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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

The Brave One (1956) and Dalton Trumbo’s braveness

Quando eu assisti a “Trumbo – Lista Negra” (2015), eu senti muita raiva. Eu tive raiva da hipocrisia, da falsa moral, da asquerosa tentativa dos conservadores de “limpar Hollywood” – e de como eles destruíram vidas com esta caça às bruxas. Sim, Dalton Trumbo pode ter ganhado dois Oscars mesmo estando na lista negra, mas vemos na cinebiografia que as consequências de seu exílio foram devastadoras, e nenhuma estatueta dourada poderia remediá-las.

When I watched “Trumbo” (2015), I felt more rage than anything else. I was angry at the hypocrisy, the fake morals, the disgusting attempt of conservatives to “clean Hollywood” – and how they destroyed lives with the witch hunt. Sure, Dalton Trumbo may have won two Oscars even when he was blacklisted, but we see in the biopic that the consequences of his blacklisting were devastating, and no golden statue could cure them.
Dalton Trumbo entrou na lista negra em 1947. Ele era um dos ‘10 de Hollywood’ que se recusaram a testemunhar perante o Congresso e delatar colegas para serem perdoados. Naquela época, ele já havia sido indicado a um Oscar”, pelo roteiro de “Kitty Foyle” (1941). E naquela época, ele já havia passado por problemas: em meados dos anos 1930 a Warner cancelou o contrato de Trumbo quando ele se recusou a sair do Sindicato dos Roteiristas – fundado e administrado por escritores que seriam também colocados na lista negra – e ir para outro sindicato.

Dalton Trumbo was blacklisted in 1947. Trumbo was one of the ‘Hollywood ten’ who refused to testify before Congress and name names in order to be acquitted. By that time, he had already been nominated for one Oscar, for his screenplay of “Kitty Foyle” (1941). And by that time, Trumbo had already had problems: in the mid 1930s Warner Bros cancelled his contract when he refused trading his membership in the Screen Writers Guild – created and ran by fellow would-be-blacklisted writers – for another guild.
Depois de passar 11 meses preso no Kentucky, Dalton Trumbo e sua família se mudaram para o México, para onde outros roteiristas na lista negra também foram. Lá era um lar fora de casa. Trumbo continuou escrevendo e vendendo histórias para o cinema – através de pseudônimos e outros subterfúgios.

After spending 11 months in a prison in Kentucky, Dalton Trumbo and his family moved to Mexico, where other blacklisted screenwriters also went to live. There was home outside of the homeland. Trumbo kept writing screenplays and motion picture stories and selling them to Hollywood – by using fronts, pseudonyms and other tricks.
Em 1953 ele escreveu a história de “A Princesa e o Plebeu”. Ele não pôde ser creditado, por isso seu amigo, o roteirista Ian McLellan Hunter, assinou o roteiro. No Oscar, ele competiu contra o filme de guerra “Seu Nome e Sua Honra”, a comédia “As Chaves do Paraíso”, “O Pequeno Fugitivo” e o faroeste “Hondo”, que mais tarde teve a indicação retirada. A deliciosa história de “A Princesa e o Plebeu” ganhou o prêmio. Três anos depois, Trumbo repetiu a dose.

In 1953 he wrote the motion picture story of “Roman Holiday”. He couldn’t be credited, so his friend, screenwriter Ian McLellan Hunter, was used as a front for his work. At the Oscars, he competed against the war film “Above and Beyond”, the comedy “The Captain’s Paradise”, “The Little Fugitive” and the western “Hondo”, who later had its nomination withdrawn. The delightful story for “Roman Holiday” won the prize. Three years later, Trumbo did it again.
O filme “Arenas Sangrentas” (1956) é sobre um menino, Leonardo (Michel Ray) e seu amado touro de estimação, chamado Gitano (‘cigano’ em espanhol). Leonardo tenta salvar seu touro das arenas sangrentas das touradas, onde o animal enfrentará um toureiro veterano. É um filme B feito pelos irmãos King, que também produziram “Mortalmente Perigosa” (1950). Dá para ver como o filme foi ‘barato’ pela baixa qualidade das cenas noturnas. O filme foi gravado no México, sendo a maioria dos atores mexicanos.

The film “The Brave One” (1956) is about a young boy, Leonardo (Michel Ray) and his beloved pet bull, called Gitano (Spanish for ‘gypsy’). Leonardo tries to spare his bull from going to the killing arenas and being killed by a master bullfighter. It’s a B-movie made by the King Brothers, who also produced the noir “Gun Crazy” (1950). The cheapness of the film can be seen especially in night scenes. It was shot in Mexico, with mostly Mexican actors.
Em 1957, Trumbo derrotou Celso Zavattini, que escreveu o filme neorrealista italiano “Umberto D”… e Jean-Paul Sartre. Ambos os filmes, “Umberto D” e “OS Orgulhosos”, eram do começo dos anos 50 – respectivamente 1952 e 1953 – mas só estrearam em Los Angeles em 1956. Um filme chamado “Alta Sociedade” também foi indicado, mas sua indicação foi cancelada porque a Academia o confundiu com o musical de mesmo nome, estrelado por Grace Kelly e Frank Sinatra.

In 1957, Trumbo won his Oscar over Celso Zavattini, who penned the Italian neorealist film “Umberto D”… and Jean-Paul Sartre. Both movies, ‘Umberto D” and “Les orgueileux”, were released in the early 1950s – respectively in 1952 and 1953 – but only released in Los Angeles in 1956. A movie called “High Society” was also nominated, but its nomination was withdrawn because the Academy mistook it with the Grace Kelly / Frank Sinatra musical of the same name.
“Arenas Sangrentas” é ‘baseado em uma história de Robert Rich’. Quando ele ganhou o Oscar, Jesse Lasky Jr, então vice-presidente do grupo de roteiristas do Sindicato dos Escritores, recebeu o prêmio. Depois da cerimônia, o que todos queriam saber em Hollywood era: quem realmente é Robert Rich? Um homênimo – e sobrinho dos irmãos King – foi a público dizer que ele não havia escrito a história. O mistério começava.

“The Brave One” is ‘based on a story by Robert Rich’. When he won the Oscar, Jesse Lasky Jr, then the vice-president of the Screenwriters branch of the Writers Guild, accepted the award. After the ceremony, what everything in Hollywood wanted to know was: who really is Robert Rich? A man with that name –and nephew of the King brothers – went public to say that he hadn’t written the story. The game was afoot.
Numa entrevista para um jornalista de Los Angeles pouco mais de um mês depois da cerimônia do Oscar, Trumbo respondeu assim quando perguntado se havia escrito a história de “Arenas Sangrentas”: ‘talvez sim, talvez não’. O Oscar de 1957 foi o último a ter a categoria de Melhor História Original. Trumbo estava, obviamente, se divertindo e sentindo o gosto de uma pequena vingança com o alvoroço que estava criando na mesma Hollywood que o havia expulsado.

In an interview to a Los Angeles journalist a little over a month after the Oscars ceremony, Trumbo answered this way when asked if he had written the story for “The Brave One”: ‘maybe I did, maybe I didn’t’. The 1957 Oscar ceremony was the last one to have the Best Writing – Motion Picture Story category. Trumbo was, of course, having fun and a small revenge with the little uproar he caused in the Hollywood that had expelled him.
Trumbo (2015)
Em 1959, Trumbo finalmente confessou que era responsável por “Arenas Sangrentas”. Logo depois, o diretor Stanley Kubrick e o ator e produtor Kirk Douglas insistiram que Trumbo fosse creditado em “Spartacus”. No ano seguinte, ele foi de fato devidamente creditado pela primeira vez em 13 anos, por seu trabalho em “Exodus”, de Otto Preminger. Entre “Arenas Sangrentas” e 1960, três outros escritores na lista negra ganharam o Oscar, e a ausência deles foi um sinal de vergonha para Hollywood. Acabava a lista negra.

In 1959, Trumbo finally confessed that he was responsible for “The Brave One”. Right after, director Stanley Kubrick and actor/producer Kirk Douglas insisted on having him credited in “Spartacus”. The following year, he was properly credited for the first time in 13 years, for his worked in Otto Preminger’s “Exodus”. Between “The Brave One” and 1960, three other blacklisted writers had won the Oscar and their absence was a sign of shame for Hollywood. The blacklist was over.

Ao contrário do que o trailer diz, “Arenas Sangrentas” não é inesquecível por causa da performance de Michel Ray – que é apenas OK – mas por causa da história de Trumbo. “Arenas Sangrentas” é sobre perdão e sobre considerar a opinião da maioria – e tudo isso é muito simbólico para um filme que foi a primeira peça na destruição da lista negra.

Contrary to what the trailer says, “The Brave One” is not unforgettable because of Michel Ray’s performance – which is just OK – but because of Trumbo’s story. “The Brave One” is about forgiveness and listening to the opinion of the majority – and all that is very symbolic for a movie that was the first piece to destroy the blacklist.


This is my contribution for Banned and Blacklisted, the Fall 2017 CMBA Blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Nossas Noites / Our Souls at Night (2017)

Cinquenta anos depois de “Descalços no Parque” e 38 anos depois da última colaboração deles - “O Cavaleiro Elétrico” (1979) - Jane Fonda e Robert Redford se encontraram novamente graças à Netflix. Ambos já tinham projetos no serviço de streaming - Jane é uma das produtoras e protagonistas da série “Grace e Frankie”, e Robert estrelou o filme “A Descoberta”. Foi na Netflix que as duas estrelas, ambas com quase 80 anos, encontraram espaço e papéis que não encontram mais no cinema hollywoodiano convencional, aquele preocupado com blockbusters e jovens estrelas.

Fifty years after “Barefoot in the Park” and 38 years after their last collaboration – “The Electric Horseman” (1979) – Jane Fonda and Robert Redford got together again thanks to Netflix. Both had already projects in the streaming platform – Jane is one of the producers and stars of the sitcom “Grace and Frankie”, and Robert starred in the movie “The Discovery”. It was on Netflix that both stars, who are nearly 80, found the space and the roles they don't  find anymore in the conventional Hollywood cinema, more worried about blockbusters and young stars.
Robert Redford leu o livro “Nossas Noites”, obra póstuma do escritor Kent Haruf, e viu nele um veículo perfeito para si mesmo e para a amiga de longa data. Ele propôs a ideia do filme para a Netflix, e Jane aceitou na hora o convite para estrelar o longa-metragem. Jane disse que ela queria estar no filme porque queria se apixonar novamente por Redford.

Robert Redford read the book “Our Souls at Night”, published after author Kent Haruf's death, and saw in it a perfect vehicle for him and his good old friend. He pitched the film's idea to Netflix, and Jane quickly accept the offer to star in it. Jane said she wanted to do the movie because she wanted to fall in love with Redford all over again.
Louis (Redford) recebe uma proposta nada convencional da vizinha Addie (Fonda): como ambos são viúvos e sozinhos, eles poderiam passar as noites juntos. É uma proposta de apoio mútuo no momento mais difícil e mais solitário do dia. Pouco a pouco, eles se tornam cúmplices, confessam detalhes de suas vidas um para o outro e, claro, chamam a atenção das pessoas da pequena cidade onde vivem.

Louis (Redford) receives an unconventional proposal from his neighbor Addie (Fonda): since they're both widowed and alone, they could spent the nights togethers. It's a proposal of mutual support in the toughest and loneliest moment of the day. Little by little, they become intimate, confess details of their lives to each other and, of course, call the attention of people in the small town they live in.
Nesse ínterim de fofocas e olhares maliciosos, Addie e Louis recebem um visitante: o neto dela, Jamie (Iain Armitage). Ele é mandado para ficar com a vovó para que seus pais tentem consertar os erros da relação. Ele é fonte de alegria para os idosos e, embora traga conflito na forma do seu pai, filho de Addie que desaprova o relacionamento, Jamie se mostta uma peça perfeitamente encixável na dinâmica pouco convencional de Addie e Louis.

In this context, being target of gossip and mean eyes, Addie and Louis receive a visitor: her grandson Jamie (Iain Armitage). The boy is sent to his grandma's while his father and mother try to fix their relationship. He is a source of joy for the elderly and, although he brings conflict because his father, Addie's son, disapproves the relationship, Jamie is a piece that fits perfectly in the unconventional puzzle Addie and Louis make.
Jane interpreta novamente a mais mente aberta na relação, e Robert é o mais sério. No começo, o personagem de Robert, Louis, se preocupa muito com o que as pessoas vão pensar e como vão reagir ao fato de que os dois estão dormindo juntos – ele se preocupa tanto que insiste em entrar pela porta dos fundos na casa de Addie, mas depois de algumas noites ela exige que ele use a porta da frente. Addie não tem medo, e não tem que dar satisfação a ninguém.

Jane once again plays the most free-spirited one in the relationship, and Robert is the most serious one. At first, Robert's character Louis cares too much about what people think and how they would react to them sleeping together – he cares so much that he enters Addie's house by the back entrance, and after a few times she demands him to use the front door. Addie is unafraid, and unapologetic.
Vimos nos últimos anos a multiplicação de filmes focados em idosos. “Nossas Noites” é sobre os afetos nas vidas das pessoas de idade: afeto entre elas, no sentido romântico e sexual, e afeto com relação a parentes, filhos e netos.

We saw in the last few years the multiplication of movies focused on older people. “Our Souls at Night” is all about endearment in old people's lives: it's the romantic and sexual love between them, and also the love they feel for their relatives, kids and grandkids.
Podemos usar o título de outro filme para definir “Nossas Noites”: Ainda Adoráveis (filme de 2008 com Martin Landau e Ellen Burstyn).“Nossas Noites” não é uma obra-prima nem um filme revolucionário. Ele não vai mudar sua vida, mas poderá lhe fazer chorar. No IMDb, vemos uma feliz coincidência: tanto“Descalços no Parque” quanto “Nossas Noites” têm a mesma média do público: 7 de 10. Menos divertido que “Descalços no Parque” e menos sério que “O Cavaleiro Elétrico”, esta mais recente colaboração da dupla Fonda-Redford mostra que o talento nunca se aposenta.

We can use the title of another film to describe “Our Souls at Night”: “Lovely, Still” (a 2008 film starring Martin Landau and Ellen Burstyn). “Our Souls at Night” is not a masterpiece now a revolutionary movie. It won’t change your life, but it can make you cry. On IMDb, a happy coincidence: both “Barefoot in the Park” and “Our Souls at Night” have the same score from fans: 7 out of 10. It may be not as funny as ‘Barefoot in the Park” and not as serious as “The Electric Horseman”, but this most recent collaboration between Fonda and Redford shows that talent never retires.


This is my contribution to the Then and Now (Now and Then) blogathon, hosted by Thoughts All Sorts (and Realweegiemidget Reviews).


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Descalços no Parque / Barefoot in the Park (1967)

Recém-casados. Desde a era do cinema mudo, muitos filmes já trataram de jovens casais apaixonados, prestes a começar a vida a dois. Buster Keaton fez, por exemplo, muitos curtas-metragens nos quais ele precisava se adaptar à nova vida – podemos citar dois deles: “Uma Semana” (1920) e “A Parentela da Esposa” (1922). Buster não foi o único a mostrar o lad0 divertido do casamento. Quarenta anos depois, os casais tinham o mesmo problema que os personagens de Buster – incompatibilidade.

Newlyweds. Since the silent era many, many films were made about young couples in love, about to start their life together. Buster Keaton had,  for instance, many short films in which he had to adapt to his new life – we can mention two of them: “One Week” (1920) and “My Wife’s Relations” (1922). Buster wasn’t the only one to show the fun side of the newlyweds’ life. Forty years later, couples had the same problem as Buster’s characters – incompatibility.
Corie (Jane Fonda) e Paul (Robert Redford) voltaram da lua de mel e se mudaram para seu novo apartamento em Nova York. Como você deve imaginar, este é o melhor lugar pelo qual o jovem casal pode pagar, então não é um apartamento muito espaçoso. Ele se localiza no último andar de um prédio sem escadas. E, ah, há um buraco na claraboia, algo perfeito para dias de verão, porém terrível para noites de inverno.

Corie (Jane Fonda) and Paul (Robert Redford) have just resumed their honeymoon and moved to their own apartment in New York City. As you may imagine, this is the best place the young couple can afford, so it’s not very big. It’s also on the last floor of a building that has no stairs. And, oh, there is a hole in the ceiling, perfect for sunny days but horrible in snowy nights.
Entretanto, este não é o maior problema deles. Parece que o amor os cegou e apenas agora eles veem como são diferentes. Paul é um advogado sério, que se preocupa com a carreira em primeiro lugar. Corie é uma dona de casa de espírito livre, que não vê problemas em socializar com vizinhos estranhos. Paul quer uma casa arrumada e uma carreira brilhante, enquanto Corie quer ter o marido ao seu lado e se divertir.

But this is not their biggest problem. It looks like love has blinded the young couple and only now they could see how different they are. Paul is a serious lawyer, who worries about his work more than anything else. Corie is a free-spirited housewife, who doesn’t care about mingling with weird neighbors. Paul wants a tidy home and a brilliant career, while Corie wants to have her husband next to her and to have fun.
É comum que se diga que, quando você se casa com alguém, também se casa com a família desta pessoa. E, seguindo este raciocínio, quando você se muda para uma nova casa ou prédio você também acaba criando uma relação com seus vizinhos. E isto tudo nos leva a dois incríveis coadjuvantes: Ethel (Mildred Natwick), a mãe de Corie, e Victor Velasco (Charles Boyer), um vizinho excêntrico. Na sequência mais divertida do filme, Corie, Paul, Ethel e Victor saem para jantar.

It’s often said that when you marry someone, you also marry this person’s family. And, following the reasoning, when you move to a new house or building you end up creating a relationship with your neighbors. And this takes us to two amazing supporting characters: Ethel (Mildred Natwick), Corie’s mother, and Victor Velasco (Charles Boyer), an eccentric neighbor. In the funniest sequence of the movie, Corie, Paul, Ethel and Victor go out to dine.
Não posso elogiar suficientemente a noite louca que os quarto experimentam. Haverá ao menos um momento em que você vai chorar de rir – talvez por causa da comida estranha, talvez por causa das loucuras de Velasco. “Descalços no Parque” acabará lhe ensinando a comer knichi do jeito certo, a dançar a dança folclórica albanesa “Shama Shama” ou por que beber muito uzo lhe impedirá de fechar a mão.

I can’t say enough good things about the zany night out the four of them have. There will be at least a moment when you’ll laugh until you cry – maybe because of the weird food, or because of Velasco’s shenanigans. “Barefoot in the Park” will end up teaching you how to eat knichi properly, how to dance the Albanian folk song “Shama Shama” or why drinking too much uzo will prevent you from making a fist.
É interessante notar como, mesmo sendo baseado em uma peça de teatro, “Descalços no Parque” não parece ‘teatral’. Há poucos cenários, mas a sensação geral é de que o filme não fica confinado por causa disso. Isso acontece porque Neil Simon, o autor da peça, escreveu também o roteiro do filme. Simon não era novato no mundo do cinema e da TV – ele trabalhava desde 1948 em filmes e séries para a televisão.

It’s interesting how, even though the film is based on a stage play, “Barefoot in the Park” doesn’t look ‘staged’. There may be few settings, but the overall feeling of the movie is not something confined. This happens especially because Neil Simon, the play writer, was also responsible for the screenplay. Simon was no newcomer in the film and TV world – he had been working in TV movies and series since 1948.
“Descalços no Parque” foi o terceiro de cinco filmes – até agora – em que Jane Fonda e Robert Redford contracenaram. Eles curiosamente começaram suas carreiras no cinema com o mesmo filme, “Até os Fortes Vacilam” (1960), mas Fonda era a estrela e Redford apenas um figurante. Começando com “Caçada Humana”, de 1966, Fonda e Redford se tornaram bons amigos, em especial porque têm o mesmo posicionamento político. Foi delicioso vê-los como um casal jovem e apaixonado em “Descalços no Parque”, e foi ótimo descobrir que eles se juntaram para uma nova empreitada...

“Barefoot in the Park” was the third of five – so far – films Jane Fonda and Robert Redford made together. They actually made their screen debuts in the same movie, “Tall Story” (1960), but Fonda had a starring role and Redford was only an extra. Starting with 1966’s “The Chase”, Fonda and Redford became good friends, in special because of their similar political views. It was delightful to see them as a young and passionate couple in “Barefoot in the Park”, and it was great when they reteamed…


This is my contribution to the Then and Now (Now and Then) blogathon, hosted by Realweegiemidget (and Thoughts All Sorts).

domingo, 12 de novembro de 2017

O Mundo é um Teatro / Ziegfeld Girl (1941)

As mulheres frequentavam os cinemas nos anos 1930 queriam ter uma garota como melhor amiga: Joan Blondell. Esperta, divertida, espirituosa e sempre pronta para te apoiar: as personagens de Joan tinham tudo o que uma boa amiga deveria ter. As mulheres que frequentavam os cinemas nos anos 1940, por outro lado, tinham outro tipo de melhor amiga dos sonhos: Eve Arden.

Female filmgoers from the 1930s wished they had one girl as their best friend: Joan Blondell. Wise, funny, quick-witted and supportive: Joan's characters embodied everything a good pal should have. Female filmgoers from the 1940s, on the other hand, had other kind of dream best friend: Eve Arden.
Três moças são recém-chegadas no grupo das Ziegfeld Girls. Sheila (Lana Turner) era ascensorista antes de ser descoberta pelo próprio Sr. Ziegfeld. Susie (Judy Garland) nasceu em uma família do teatro e o Sr. Ziegfeld viu o número que ela fazia com o pai, mas contratou apenas a garota. Sandra (Hedy Lamarr) estava acompanhando o marido violinista em um teste quando um cantor a viu e a mandou para o Sr. Ziegfeld. Ela aceitou o trabalho porque o casal estava passando por dificuldades.

Three women are new in the Ziegfeld Girls group. Sheila (Lana Turner) was an elevator operator before being spotted by Mr. Ziegfeld himself. Susie (Judy Garland) was born in a vaudeville family and Mr. Ziegfeld saw her number with her father, but hired only her. Sandra (Hedy Lamarr) was accompanying her violinist husband in an audition when a singer spotted her and sent her to Mr. Ziegfeld. She accepted the job as a show girl because the couple was out of money.
“O Mundo é um Teatro” é sobre as relações destas mulheres com os homens de suas vidas. Sheila tem um namorado simples, Gil (James Stewart), mas decide sair com um “benfeitor das artes”, Geoffrey Collins (Ian Hunter), que lhe presenteia com joias caras.

“Ziegfeld Girl” is all about the relationship these women have with the men in their lives. Sheila has a simple-minded boyfriend, Gil (James Stewart), but she decides to hang out with an “arts benefactor”, Geoffrey Collis (Ian Hunter), who gives her expensive jewelry.
O pai de Susie (Charles Winninger) deve encarar uma amarga verdade: ele ensinou tudo para sua garotinha, mas agora ele está acabado e o show quer contratar apenas ela. Ao mesmo tempo, Susie se interessa pelo irmão mais novo de Sheila, Jerry (Jackie Cooper).

Susie's father (Charles Winninger) must face a bitter truth: he has taught everything to his little girl, and now he's washed up and the shows only want her. At the same time, Susie becomes sweethearts with Sheila's young brother, Jerry (Jackie Cooper).
Sandra se vê dividida entre o marido Franz (Philip Dorn), que não gosta do novo trabalho dela, e o cantor Frank Merton (Tony Mayer), um conhecido mulherengo que foi responsável pela descoberta dela. Das três, Susan é aquela que tem menos tempo em cena, enquanto Sheila é a que tem mais.

Sandra becomes torn between her husband Franz (Philip Dorn), who disapproves her new job, and lead singer Frank Merton (Tony Martin), a well-known womanizer who discovered her. Out of the three, Sandra is the one that gets less screen time, while Sheila has the most.
Patsy Dixon (Eve Arden) não é uma das estrelas principais entre as Ziegfeld girls. A pobre Eve sequer é creditada no começo do filme! Patsy é uma artista que coleciona duas coisas: joias e maridos. Ela parece antipática e frívola, até que dá um conselho a Sheila em um momento delicado. E, se Eve Arden está lhe dando um conselho, é melhor escutá-la.

Patsy Dixon (Eve Arden) is not one of the main Ziegfeld girls. Poor Eve is not even credited in the beginning of the movie! Patsy is a showgirl that collects two things: jewelry and husbands. She sounds unsympathetic and frivolous, until a pivotal moment in which she gives advice to Sheila. And, if Eve Arden is giving you advice, you'd better listen to her.
Busby Berkeley foi a escolha perfeita para dirigir os números de dança. Florenz Ziegfeld Jr não era um homem básico, e seu estilo combinou perfeitamente com o de Berkeley. Obviamente, a edição e os truques de câmera impossíveis de serem realizados no teatro deram uma pequena vantagem a Berkeley, e ele chegou um pouco mais longe de Ziegfeld com suas criações, que estão eternizadas em celuloide.

Busby Berkeley was the perfect choice to direct the dance numbers. Florenz Ziegfeld Jr wasn't a basic man at all, and his style combined perfectly with Berkeley's. Of course, editing and camera tricks that were not part of the theater world gave Berkeley a small advantage, and he went a mile further than Ziegfeld with his own creations, forever burned on celluloid.
É interessante notar que o próprio Sr. Ziegfeld nunca é visto. Quando o filme tinha data de estreia prevista para 1938, Walter Pidgeon havia sido escalado, e havia a possibilidade de William Powell reprisar o papel de Ziegfeld que já havia feito em “Ziegfeld – Criador de Estrelas” (1936). Walter Pidgeon acabou interpretando Ziegfeld em “Funny Girl – A Garota Genial” (1968). Em minha opinião, foi uma decisão sábia não mostrar o Sr. Ziegfeld no filme, ou o foco mudaria da vida das artistas, da Ziegfeld girls, para a vida do próprio showman.

It's interesting to notice that Mr. Ziegfeld is never seen. When the film was set for a 1938 release, Walter Pidgeon had been cast, and there was a chance that William Powell would recreate his role as Ziegfeld from the 1936 Oscar-winning extravaganza “The Great Ziegfeld”. Walter Pidgeon ended up playing Ziegfeld in “Funny Girl” (1968). In my opinion, it was a wise decision to not show Mr. Ziegfeld in the movie, because otherwise the focus would shift from the girls’ lives to the showman’s life.
Edward Everett Horton está adorável como sempre em seu papel de caça-talentos super-preocupado. Jackie Cooper tem pouco a fazer, apenas ser fofo ao lado de uma igualmente adorável Judy Garland, e foi particularmente bom ver o veterano do vaudeville Al Shean fazendo um número em frente às câmeras. James Stewart está muito bem e demonstra grande alcance nas técnicas de atuação.

Edward Everett Horton is his usual delightful self as the over-worried talent hunter. Jackie Cooper has little to do but to be cute to an equally adorable Judy Garland, and it was particularly nice to see vaudevillian Al Shean doing his routine for the cameras. James Stewart is very good in the movie, showing a fine acting range.
O final é previsível, mas isso não tira os méritos do filme. Se nem todas as histórias são exploradas ao máximo, “O Mundo é um Teatro” merece ser visto por causa dos incríveis números musicais, da direção de arte de Cedric Gibbons, dos figurinos fantásticos de Adrian, da boa performance de Lana Turner e da voz maravilhosa de Judy Garland.

The ending is predictable, but this doesn't take away the film's merits. If not all the stories deliver their full potential, “Ziegfeld Girl” deserves to be seen because of the amazing song and dance numbers, the art direction by Cedric Gibbons, the fantastic gowns by Adrian, Lana Turner’s good performance and Judy Garland’s marvelous voice.


This is my contribution to the Eve Arden blogathon, hosted by Laura at Phyllis Loves Classic Movies.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Grace Kelly: style icon

Não podemos negar que o mundo da moda e o mundo do cinema caminham lado a lado desde, no mínimo, os anos 1920. Se tivéssemos que escolher uma estrela para exemplificar a relação entre moda e cinema, a maioria das pessoas escolheria Audrey Hepburn. Eu entendo o motivo: a parceria de Audrey com Givenchy foi icônica e alguns de seus filmes trataram do mundo da moda. Mas eu gostaria de discordar desta maioria: em minha opinião, Grace Kelly e as tendências da moda também andaram de mãos dadas.

We can't deny that the fashion world and the movie world walk side by side since, at least, the 1920s. If we had to choose one film star to exemplify the relationship between fashion and film, most people would point out Audrey Hepburn. I understand them: Audrey's partnership with Givenchy was iconic and some of her movies dealt with the fashion world. But I'd like to disagree with most people: in my opinion, Grace Kelly and fashion tendencies also waked hand in hand.
Grace desfilou pela primeira vez em um evento beneficente da escola. Sua mão e irmãs também participaram do desfile. Quando Grace decidiu tentar a carreira de atriz, ela começou a trabalhar como modelo, e ficou três anos nesta ocupação.

Grace modeled for the first time in a beneficent event at the school she attended. Her mother and sisters were also part of the fashion show. When Grace went on to pursue a career in acting, she started also working as a model, and did it for three years.
Grace começou com papéis na TV. Seu primeiro papel no cinema, em “Horas Intermináveis” (1951), foi muito pequeno. O papel seguinte, em “Matar ou Morrer” (1952), também foi pequeno, mas fundamental para a trama. Ann Peck, figurinista especialista em westerns, foi a responsável pelos figurinos das mulheres do filme.

Grace started with TV roles. Her first film role, in “Fourteen Hours” (1951), is very brief. The one that followed, in “High Noon” (1952), was also brief, but fundamental to the plot. Ann Peck, a western expert, was responsible for the female outfits in the film.
Ninguém vestiu Grace Kelly melhor que Edith Head. A parceria fashion entre elas durou quatro filmes, uma cerimônia do Oscar e uma viagem de despedida. Uma das mais fascinantes imagens de Grace Kelly se tornou de tirar o fôlego graças ao vestido que ela usa. Quando L.B. Jeffrie (James Stewart) abre os olhos, ele encontra sua noiva, Lisa Fremont (Kelly) bem à sua frente, usando um vestido preto e branco. O filme é “Janela Indiscreta” (1954) e essa é a primeira vez que muitos de nós fomos enfeitiçados por Grace Kelly.

Nobody dressed Grace Kelly better than Edith Head. Their fashion partnership lasted four films, one Oscar ceremony and a farewell trip. One of the most fascinating images of Grace Kelly was made even more breathtaking by the dress she wears. When L.B. Jeffries (James Stewart) opens his eyes, he finds his angelic fiancée, Lisa Fremont (Kelly) right in front of him, wearing a black and white dress. The film is “Rear Window” (1954), and this was the first time many of us were bewitched by Grace Kelly.
A próxima colaboração delas foi em “As Pontes de Toko-Ri”, um filme de 1954 que tem muito pouco de Grace Kelly e quase nada de ação – apenas nos minutos finais. Grace está no filme basicamente apenas para desfilar as criações glamourosas de Edith. O filme seguinte, entretanto, gerou bons frutos: com “Amar é Sofrer” (1954), Grace Kelly ganhou o Oscar de Melhor Atriz e na noite da cerimônia usou um vestido de Edith Head, muito diferente daqueles que a estilista concebeu para o papel dramático de Grace. Um uma decisão arriscada, Grace repetiu no Oscar o vestido usado na estreia do filme.

Their next collaboration was in “The Bridges at Toko-Ri”, a 1954 movie that has too little of Grace Kelly and not enough action – only in the final minutes. Grace is in the film only to walk with Head’s glamorous creations. The film that followed, however, was good for both: with “The Country Girl” (1954), Grace Kelly won the Best Actress Oscar and at the night of the ceremony she received her prize while wearing a dress designed by Edith Head – a dress very different from the simple clothes her character wears in the film. In a daring decision, Grace reused the dress with which she had attended the premiere of the film.
The Bridges at Toko-Ri (1954)
The Country Girl (1954)
“Ladrão de Casaca” (155) é sem dúvida o filme no qual Grace Kelly usa as roupas mais bonitas. Como uma mulher riquíssima que pode ser a próxima vítima de um ladrão de joias, ela pode desfilar com lindos vestidos pelos cenários da Riviera Francesa. Sua beleza e suas roupas são inclusive capazes de fazer você desviar a atenção do queixo glorioso de Cary Grant e, bem, prestar atenção nela.

“To Catch a Thief” (1955) is without a doubt the film in which Grace Kelly wears the most beautiful clothes. As a very rich woman who may be the next victim of a jewel robber, she can show off gorgeous dresses in the French Riviera setting. Her beauty and her outfits can even make you stop looking at Cary Grant's glorious chin and, well, pay attention to her.
O terninho que Grace Kelly usava quando deixou Hollywood de vez foi também desenhado por Edith Head, e dado como um presente de despedida dos estúdios Paramount. Ironicamente, nenhum dos oito Oscar ganhos por Edith Head veio de um filme com Grace Kelly.

The suit Grace Kelly was wearing when she left Hollywood for good was also designed by Edith Head, as a farewell gift from Paramount studios. Ironically, none of Edith Head’s eight Oscar wins was from a film starring Grace Kelly.
O icônico vestido de noiva de Grace Kelly não foi desenhado por Edith Head. Helen Rose, que foi responsável pelo figurino de Grace em quatro filmes – “Mogambo” (1953), “Tentação Verde” (1954), “Alta Sociedade” (1956) e “O Cisne” (também de 1956) – foi escolhida para desenhar dois vestidos de noiva para Grace: um para a cerimônia civil e outro para a religiosa. Em vez que usar uma tiara, ela escolheu usar um chapéu parecido com uma boina. O casamento foi o maior evento fashion de 1956.

Grace Kelly's iconic wedding dress wasn't designed by Edith Head. Helen Rose, who was responsible for Grace’s outfits in many films – “Mogambo” (1953), “Green Fire” (1954), “High Society” (1956) and “The Swan” (also 1956) – was chosen to design both wedding dresses for Grace: one for the civil ceremony and one for church. Instead of a tiara, she chose to wear a beret-style hat. The wedding was the biggest fashion event of 1956.
Mogambo (1953)
Green Fire (1954)
High Society (1956)
The Swan (1956)
Após o casamento, Grace se afastou de Hollywood, mas não do mundo da moda. Ela começou a usar roupas de alta costura europeia e uma bolsa coringa, que de acordo com uma lenda era perfeita para esconder sua barriga na primeira gravidez. A grande bolsa de mão Hermès passou a ser chamada de “Kelly bag”.

After her marriage, Grace stayed away from Hollywood, but not from the fashion world. She started wearing European haute culture and a favorite handbag that according to the legend was used to cover up her first pregnancy. The big Hermès handbag she used became known as the “Kelly bag”.
Grace Kelly faleceu há mais de 35 anos, mas seu estilo ainda é lembrado e reconhecido. Em 2012, ela estava entre os 100 ícones da moda mais influentes desde 1923 escolhidos pela revista TIME. E, se pensarmos em um look elegante e perfeito dos anos 1950, provavelmente visualizaremos algo usado por Grace Kelly.

Grace Kelly died more than 35 years ago, but her style is still remembered. In 2012, she was among the 100 most influential fashion icons since 1923 picked by TIME magazine. And, if we think about a perfect fancy 1950s look, we’ll probably think about something worn by Grace Kelly.

This is my contribution to the third Wonderful Grace Kelly blogathon, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema.
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