobre as relações destas mulheres com os homens de suas vidas. Sheila tem um namorado simples, Gil (James Stewart), mas decide sair com um “benfeitor das artes”, Geoffrey Collins (Ian Hunter), que lhe presenteia com joias caras.

“Ziegfeld Girl” is all about the relationship these women have with the men in their lives. Sheila has a simple-minded boyfriend, Gil (James Stewart), but she decides to hang out with an “arts benefactor”, Geoffrey Collis (Ian Hunter), who gives her expensive jewelry.
O pai de Susie (Charles Winninger) deve encarar uma amarga verdade: ele ensinou tudo para sua garotinha, mas agora ele está acabado e o show quer contratar apenas ela. Ao mesmo tempo, Susie se interessa pelo irmão mais novo de Sheila, Jerry (Jackie Cooper).

Susie's father (Charles Winninger) must face a bitter truth: he has taught everything to his little girl, and now he's washed up and the shows only want her. At the same time, Susie becomes sweethearts with Sheila's young brother, Jerry (Jackie Cooper).
Sandra se vê dividida entre o marido Franz (Philip Dorn), que não gosta do novo trabalho dela, e o cantor Frank Merton (Tony Mayer), um conhecido mulherengo que foi responsável pela descoberta dela. Das três, Susan é aquela que tem menos tempo em cena, enquanto Sheila é a que tem mais.

Sandra becomes torn between her husband Franz (Philip Dorn), who disapproves her new job, and lead singer Frank Merton (Tony Martin), a well-known womanizer who discovered her. Out of the three, Sandra is the one that gets less screen time, while Sheila has the most.
Patsy Dixon (Eve Arden) não é uma das estrelas principais entre as Ziegfeld girls. A pobre Eve sequer é creditada no começo do filme! Patsy é uma artista que coleciona duas coisas: joias e maridos. Ela parece antipática e frívola, até que dá um conselho a Sheila em um momento delicado. E, se Eve Arden está lhe dando um conselho, é melhor escutá-la.

Patsy Dixon (Eve Arden) is not one of the main Ziegfeld girls. Poor Eve is not even credited in the beginning of the movie! Patsy is a showgirl that collects two things: jewelry and husbands. She sounds unsympathetic and frivolous, until a pivotal moment in which she gives advice to Sheila. And, if Eve Arden is giving you advice, you'd better listen to her.
Busby Berkeley foi a escolha perfeita para dirigir os números de dança. Florenz Ziegfeld Jr não era um homem básico, e seu estilo combinou perfeitamente com o de Berkeley. Obviamente, a edição e os truques de câmera impossíveis de serem realizados no teatro deram uma pequena vantagem a Berkeley, e ele chegou um pouco mais longe de Ziegfeld com suas criações, que estão eternizadas em celuloide.

Busby Berkeley was the perfect choice to direct the dance numbers. Florenz Ziegfeld Jr wasn't a basic man at all, and his style combined perfectly with Berkeley's. Of course, editing and camera tricks that were not part of the theater world gave Berkeley a small advantage, and he went a mile further than Ziegfeld with his own creations, forever burned on celluloid.
É interessante notar que o próprio Sr. Ziegfeld nunca é visto. Quando o filme tinha data de estreia prevista para 1938, Walter Pidgeon havia sido escalado, e havia a possibilidade de William Powell reprisar o papel de Ziegfeld que já havia feito em “Ziegfeld – Criador de Estrelas” (1936). Walter Pidgeon acabou interpretando Ziegfeld em “Funny Girl – A Garota Genial” (1968). Em minha opinião, foi uma decisão sábia não mostrar o Sr. Ziegfeld no filme, ou o foco mudaria da vida das artistas, da Ziegfeld girls, para a vida do próprio showman.

It's interesting to notice that Mr. Ziegfeld is never seen. When the film was set for a 1938 release, Walter Pidgeon had been cast, and there was a chance that William Powell would recreate his role as Ziegfeld from the 1936 Oscar-winning extravaganza “The Great Ziegfeld”. Walter Pidgeon ended up playing Ziegfeld in “Funny Girl” (1968). In my opinion, it was a wise decision to not show Mr. Ziegfeld in the movie, because otherwise the focus would shift from the girls’ lives to the showman’s life.
Edward Everett Horton está adorável como sempre em seu papel de caça-talentos super-preocupado. Jackie Cooper tem pouco a fazer, apenas ser fofo ao lado de uma igualmente adorável Judy Garland, e foi particularmente bom ver o veterano do vaudeville Al Shean fazendo um número em frente às câmeras. James Stewart está muito bem e demonstra grande alcance nas técnicas de atuação.

Edward Everett Horton is his usual delightful self as the over-worried talent hunter. Jackie Cooper has little to do but to be cute to an equally adorable Judy Garland, and it was particularly nice to see vaudevillian Al Shean doing his routine for the cameras. James Stewart is very good in the movie, showing a fine acting range.
O final é previsível, mas isso não tira os méritos do filme. Se nem todas as histórias são exploradas ao máximo, “O Mundo é um Teatro” merece ser visto por causa dos incríveis números musicais, da direção de arte de Cedric Gibbons, dos figurinos fantásticos de Adrian, da boa performance de Lana Turner e da voz maravilhosa de Judy Garland.

The ending is predictable, but this doesn't take away the film's merits. If not all the stories deliver their full potential, “Ziegfeld Girl” deserves to be seen because of the amazing song and dance numbers, the art direction by Cedric Gibbons, the fantastic gowns by Adrian, Lana Turner’s good performance and Judy Garland’s marvelous voice.


This is my contribution to the Eve Arden blogathon, hosted by Laura at Phyllis Loves Classic Movies.
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